24 julho 2013

Ser Independente




Não escondo que simpatizo com a candidatura independente. Se para a Junta de freguesia o meu voto está praticamente definido (voto num candidato de partido político), para a Câmara Municipal e para a Assembleia o meu voto tende (embora não seja definitivo, tenho que conhecer os programas ) para a lista independente, havendo contudo uma pessoa no Partido Socialista que merece o voto de qualquer fafense por ter sido o melhor vereador que Fafe alguma vez teve - Pompeu Miguel Martins.

Nada me liga a Parcídio Summavielle, como a qualquer outra pessoa da lista, mas reconheço-lhe muitas virtudes. Tem os seus defeitos, são fáceis de os enumerar como já fiz aqui, mas pode significar muito para Fafe, quer em termos materiais, quer em termos simbólicos. Já para não nomear o Miguel, seu irmão.

Porém, há um conjunto de narrativas dos independentes que não me cativam, nomeadamente as ideias expressas por alguns ressabiados da política. Alguém independente é alguém que sempre o foi. Sem medo de tomar uma posição, fá-lo porque considera ser essa a melhor, justificando-a devidamente. Alguém independente é aquele que se consciencializa da sua circunstância em qualquer momento da sua vida e tenha a capacidade de se interrogar, arcando com as suas responsabilidades. Não estou a defender a coerência de ideias, mas a coerência moral. Ser independente significa não olhar para o umbigo, mas ter a capacidade de olhar por cima do seu ombro. Por último, ser independente é, pelo menos nas suas exposições públicas, não possuir uma atitude maniqueísta, separando o mundo entre bons e maus, mas uma postura de argumentação racional e livre. É isto que espero dos independentes, não sei se todos os independentes sabem disto. Espero que sim!

António Daniel

13 comentários:

ivo borges disse...

Gostei de ler.Só não entendi a seguinte afirmação "tenho que conhecer os programas".
Não entendi pelo facto de na minha opinião ser irrelevante,os ditos programas,nunca os vi cumprir.
Um abraço I.B

Alex disse...

Caro António Daniel, que tal "assumir uma postura de argumentção racional e livre"? É que não percebo quase nada do que está a dizer...

(só é independente quem sempre foi??!!)
("capacidade de se interrogar e arcar com as responsabilidades"... de se interrogar??)
("não estou a defender a coerência de ideias"... pois, acho que estou confuso!)

etc. etc. etc.

António Daniel disse...

Alex, relacione isso com os «ressabiados» da política.
Não acredito na independência circunstancial, muitos dos apoiantes dos independentes têm um passado político e só lá estão porque perderam espaço nos seus partidos. Os partidos sempre funcionaram da mesma forma, não são de agora os seus vícios. Portanto, quando leio algumas opiniões, geralmente de gente muito vinculada aos partidos, que defendem os movimentos independentes afirmando que as causas se encontram nos partidos, desconfio!

Alex disse...

Eu não estava a mandar indirectas... Não percebi mesmo o queria dizer...

Por exemplo, o que quer dizer "ser independete é olhar por cima do seu ombro"?
ou então, a que é que se refere quando diz "ressabiados da política"? São os que não fazem parte da lista dos independentes ou são alguns dos que fazem? (repito, não percebi mesmo)

e defender uma posição porque acha que essa é a melhor, é ser independente?

e numa argumentação "racional e livre" não há bons nem maus?

António Daniel disse...

Claro, Alex, reconheço que o texto não está muito claro. Na minha opinião, os movimentos independentes que proliferam pelo país fora e em Fafe também é constituído por pessoas zangadas de outros partidos. Para essas pessoas, o principal argumento que apresentam é que as pessoas estão cansadas dos partidos. Isto é incoerente. Logo, essas pessoas estão com os independentes para combater o partido que os excluiu ou que se zangaram. «Olhar por cima do meu ombro» é uma expressão que, a meu ver, deve tornear a acção independente. Habitualmente, os partidos têm uma visão limitada da realidade e excluem todos os que consideram adversários. Numa lista de independentes não deve haver adversários, por e simplesmente. Portanto, qualquer argumento dos independentes deve procurar distanciar-se da ideia de que concorrem contra os partidos. Não sei se me fiz entender. Abraço e obrigado pelo comentário, Alex.

Ivo, pois, se calhar tem razão apesar de não ser politicamente correcto dizer isso :)

Miguel Summavielle disse...

Amigo Ivo,
O Dr. José Ribeiro foi eleito sem apresentar o seu programa para o mandato. Assim, julgo eu, que não o poderás acusar de incumprimento.
O Dr. José Ribeiro disse, inclusivamente, que não precisava de programa porque as pessoas já sabiam o que iria fazer.
A verdade é que foi eleito e por maioria. Isso diz muito sobre a forma como votamos!
Os Independentes por Fafe apresentaram o seu programa e bateram-se para que algumas das suas propostas fossem incluídas nos Planos e Orçamentos, procurando, desta forma, cumprir o mandato para o que foram eleitos. Veremos a apreciação que a população fez desta postura…

Miguel Summavielle disse...

Caro António Daniel,
Só posso falar do que conheço, por isso, digo-lhe que os “Independentes por Fafe” são constituídos por pessoas de várias ideologias, com ou sem passado de militância política activa.
São pessoas que não se sentem representadas pelos candidatos que os partidos políticos escolheram e que estão convencidas que apenas participando podem mudar as coisas com que não concordam.
Optaram por sair da sua zona de conforto e participar, activamente, na definição dos seus destinos. Na minha modesta opinião, isso é o exercício do mais fundamental princípio de cidadania.
Se há pessoas com passado de militância política. Claro! Se são pessoas zangadas com os partidos. Eu prefiro dizer que são pessoas desiludidas com os partidos políticos. Deixe-me dar o meu próprio testemunho: era, em 1990, membro da JS de Fafe e frequentava o ensino superior. Envolvi-me na luta pela alteração da subsidiação das senhas de alimentação e tomei a iniciativa, em representação da minha Escola, de escrever a todas as forças com assento parlamentar, buscando o seu apoio para a alteração legislativa necessária. Só o PCP respondeu! Claro que entreguei, imediatamente, o meu cartão. Não me parecia, já nessa altura, que a militância política se devesse ficar por colar cartazes…
Também não me parece que as pessoas com um passado de militância política tivessem perdido o seu espaço nos partidos. Acho, isso sim, que já não se revêm nas pessoas que os lideram ou não concordam, de todo, com os seus programas. Por isso, optaram por livremente escolher um novo caminho.
Não reclamo superioridade ideológica ou moral para os Movimentos Independentes, mas também não aceito que nos considerem o resultado de zangas ou estados de espírito.

Alex disse...

Caro Daniel, acho que está a precisar de férias :) Mas sim, já entendi um pouco melhor. E obrigado pelo esforço. Embora fique com a sensação que está à busca (e não parece que esteja a ser fácil para si) de argumentos que encaixem na sua vontade de votar nos "independentes".

Ricardo Gonçalves disse...

Concordo, infelizmente, com o Ivo Borges: os programas são lidos por um punhado de pessoas e até tivemos, como diz o Miguel Summavielle, um executivo eleito sem apresentar o seu programa.
Pelo que conheço, os Independentes de Fafe são uma mescla de ex-militantes PS (ligados à família Summavielle) e um outro grupo de pessoas sem passado partidário.
Mais difícil será perceber a escolha feita para nº 2 da lista mas isso são opções políticas e que os resultados eleitorais se encarregarão de esclarecer.
Aqui, como se entende, discordo do MS quando diz que as pessoas optaram por "sair da sua zona de conforto".
Estou 100% de acordo quando o mesmo diz que não se sente representado pelas candidaturas "tradicionais". Eu sinto o mesmo mas, como sou dos teimosos, espero pelos programas eleitorais.
Guardo, ainda, o programa dos Independentes por Fafe de 2009 e irei ler este com a mesma atenção.

Anónimo disse...

Sr. Dr. Miguel Summaavielle
Depois de ler o seu texto, verifiquei diversos erros, os quais me permita corrigir:
"Só posso falar do que conheço, por isso, digo-lhe que os “Independentes por Fafe” são constituídos por pessoas (de várias)"sem" ideologias, com ou sem passado de militância política activa.
São pessoas que (não se sentem)nunca se sentiram representadas pelos candidatos que os partidos políticos escolheram para além deles prórpios e que estão convencidas que apenas (participando)tomando conta do poder podem (mudar as coisas com que não concordam) fazer as coisas com a sua à unica maneira que é a sua e apenas a sua.
Optaram por sair da sua zona de (conforto)desconforto e (participar, activamente, na definição dos seus destinos) moldar o destino apenas em função do seu umbigo numa tentativa de vingança. Na minha (modesta) opinião, isso é o exercício do mais fundamental princípio (de cidadania) da vingança servida fria.
Se há pessoas com passado de militância política. Claro! Se são pessoas zangadas com os partidos."ora aqui sim! falamos verdade!) Eu prefiro dizer que são pessoas (desiludidas) ressabiadas com os partidos políticos. Deixe-me dar o meu próprio testemunho:
-isto de testemunhos está o mundo cheio, mas mais uma vez o sr. Dr. mostra a sua indignação por quem não lhe faz a vontade. Parece um menino mimado.-
(...)
Acho, isso sim, que já não se revêm nas pessoas que os lideram ou não concordam, de todo, com os seus programas. Por isso, optaram por "livremente" escolher um novo caminho.
Não reclamo superioridade ideológica ou moral para os Movimentos Independentes, mas também não aceito que nos considerem o resultado de zangas ou estados de espírito. - aqui ja parece um discurso ditatorial...muito bem "superioridade ideologica"


cumprimentos

Anónimo disse...

?

Miguel Summavielle disse...

Caro anónimo das 10.45,
Quando disse que tinha verificado diversos erros no meu texto, assustei-me, porque pensei que eram de ortografia.
Afinal são de opinião.
Com esses convivo bem, obrigado.

António Daniel disse...

Miguel, quando escrevi o texto não estava sequer a pensar em si, mas noutras personagens que vêm agora dizer que há um esgotamento dos partidos quando levaram toda a sua vida dentro dos mesmos. Há ressabiados, claro que há! Para mim, ser independente, se é que realmente isso existe, é ser toda a vida. Muitas pessoas que estão na lista sempre protagonizaram posições comprometidas com os partidos aos quais pertenciam. Isso não é ser independente. Mas, claro que as pessoas têm todo o direito de mudar.