25 maio 2010

O "Parque" da Cidade

Já abordei aqui neste Blog importantes obras realizadas no nosso concelho que permitiram colmatar lacunas e que vieram melhorar a qualidade de vida dos fafenses. Obras contemporâneas e, sobretudo funcionais, como a Biblioteca Municipal ou o Cine Teatro, por exemplo. Obras que mereceram elogios da nossa comunidade e que tiveram grande destaque em revistas da especialidade. Obras em que o dinheiro dos nossos impostos foi bem gasto!
Não é o caso, certamente, do Parque da Cidade.
Na minha opinião, é o pior investimento dos executivos liderados por José Ribeiro.
O Parque da Cidade transformou-se num local sem brio, um amontoado de muros mesmo no centro da cidade que nada representam e que configuram a este espaço um aspecto nada digno. Pese embora algumas operações cosméticas, o Parque da Cidade é um erro estratégico que deveria ser assumido com total clareza. Um projecto inacabado, certamente, mas é um projecto que, como afirmou já o Presidente da Câmara, precisa de ser repensado.
Quando imagino um Parque da Cidade e, socorrendo-me dos exemplos que temos pelo nosso país, imagino um espaço verde, com muita natureza envolvente, um espaço que convida a passeios, a caminhadas, à prática desportiva ao ar livre. Por essa razão, aquilo que temos ali mesmo no centro da cidade não é um Parque.
É, talvez, um conjunto de obras como o Multiusos ou a Escola de Trânsito mas nunca um Parque.
Existem erros grosseiros naquele espaço. Os muros, a circulação automóvel, a ausência de espaços desportivos e radicais são disso exemplo.
Numa cidade que não abundam estes espaços, a criação destas obras naquele local iriam permitir a criação de uma nova centralidade, e o afluxo de jovens e menos jovens, "repovoando" o espaço, dando-lhe vida e dinamismo. Se pensarmos bem, quantos recintos gratuitos ao ar livre existem na nossa cidade em que seja possível a prática de futebol de rua, basquetebol, ténis, atletismo, desportos radicais, entre outros?!...
E, penso que não são obras assim tão dispendiosas comparativamente a um espaço em que foram gastos milhões e que ficou aquém dos anseios da população. Porque não lançar as obras mais importantes previstas para aquele espaço na zona onde será construído o novo Hospital, a nova Secundária e o novo Parque Municipal dos Desportos e deixar o Parque entregue aos cidadãos numa renovada e central zona verde e desportiva?!
Lanço apenas algumas sugestões neste "post" para os leitores darem a sua opinião porque, no fundo, o que mais me inquieta é que aquele espaço está assim inactivo à imensos anos e, desta vez, contrariamente ao Royal Center, a culpa não é dos tribunais, mas dos erros da nossa autarquia. E, embora hajam prioridades mais relevantes no nosso concelho para resolver, aquele espaço em nada dignifica a "Sala de Visitas do Minho".

Pedro Fernandes

P.S. - É lamentável que um Blog com esta qualidade, crítico mas construtivo, isento, plural e sem conotações políticas, em que os artigos de opinião são vistos e comentados por altos responsáveis do nosso concelho não tenha até este momento, no longo historial deste espaço, uma menção qualquer nos nossos jornais locais, ao contrário de outros.

14 comentários:

Miguel Summavielle disse...

Este espaço foi integralmente traçado antes de 1997, mantendo-se fiel ao projecto inicial (exceptua-se a inclusão da Escola de Trânsito).
O estudo prévio serviu de base à negociação dos terrenos e foi a origem para a realização da obra entretanto efectuada.
Aqui começam os problemas. Como se pode realizar obra sem ter uma análise crítica ao projecto. Mesmo com arquitectos de qualidade (José Carlos Portugal e Carlos Prata) é necessário "mergulhar" no projecto, perceber o conceito, apreender as nuances. Só assim poderemos saber se o projecto responde aos objectivos traçados para a obra.
Não houve (não há!!!) capacidade crítica. Aceitou-se o proposto como sendo óbvio. O resultado está à vista.
No Jardim Central, temos um "Pátio dos Chapins" para apreciarmos a nidificação das aves - será que o Arq. Portugal alguma vez percebeu que em Fafe ainda há aves silvestres?; temos uma "Concha da Conversa" em que não se pode falar...; temos equipamentos de diversão para crianças que colocam a sua integridade em risco; temos muros de betão onde apenas deveria haver "verde". Como se tudo isto não fosse suficiente, ainda a Câmara foi comprar os terrenos do Ruival, depois de ter gasto umas centenas de milhar de euros a fazer muros de betão para não ter que os adquirir. Enfim...
O Multiusos é outro exemplo de incapacidade crítica. O Arq. Carlos Prata fez uma obra enquadrada, marcante e imponente. Mas não tem ar condicionado; os balneários são exíguos; não tem condições acústicas para grandes espectáculos; não tem condições logísticas para grandes eventos. €6.000.000,00 gastos e que, como se os erros não fossem suficientes, não são sequer rentabilizados com um programa de eventos minimamente aceitável.
Agora quer o Sr. Presidente fazer mais obra nesta urbanização desportiva a que chamam "Parque da Cidade". Através de Parcerias Público-Privadas (PPP) quer fazer lagos, uma piscina, um campo de futebol e campos de ténis.
Quando tudo estiver concluído, haverá algum centímetro quadrado de verde? Daquele verde que possa ser utilizado para passear? Não me parece.
Mais ainda, nesta altura fazer PPP será hipotecar o futuro do Concelho. Investir os nossos escassos recursos em obra que não se paga a ela própria, numa fase em que o preço do dinheiro está tão elevado, só pode ser um indício de loucura.
Contínuo a defender (como já fiz num artigo que escrevi para o Correio de Fafe) que deveríamos pensar em criar um novo Parque da Cidade, utilizando os terrenos ao longo do curso de água, desde Pardelhas até ao Intermarché.
Quanto ao actual “Parque da Cidade”, julgo que só poderá readquirir algum interesse, se o Município procurar adquirir os terrenos envolventes ao Monte de Sto. Ovídeo e a zona desde o Bairro de S. José até ao Rio. Claro que são terrenos RAN e REN, logo adquiríveis a preços baixos. Talvez por isso não tenham interesse…

fernando disse...

"Na minha opinião, é o pior investimento dos executivos liderados por José Ribeiro."
Pedro Fernandes
nao posso concordar.....

Vou referir alguns exemplos que provam a incapacidade deste executivo, bem como de outros anteriores.

Elevador Jardim do Calvario (para mim a obra mais vergonhosa da cidade de Fafe ) nao vejo utilidade nenhuma, parece me uma obra com um investimento desajustado face ao retorno esperado.

Parque da cidade desprepositado, fora de contexto, descaracterizado etc.
concordo plenamente.

Multiusos mal elaborado, taxa ocupaçao reduzida face ao investimento realizado, falta de uma concepçao a pensar no futuro (concertos /exposiçoes).

Transportes Urbanos - falta de adaptabilidade, uma estrategia ecologica como vemos em portimao (autocarros ecologicos), transportes com dimensoes desajustadas a cidade. É inadmissivel que os transportes urbanos nao consigam efectuar as manobras na maior parte das ruas de Fafe.

Falta de uma estratégia jovem, por parte do executivo, nao basta fazer festas no mercado e na factory em periodo eleitoral, nao basta fazer um festival sem nexo em periodo eleitoral que nao teve adesao que se esperava(green).
Com isto quero dizer que seria necessaria a realizaçao de espectaculos no multiusos (concertos), no teatro-cinema (concertos para jovens) o que tambem nao tem acontecido ja referi alguns exemplos aqui.

Royal CEnter penso que existe em parte pela demora por parte do executivo em resolver este problema que da uma cara suja da nossa cidade, o predio cresceu a 2 metros da camara foi visto o crescimento atitude teria que ser tomada logo de imediato.

Por fim queria deixar como ja referi duas ideias que penso que poderiam ser uteis a nossa cidade.
Hortas ecologicas (no parque da cidade por exemplo) a crise aperta e seria uma forma das familias pouparem um pouco.

Encobadora de empresas (criaçao de emprego) numa altura que é moda falar em desemprego poderiamos contrariar um pouco as estatisticas.

Avental de Prata disse...

Por falar em "parque" e por falar no gabinete de arquitectura de Carlos Prata...

http://5dias.net/2010/01/18/ajustes-directos-da-parque-escolar/

António Daniel disse...

Quanto a este parque em particular, parece-me que ainda é possível fazer alguma coisa. Para isso seria imprescindível que se pensasse simples. Por vezes, megalomanias tornam os projectos ridículos. Aí sigo a opinião dos outros comentadores ao referirem a necessidade de incrementar espaços verdes. Eu, pessoalmente, não desgosto do arranjo do parque, possui áreas interessante. Não enveredo por críticas já que, sempre que posso, vou lá. Contudo, embora seja um local aprazível, seria conveniente reequipar alguns aparelhos para as crianças e desencadear uma maior vigilância. Mas o mais importante seria seguir a teoria dos «vidros partidos» do Giuliani, não deixando que proliferasse qualquer acto de vandalismo, por mais pequeno que fosse. Um vidro partido desencadeia um processo de destruição, uma pequena inscrição do tipo «amo-te» determina dezenas de inscrições. Portanto, primeiramente deve-se procurar manter, o que não é feito. A isto chama-se leviandade.
Quanto a obras, bom, o problema não é de agora. Veja-se a piscina (com portas interiores de madeira...), veja-se o pavilhão que nasceu torto ainda nos inícios da década de oitenta. As razões para tal, não descortino. Mas nunca mais me esqueci de uma acesa discussão durante uma campanha eleitoral sobre o projecto da Avenida do Brasil. Dizia o opositor ao então autarca que não compreendia como se projectavam prédios naquela Avenida com as janelas da casa de banho estarem de frente para essa nova zona. A resposta do autarca, utilizando um argumento de autoridade foi: «não discuto decisões dos arquitectos.» Afinal nada muda.

Nabais disse...

Não consigo compreender como é que pessoas que têm e já tiveram responsabilidades políticas na autarquia de Fafe vêm agora criticar projectos que estão mal idealizados a nível arquitectonico, esquecendo-se do mal que fizeram os seus pares no nosso centro de Fafe com a arquitectura brasileira.
O mandato do Dr Ribeiro é semelhante ao do Dr Summavielle. Nem vale a pena entrar em grandes pormenores técnicos. A escola de um é a escola de outro.
Poder-se-ia, um dia, fazer um levantamento dos principais proprietários de prédios no centro de Fafe e talvez aí se descubrissem algumas coisas interessantes e da "associação de interesses" entre autarquia, empreiteiros e arquitectos... e já agora, as familias com manias de burgueses em Fafe...

Anónimo disse...

Então o Summavielle é igual ao Ribeiro?
Pois se assim acham, Fafe tem o que mertece:foguetes e música na avenida.
E já agora, o sr que não é burguês tem algum complexo por não o ser? Eu não.
O Dr Parcídio tem muito mais valor por ser de familias ricas e ter sempre lutado pelos mais desfavorecidos.
Ele é do tempo em que não se fazia fortuna com a política.Será que o senhor sabe o que isso é??

Anónimo disse...

A alternativa em Fafe não passa por quem quer o poder pelo poder mas sim por quem foi sempre contra os mandatos ribeiristas e summavielistas...
Passa pela força de um bom candidato do psd que ouse romper com o passado socialista de Fafe

Miguel Summavielle disse...

Caro António Daniel,
Parece-me que concorda comigo, ou seja, falta capacidade crítica sobre os projectos.
Se havia capacidade critica no tempo no executivo liderado pelo meu pai? Claro que também não.
Mas não acha que os tempos eram diferentes?
Não acha que então as preocupações eram, naturalmente, outras?
As preocupações estavam mais centradas em fornecer água às populações, abrir caminhos de acesso, organizar os serviços, construir escolas para uma população estudantil crescente, etc...
O município não possuia o corpo técnico actual, nem tinha os meios de financiamento que estão, agora, à sua disposição.
Não estou a desculpar erros, e muitos foram cometidos, estou só a colocar as coisas na devida perspectiva!
Pensei que resultava claro no meu texto que não critico por criticar. Sou, como o António Daniel, um frequentador habitual do espaço. Por isso é que me sinto na obrigação de comentar.

Miguel Summavielle disse...

Ao anónimo "Nabais",
Não tenho, nem nunca tive, responsabilidades executivas no Município. Sou apenas membro eleito da Assembleia Municipal.
De qualquer forma, deixe-me dizer-lhe que concordo com o comentário sobre a destruição do património arquitectónico de Fafe. O que mais me preocupa é que persiste. Mesmo agora que todos estamos despertos para o facto!
Quanto às manias "burguesas", gostava que elaborasse melhor para poder perceber o que pretende alcançar com a referência.
Quanto ao resto, se tem algo a relatar, força, avance sem medo, que foi para isso que se fez o 25 de Abril. Claro que haverá sempre direito ao contraditório...

Miguel Summavielle disse...

No primeiro comentário que efectuei, escrevi indevidamente Sto. Ovídio. Agradeço que considerem a correcção.
Resta-me agradecer a chamada de atenção que um leitor atento me efectuou. Muito obrigado.

Nabais disse...

Caro Miguel,
Ainda bem que concorda que a destruição do património fafense teve dois responsáveis máximos:
O Dr Ribeiro e o Dr Parcídio, seu pai.
São tempos diferentes mas isso não pode ser justificação. Ambos fizeram coisas boas. Ambos fizeram coisas más.
A diferença entre eles não é muito visível.
Quanto ao resto, comento apenas aquilo que ouço na praça publica. Terrenos, apartamentos, sedes de partidos, casas que são propriedade de políticos e ex politicosd e que foram obtidas através de informação priveligiada, de benefícios a empreiteiros, de trocas e favores e de mudanças de reservas ecológicas para terrenos para construção.
nem vale a pena enumerar casos porque há quem saiba mais do que eu e corro o risco de dizer meias verdades. tenho pena que muita gente não escreva aqui para se esclarecer mais coisas.
Admiro a sua capacidade crítica e a sua exposição neste blog. Coisa que muitos deveriam fazer, sem medo, como você e como eu.
A unica diferença é que eu sou apenas um cidadão crítico e você tem mais responsabilidades que eu nos destinos de Fafe.
mas continue. neste espaço discutimos fafe para memória futura

António Daniel disse...

Caro Miguel, quando apresentei o exemplo do debate político não pretendia designar esta ou aquela pessoa. Aliás, não pretendi fazer qualquer contraditório. Da mesma forma, não tive a intenção de o contradizer através do exemplo do seu pai. Aliás, considero injusto estar sempre a designar a pessoa do seu pai para refutar ou apoiar ideias do Miguel ou do seu irmão, injusto e pouco correcto. Mas repare que dei também o exemplo do pavilhão Municipal que, penso, ainda vem do tempo do Drº Guimarães (se não estiver a ser exacto, peço desculpa). Cumprimentos

Anónimo disse...

Apetece me apenas referir que O Mestre o Ribeiro foi o Summavielle.
Se a escola é má a apenas um culpado !!!!!!!!!

Anónimo disse...

apenas e só merece um simples comentarios
" venho o diabo e escolha um"