23 julho 2011

O Intelectual e o Político

Daniel Bastos, de quem sou «amigo» numa rede social, publicou no seu mural a referência a uma entrevista concedida ao Povo de Fafe. Não conheço pessoalmente Daniel Bastos, como começo a desconhecer muitas das personalidades que vão promovendo Fafe, mas reconheço-lhe dinamismo suficiente para o considerar o futuro vereador da Cultura, caso, obviamente, o PS continue a ser hegemónico em Fafe. Esta entrevista demarca muito bem o modus operandi intelectual do político. Se no plano intelectual Daniel Bastos acrescenta o rigor da análise das fontes à objectividade histórica, no plano político já não será bem assim.
Nesta entrevista esconde-se o político. Com um discurso «redondo», parece lá tudo caber. Quando afirma que é do PS por defender «uma ética republicana, inspiradora de valores solidários fraternais» aplica uma fórmula muito comum nos políticos: dizer tudo para nada dizer. Um elemento PSD pode muito bem defender tal máxima, assim como o mais ortodoxo do Comité Central. Aliás, sabemos que na primeira República pouca ou nenhuma foi a execução destes ideários. É certo que os podemos encontrar desde a Geração de 70, mas também é evidente que tudo isso não passou disso mesmo. A certa altura Daniel Bastos afirma que a Juventude Socialista é uma escola de cidadania. Ora, há que esclarecer muito bem este conceito. Pelos seus estudos pós-graduados em filosofia é importante que antes de aplicar um conceito o saiba caracterizar muito bem. Creio mesmo que a forma produtiva de pastorícia predominante nos partidos políticos é um exemplo de má cidadania. Na Pólis a Ágora é um espaço que exige um desprendimento e distanciamento face ao poder, onde os ideais racionais, e não propriamente dito republicanos, devem imperar. Não é o que faz Bastos. Numa pergunta feita pelo autor da entrevista (que parece ser Dr. tal como Daniel Bastos o é) sobre o defunto governo, responde de uma forma redonda, não demonstrando qualquer distanciamento crítico e mostrando como é que os jotas devem responder a uma pergunta: procurando uma forma de nos sentirmos surpreendidos com aquilo que já estávamos à espera. Efectivamente, a resposta dada poderia ser fornecida por qualquer pessoa do aparelho, pelo menos por aqueles que frequentam as tais escolas de cidadania.
Termina a entrevista, depois de inúmeros Drs, dizendo que apoia Seguro. Curiosamente Seguro sempre foi um crítico de Sócrates, pelo menos por detrás das cortinas de Ferro. Temos aqui um potencial vereador.

António Daniel

17 comentários:

Luís Peixoto disse...

Não comentando o texto em si mas sim a pessoa em causa parece-me um Sr. que ainda vai dar muito que falar em Fafe. Força Daniel pelo teu dinamismo.
Abraço :)

Anónimo disse...

é mais um tacho....

Anónimo disse...

O Dr. Daniel ainda tem à sua frente o Dr. Pompeu. Ás vezes quem tudo quer, tudo perde.

Camarada disse...

Daniel, o historiador, tem um grande potencial. Penso ser a sua mais valia para Fafe. A comprová-lo estão os estudos já lançados no âmbito da história local.
Como político, fez o seu trajecto através da JS, tendo sabido subir e manter o lugar de uma forma inteligente. Mantém-se na sombra, como sempre se manteve, mesmo quando os principais responsaveis da JS eram outros.
É um homem que agrada à estrutura socialista de Fafe e daí ter chegado a adjunto do vereador da cultura. Optou por desencadear muito da sua acção nas acções sociais. Trouxe um novo dinamismo à estrutura e aumentou o numero de filiados.
No entanto, como homem de aparelho que é, nunca levanta questões incómodas ao PS local. Pouco se ouviu o mesmo em relação a acções que os jovens reclamam hà muito tempo.
Daniel tem inequivocamente, muitos valores mas falta-lhe ser mais irreverente e mais activo politicamente. Talvez o seja agora que o governo é PSD.
Com o PS em Fafe Daniel será, mais cedo ou mais tarde, vereador. Oxalá tenha sucesso mas o perfil dele adequa-se mais a uma posição em Fafe semelhante à do Dr Coimbra.

António Daniel disse...

Camarada, resumiu muito bem toda a história. Como referi no post, não conheço Daniel Bastos. Por isso, tenho o distanciamento como algo que legitima o que escrevi. Obviamente que não me interessa se Daniel Bastos é boa pessoa ou não, mas interessa-me a sua participação pública, como me interessa a participação pública de qualquer pessoa. Também não coloco em questão o seu valor como historiador, principalmente porque ainda não li nada seu. O que me causa urticária é o tal discurso redondo destes jotas. Todas as pessoas têm legítimas ambições em virtude das suas qualidades. Mas nunca devemos colocar em causa a essência da democracia: a consciência da falibilidade humana. Qualquer discurso que não promova a discussão, a troca de ideias, a humildade democrática, soa a fundamentalismo.

António Daniel disse...

Outro aspecto é a entrevista em si. Não tenho nada contra o trato elegante, mas não exageremos. Só num provincianismo claro, em que as pessoas se temem e se medem, promove as ditas distâncias. Ao se tratarem mutuamente por «DR» os dois intervenientes condicionam a entrevista. Foi uma forma de dizerem um ao outro: «cuidado que a minha fronteira é esta».

Rui Silva disse...

Um discurso "redondo" na entrevista dada ao correio de Fafe. Pouco se fala nas acções e expectativas dos jovens, nos projectos do conselho municipal da juventude, nos projectos da JS, ou daquelas 100 ideias...
Um discurso "redondo" interessa a todos, especialmente à autarquia.
Os politicamentes correctos estão condenados no actual sistema. Vindo de um jota ainda pior. Irreverencia? Frontalidade? Onde?... Só perde assim o "Dr"...
Como o "Dr" Daniel colabora neste blog apesar de não escrever para aqui hà muito (será que foi condicionado pela estrutura?!) e muito provavelmente o lê, eu gostaria de deixar aqui umas pergunta que não foram feitas pelo fraco entrevistador:
- O que a JS tem feito para a criação da casa da juventude ou a abertura e dinamização de mais actividades e espaços de lazer?
- A JS interage politicamente com outras forças politicas para a realização de projectos comuns? De que forma e com que resultados?
- Como ex-professor e como presidente da JS Fafe, que analise faz dos ultimos anos das politicas educativas?
- Qual é exactamente a sua função na actual estrutura camarária?
Despeço-me com estas perguntas. Infelizmente não as vi respondidas, tal como muitas outras. Farto-me destes discursos sem substancia.
Parabéns ao Daniel Bastos historiador. Li algumas partes do seu livro e merece os meus parabéns! Como disseram anteriormente, é a sua mais valia.
Como político, tem muito que provar. Falta-lhe a coragem. Mas... em Fafe também não é preciso muito para se chegar ao topo. Basta rodera-se das pessoas correctas. E, nesse aspecto, o "Dr" Daniel é astuto.

António Daniel disse...

Boa, Rui.

Anónimo disse...

Compreende-se a atitude e as acções do Daniel Bastos. Sendo mais um boy dentro do PS só tem a beneficiar com esta política. Afinal ele é funcionário do município e se não fosse isso, talvez estivesse no desemprego ou colocado numa escola qualquer deste país, como muitos outros professores e com grande instabilidade profissional.
Esta atitude é o melhor para ele!!
Tenho pena que as juventudes partidárias (todas elas) e seus dirigentes sejam moles, coniventes com muita coisa que de mau se faz na politica.

Anónimo disse...

Mais um ordenado que pagamos para nada fazer ou agora já pagam aos funcionários da Câmara para escreverem livros em vez de trabalhar? O ditado é antigo: não custa viver, custa é saber viver.

Anónimo disse...

Permita-me que o corrija: Daniel, o pseudo-intelectual e o pseudo-político!

António Daniel disse...

Também não concordo totalmente com os últimos intervenientes. Daniel Bastos é um homem com qualidades, como certamente existem mais em Fafe, e escrever livros é uma actividade muito difícil e que, no caso vertente, contribui de maneira significativa para Fafe. Não vamos por aí.

Luis disse...

o DOUTOR Daniel Bastos tem mais perfil de dirigente do CDS do que de um dirigente de esquerda.O DOUTOR Daniel é um conservador nas suas acções.

António Daniel disse...

Hum... Interessante.

Luis disse...

Em Fafe lembro-me de três dirigentes da JS. A Isabel, o Joao Vieira Mendes e agora o Daniel Bastos.
Todos eles tiveram uma coisa em comum. São "carneiros" dentro da estrutura socialista.
Da Isabel apenas destaco que estava na JS numa fase em que as politicas da juventude eram bastante criticadas pela população fafense e ela nada fez para mudar esse paradigma.
Foi apenas com o Daniel que a estrutura socialista teve outro dinamismo e por isso se tem mantido a frente da juventude. Fiel ao actual executivo parece-me incapaz de grandes rasgos porque não tem coragem politica e revela pouca abertura. Tem uma "virtude": Sabe controlar bem os seus adversários e os críticos.
João V. Mendes outro homem na sombra espreita uma oportunidade para cimentar mais a sua posição no PS. Joga nos dois lados do tabuleiro... e é capaz de jogadas políticas traiçoeiras sem fazer muito alarido.
Seria também interessante abordar aqui os lideres da JSD...

Rui Freitas disse...

Tudo dito... são o puro exemplo da politica socialista do "carneirismo".
Contudo sem nada obstar ao mérito Académico do individuo em questão!!!

Anónimo disse...

Boa tarde.


Daniel Bastos é uma pessoa que admiro muito pela sua simplicidade, facilidade de comunicação e acima de tudo pela HUMILDADE.

É um político diferente de todos os outros não tem a mania que é político, tentem falar com ele e facilmente perceberão isto.

Entrei em contacto com ele para me enviar uns documentos para o estrangeiro sobre a cidade de Fafe, facilmente acedeu ao meu pedido, preocupado com a documentação etc.

Tem como todos os outros defeitos que quanto a mim já devia ter abdicado do lugar de presidente da JS, pois parece me inadmissivel que um presidente da JS seja ao mesmo tempo funcionario da Câmara.

Quanto ao resto é um politico acima da média em Fafe.

Continua com este excelente trabalho.