04 agosto 2010

Pensando Bem...


Mais vezes que o possa parecer, tenho o hábito de utilizar o que de mais elementar nos distingue como seres humanos: a cabeça. Fi-lo, a respeito da “Gente da Minha Terra”. Parei para reflectir acerca de Fafe dos últimos tempos.
Então? Correu e corre toda a imprensa nacional a grandiosa notícia de que o reverendo Pároco de Santa Eulália de Fafe está em senda de retirada (por vontade doutrem) e os paroquianos em rota de colisão com o bispo que tal ordenou.
Nada me pode entristecer mais! (de momento note-se, porque a capacidade de me surpreender não se esgota nesta terra). Não pela saída do Padre em si. Mais padre menos padre, tanto me dá. Apesar de ter em abundante consideração o abade em questão, choca-me que a população da terra que considero minha, apenas se junte para tentar impedir a saída de um padre.
Fico incrédulo com uma notícia que sugere que foram recolhidas 6700 assinaturas pela não saída de um Padre desta cidade. Utilizando matemática similar: uma petição com este número de assinaturas, teria sido suficiente para levar a plenário da Assembleia da República assuntos como o do Serviço de Urgência de Fafe, que teria dado outra imagem que não a de uma fiel aceitação de tal medida encapotada por todos os quadrantes políticos ao abrigo saiba-se lá bem do quê. Não consigo deixar de que um assunto deste género e este tipo de incongruência me cause um enorme prurido. Avivo na minha memória o fim do comboio, da PT e EDP, a alteração do Serviço de Urgência, a construção da via rápida Fafe-Guimarães com apenas uma faixa de rodagem para cada sentido, fecho da maternidade, fecho da esquadra da polícia,entre outras afins. Porém, o padre é mais importante…
A ilação que retiro é que Fafe se contenta com piores serviços de saúde, piores serviços públicos, falta de assistência pública, em geral. Sossega-me que quando as pessoas estiverem para ser assaltadas ou gravemente doentes, neste concelho, terão a bondade de se dirigir a uma qualquer igreja, já que – aparentemente – funciona algo do género Loja do Cidadão, em que tudo se resolve. Fafenses com problemas, desde falhas na electricidade, filhos para nascer, tumores para tratar, contas para pagar ou com desavenças com os vizinhos, querem dirigir-se à paróquia da respectiva freguesia, ao que parece.
Reconheço que o Senhor Padre é uma figura de referência na freguesia, e não só. Empertiga-me, revolta-me a incoerência dos mesmos “crentes” (pelo menos nos dias de festa) que agora vistos na “manif”, há meia dúzia de anos, enxovalhavam, ainda que em cochicho – assumir em público é transgressão eclesiástica -, o mesmo Padre de mercenário, e outros nomes afins nada abonatórios. O sinal de construção de uma nova igreja numa época de deflação do número de praticantes (e ainda mais da economia nacional), acompanhada de um panfleto que percorreu todas as caixas de correio com uma frase do género “exijo às famílias 200euros” (não literal, mas em sinonímia) não foi de bom-tom, nem pacífico. Também, se esquecem situações como a de um tal inquérito, que interpreto como uma vontade ávida da igreja fafense se juntar à Direcção Geral de Impostos ou ao Instituto Nacional de Estatística, de tal profundidade económica era a informação requerida. Contudo, agora já tudo passou e os mesmos são todos muito amigos. Esta situação está-se – para mim – a assemelhar a uma daquelas típicas do festival da morte, em que após esta somos todos boas pessoas. Nesta situação, ninguém faleceu, pelo que a congruência opinativa se deveria manter. É injustificável que muitos dos críticos e não praticantes do “culto” se revejam em manifestações e demais formas de apoio quando, há não muito tempo, acusavam “disto e daquilo”. Situação que de tão hilariante só pode dar para rir.
Em suma, trata-se de uma questão de inversão de prioridades nestas gentes – e, bem pior, de falta de lógica e coerência - que não percebo, mas também reconheço que não me vou esforçar para perceber….
Urge utilizar o que de mais santo deus nos deu. O desuso crónico dos neurónios – este sim – um pecado.

João Coimbra

Ps: Não sou entendido de igrejas nem afins, mas ainda julgava que o culto da adoração da Igreja Católica era a Deus e não a um mortal, mas isto são contas de um rosário que não é o meu.

9 comentários:

Fernando Silva disse...

Boa Tarde

fiquei fã deste senhor o meu muito obrigado por este texto.
De facto Fafe quer se manter no atraso, é constante ver a falta de opiniao para todos os assuntos importantes e ver o empenho para estes assuntos ridiculos.

Ha coisas que nao entendo.

Muito Obrigado

Alex disse...

E se tivessem dito à população, como dizem em relação ao fecho de escolas e hospitais..., que a saída do padre era muito importante para a igreja, que não havia outra possibilidade, que a culpa é da crise internacional, que sai este padre mas o que vem é tão bom ou melhor, que as finanças estão em baixo e que por isso ele tinha mesmo de sair, e que estamos com sorte por vir outro e não ficarmos sem nenhum, que não é bem uma saída... é uma remodelação (eles não andam a fechar escolas, andam a remodelar o parque escolar...), que a saída do padre irá permitir uma poupança de não sei quantos milhares por ano, que nas outras terras também estão a fazer remodelações, que isso é para modernizar a igreja... coisas deste género...

Teriam estado mais pessoas nas manifestações ou menos?



Por isso não concordo quando diz que para a população "o padre é mais importante…".

O que eu acho é que em relação ao resto, as pessoas se acomodaram porque lhes disseram que não havia alternativa...

C. A. disse...

Concordo plenamente com este post “Pensando Bem..." e de facto fico incrédula, como é possível as pessoas de Fafe aderirem a esta “situação” como se fosse uma “situação de vida ou morte”. Mais incrédula permaneci, quando constatei, que esta situação não partiu apenas de pessoas com, digamos uma idade avançada, (o que aí, ainda entendia um pouco essa “revolução”) mas também de alguns jovens com alguma formação.
Existe e existiu sem dúvida causas importantíssimas por “lutar” em Fafe e esta, na minha opinião, não foi a mais nobre.

Atenciosamente:
C.A.

Anónimo disse...

Um verdadeiro crente quando vai à casa de Deus é indifernte o sacerdote que preside à celebração, só conta a pessoa e Deus
Essa gente que andou envolvida nestas mnifestações è falsa um nivel cultural muito baixo. Nem tiveram rspeito pela Igreja nem pela nossa terra,que andou falada por todo lado por motivos nada nobres.
Fazes bem, jovem denunciar e esclarecer. É a vossa geração que vai ter que dar a volta nisto. Falta-nos a revoluçao das mentalidades.

Anónimo disse...

4 de Agosto, dia do Padre

São João Maria Vianney Patrono dos Padres
São João Maria Vianney, nasceu em Dardilly, povoado francês, ao norte de Lyon, no ano de 1786. Era um rude camponês, sem muitos dotes pessoais que permaneceu escondido por um período, por haver desertado do exército napoleônico em marcha para a Espanha unicamente por não conseguir acertar o passo com seu batalhão. No seminário não conseguia acompanhar seus colegas de estudo pela confusão mental que fazia diante de simples página de filosofia ou de teologia, pelo que seus mestres, desanimados, deixaram até de interrogá-lo. É lástima, disse um ao Vigário Geral, porque é modelo de piedade. “Modelo de piedade exclamou o vigário – Então vou promovê-lo, e a graça de Deus fará o resto”.
Em 1815 recebeu as ordem sagradas, mais sem a autorização para confessar, foi enviado a uma insignificante aldeia, com cerca de 230 paroquianos. Era coadjutor do Padre Balley, a quem atribui-se o mérito de haver percebido naquele bobo “iluminado” os carismas da santidade. Foi então enviado para Ars como vigário capelão ou cura. Ars no planalto de Dombes tinha duzentos e trinta habitantes.
Sua vida era, oração, penitência, caridade, cumprindo assim com zelo seu ministério sacerdotal, permanecendo horas e horas atendendo confissões dos peregrinos que a ele acorriam de toda a parte da França, a fim de pedir orientações. Ars foi transformada assim por aquele que viria a ser o Patrono dos vigários.
São João Maria Vianney morreu no dia 4 de agosto de 1859, aos setenta e três anos. Ars foi transformada em meta de peregrinações antes mesmo do Papa Pio XI no ano de 1925 canonizá-lo.

São João Maria Vianney, rogai por nós!!!

Anónimo disse...

Sou de opinião, que muitos fafenses, não gostaram do tipo de apoio que foi dado ao pároco de Fafe, mas perante uma população enfurecida, as pessoas com bom senso não ousavam sequer levantar a voz. Se até o Bispo era alvo de ameaças, que faria um cidadão comum. Ter consideração e respeito por uma pessoa, não significa estar sempre de acordo em tudo que lhe diga respeito. Nem vou contra os meus princípios para agradar seja a quem for, mesmo que se trate do meu maior amigo.
Não gostei, nem apoiei.
Filomena Magalhães

Anónimo disse...

A verdade é que perdemos as urgência, vamos perder o hospital, diminuíram o horário de atendimento do centro de saúde, ficamos em comboio, sem cinema e onde esteve a população a manifestar-se??????? Onde está o verdadeiro espírito de justiça de fafe da nossa população nestas situações.
Não tenho nada contra o padre lopes , antes pelo contrário, mas tanta polémica à volta de um assunto tão insignificante perante as tantas coisas que nos tiraram, chega a ser ridículo....

Simão Freitas disse...

Não poderia estar mais de acordo. É, sem dúvida, algo que me ultrapassa esta fúria hipócrita dos ditos católicos. Mas é isso que somos... um povo que faz vira para onde lhe dá mais jeito, quando lhe dá mais jeito. Enfim...

Ricardo disse...

Todos os problemas citados no texto são "uma questão de dinheiro"... Se calhar a menos nobre é mesmo a retirada do padre pela hierarquia. Se calhar o ovo de Fafe está de tal maneira alienado d realidade que actua em massa sempre ao contrário...Só mais uma palavra. Interioridade...cada vez mais.