03 janeiro 2014

Marca «Fafe»

Fafe

Começou a esboçar-se nos meios cibernéticos a necessidade de pensar numa marca «Fafe». É difícil, mas também existem muitas possibilidades. Quando se pensa numa marca naturalmente que há todo um processo de incremento e «logística», publicitação e marketing que não domino. Portanto, não vou por aí. Haverá alguém mais competente para o fazer.
Qual o grande problema em Fafe? Desde há muito que aqui vamos apresentando dados que nos remetem para uma posição melindrosa ao nível da educação. Os resultados escolares são consideravelmente baixos. As razões são múltiplas, mas as mais importantes coincidem com uma quase endémica negação do conhecimento por uma franja considerável da população. Poder-me-ão dizer que há excelentes profissionais em várias áreas do saber espalhados pelos quatro cantos do mundo. Pois, mas a grande maioria pertence a uma classe social privilegiada que, antecipadamente, direcionou os seus rebentos para o mundo. Portanto, se muito já se progrediu, também muito há a fazer. Quais as áreas que poderemos apostar e, com isso, promover uma marca «Fafe»?

- Música. É possível conjugar uma marca para Fafe através do que se faz na música ao nível concelhio. As bandas existentes (espero que a de Revelhe resista) sempre promoveram Fafe. Contudo, esta promoção nunca foi devidamente aproveitada e acarinhada pelo poder autárquico. A Academia foi uma grande conquista, mas deve-se alargar a sua ação até zonas mais esquecidas. As bandas também aí têm uma legítima influência. Estaria criada a ideia de uma cidade da música (eu sei, há a casa da música no Porto, so what?). Mas atenção: o que dá sentido à música é a dança e o teatro.

- Arquitetura. Nos últimos anos temos vindo a assistir a um conjunto de iniciativas a propósito da arquitetura dos brasileiros de «torna viagem». Esta marca está a processar-se, é a que está mais desenvolvida. A par de publicações de vária índole, destaque para as Jornadas Culturais. Contudo, destaca-se pela negativa a progressiva destruição de ícones da arquitetura fafense. É certo que estamos todos mais sensibilizados para esta problemática, mas urge levar muito a sério as nuvens negras que despontam no horizonte. É imperioso que a atual Câmara não se deixe afetar pela pseudo-modernidade permitindo a destruição de edifícios com «marca». Devemos aqui ser fundamentalistas, aceitando, contudo, soluções arquitetónicas que ajudem a promover a ideia de «Fafe dos Brasileiros». Será bom olharmos para o futuro com um «testamento». A arquitetura tem um campo de atuação quase infindável. Através dela ensina-se matemática, política, história e, acima de tudo, uma educação estética. As escolas devem entrar neste processo, como já vão entrando, é certo, mas agora de um modo mais objetivo.

-Têxtil. Parece-me começar a surgir novas oportunidades pelos sinais que nos vamos apercebendo: aumento dos custos nos mercados asiáticos e diminuição da qualidade. O têxtil é, por isso, uma «impressão digital» que devemos definitivamente aceitar e acarinhar. Creio que a fase depressiva já foi ultrapassada. O que devemos é banir aquilo que começa a ser comum quando Fafe surge nas notícias: contrafação. Há, porém, aqui algo que pode ser feito. Obviamente que não devemos ocupar o lugar dos empresários e dos operários. Mais do que ninguém, sabem fazer! Mas é possível apontar caminhos, promover marcas próprias, construir mecanismos de promoção e comercialização e desenvolver um programa de ética empresarial. O conhecimento também por aí passa.

Uma coisa é certa, para termos futuro devemos facultar às gerações vindouras um testamento, caso contrário viveremos para sempre no presente como vivemos até há pouco tempo.

António Daniel

9 comentários:

Filipe Fera disse...

Tudo bem crie-se a "cidade da música" mas que não façam como na "cidade das artes" em que os seus principais actores e protagonistas nem são de cá.

Anónimo disse...

Criar uma marca, ou duas, não resolve o problema. Antes das marcas é necessário conteúdo ou produto. Fafe será sempre a cidade do Raly, da tal vitela de Fafe, e têxtil... mas para isso é preciso empresários corajosos. Precisamos de empreendedores que criem empregos e apoiá-los...!

Pedro Sousa disse...

Se concordo com estes princípios apontados totalmente, não posso deixar de concordar com o comentário do Filipe Fera. A mim, o que me parece é que os responsáveis até lêem estes textos, mas depois socorrem-se de especialistas que procuram dar a resposta a todo o custo e sem uma prospeção dos usos e costumes da região e o resultado é: para que serviu a cidade das artes? o que ganharam as gentes das aldeias com isso? Em tempos falamos nestes assuntos e já nessa altura lembrei a necessidade de se criar um projeto (plano de trabalho) com formação do público, sua envolvência e apresentação (isto dá trabalho a pôr em prática, mas traçar o plano é simples e Fafe tem infraestruturas e entidades que podem servir como parceiras), mas a avaliar pela última campanha eleitoral, até para fazer 'os programas' têm de ser pressionados...

Gil Soares disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
Anónimo disse...

Fafe terá sempre o ponto mais forte em termos de marca no Rali e deve ser designada como a "Capital do Rali".Esta é a marca que mais pode dar projeção a Fafe. A imagem que se passa de que a arquitetura dos brasileiros é um estilo arquitetónico é errada! Não é mais que uma arquitetura fundamentada em revivalismos que foram construidas por emigrantes sediados no Brasil, logo não há nada que a diferencie de muitas edificações de outras cidades por esse Portugal fora. A vitela á moda de Fafe pode ser uma marca de Fafe. O "Zé da Menina" ainda hoje é falado fora de Fafe, depois de tantos anos fechado. Na minha modesta opinião só o Rali pode projetar Fafe. Gil Soares

Pedro Sousa disse...

Gil Soares tem muita razão! Fafe dos Brasileiros? Fafe é dos minhotos... das casas de lavrador, dos moinhos, alpendres e dos espigueiros. Estas é que são as nossas raízes. Agora, há construções à moda do Brasil que devem ser preservadas, porque essa é uma realidade histórica... Até a nossa linguagem, já pensaram por que será que se abrem muito as vogais nos 'entas', 'entes'...? Há aqui uma razão linguística que merece ser abordada, mas pronto... as nozes e os dentes não estão do mesmo lado!

«Se cortamos na cultura, lutamos para quê?»
A cultura e a valorização dos fafenses está ao nível da seleção política... quem aparece com ideias não é visto como oportunidade de engrandecimento concelhio mas como uma ameaça. Basta ver a competição que fazem uns e outros nas publicações dos livros. Enfim, é Fafe e a sua mesquinhez... pobrezinhos, muito pobrezinhos!

António Daniel disse...

Gil, a arquitetura dos brasileiros de torna viagem tem elementos característicos, devidamente apontados por vários estudos académicos e, por isso, abstenho-me de os enumerar aqui. O que é certo é que existem outras localidades com casas que tiveram essa origem, mas o importante não é ter, é fazer com o que se tem. Repare, a sopa da pedra é uma sopa normal, não fosse o acto do frade. Isso dá-lhe características próprias. O Porto não produz vinho, mas o vinho chama-se Porto. O Porto tem uma casa da música, quando quase todos eles estão em Lisboa. O Porto ganha com isso? Ganha!

Anónimo disse...

Tambem não gosto "Fafe dos Brasileiros"com todo o respeito
Que Brasileiros?


Ricardo Gonçalves disse...

Não me parece que "Fafe dos Brasileiros" seja a bandeira que os fafenses gostassem de erguer.
É uma realidade que enriquece Fafe mas, de facto, não vejo como factor distintivo.
O rally tanto é de Fafe como de Arganil ou mesmo de Sintra embora este tenha carácter mais popular.
A indústria têxtil tem, de facto, importância vital na passagem da economia rural para a industrial mas como carácter distintivo não me parece que vingue.
A vitela assada, o pão-de-ló, o vinho verde, etc, etc..
Nada nos distingue, bolas!!!!
E se nos tentassemos distinguir por fazer bem aquilo que fazemos? Independentemente, de ser algo característico ou ser algo replicado de outro lado qualquer.
O slogan poderia ser: "Fafe faz bem"
Muito melhor do que "Sala de visitas do Minho" ou "Amor de cidade", não?