06 novembro 2007

Fafe e Camilo Castelo Branco


Camilo Castelo Branco, aqui na foto com Ana e Manuel Plácido esteve, desde muito novo, ligado à nossa terra através do seu amigo e confidente José Cardoso Vieira de Castro, proprietário da Casa do Ermo em Paços, onde viria a esconder Camilo aquando da sua fuga à justiça por adultério em 1860, crime punido com degredo temporário na época. Pelo nosso concelho também passeou durante uns tempos, tendo escrito algumas linhas que vimos depois publicadas nas "Novelas do Minho" do próprio autor. Esta amizade e cumplicidade que, tanto Camilo, como José Vieira de Castro mantiveram suscitou algumas obras de um e de outro enaltecendo as qualidades do amigo e em alguns volumes de correspondência que, mais tarde, foram publicadas.
Como homenagem a Fafe, Camilo escreveu o romance Mistérios de Fafe (1868), bem como duas peças de teatro: "O Morgado de Fafe em Lisboa" (1861) e "O Morgado de Fafe amoroso" (1865).
Ainda recentemente, 11 municípios portugueses constituiram a Associação das Terras Camilianas, por escritura pública, na Câmara de Famalicão e segundo o presidente da referida Câmara, a Associação das Terras Camilianas (ATC), tem como objectivo "contribuir para um melhor aproveitamento e tratamento do património literário e arquitectónico ligado a Camilo Castelo Branco". A ATC vai envolver, numa fase inicial, os municípios de Coimbra, Fafe, Póvoa de Lanhoso, Póvoa de Varzim, Ribeira de Pena, Viana do Castelo, Vila do Conde, Vila Nova de Gaia, Vila Real, Viseu e Vila Nova de Famalicão, sendo este o promotor da iniciativa. Na opinião do autarca, "Camilo é hoje a figura central da política cultural da Câmara de Famalicão, mas sobra ainda muito espaço para que as autarquias com ligações directas ou indirectas à vida do escritor também se considerem Terras Camilianas porque Camilo é património da Língua Portuguesa". O director da Casa-Museu de Camilo, em Ceide, Aníbal Pinto de Castro, considera que a Associação "cria condições para uma melhor preservação e aproveitamento do património bibliográfico, documental, iconográfico e arquitectónico camilianos de todos os municípios aderentes".

2 comentários:

Antonio Daniel disse...

A estadia de Camilo em Fafe ficou-se a dever ao seu amigo de então Vieira de Castro. Para conhecer um pouco desta história e a vida de Vieira de Castro, leiam de Vasco Pulido Valente, Glória, editado na Gótica. É um excelente livro de história e um, porque não dizê-lo, romance. Além de muitos pontos interessantes realce para o conhecimento do autor sobre a realidade fafense em geral e a de Vasco em particular, com as devidas anotações sobre Camilo, e a vida coimbrã da altura. Leitura obrigatória. Só há uma coisa que me intriga: porque razão Vasco Pulido Valente se interessou por esta personagem?

António Daniel disse...

onde se lê «...sobre a realidade fafense em geral e a de Vasco...», deve ler-se «...sobre a realidade fafense em geral e a de Vieira de Castro...». Peço desculpa pelo lapso!