30 novembro 2010

O Inverno Chegou !!

Fotografia: JN (Edição Online), 29/11/2010
Carlos Rui Abreu

27 novembro 2010

Ainda a Casa do Penedo...

Esta casa que fica situada no nosso concelho ganhou projecção em todo o mundo graças à Internet. Em muitos sites, de variados países, figura no "Top Ten" das casas mais estranhas do mundo. Na curta existência do nosso concelho, nada teve maior projecção à escala mundial do que este espaço e isso não pode ser subestimado. Já aqui foi feita referência no Blog a este assunto mas, como até agora, continua tudo praticamente igual, vamos relembrar as autoridades municipais competentes que esta casa, embora seja propriedade de um particular, tem uma enorme potencialidade turística, podendo ser mais uma marca que identifique Fafe, cá dentro e lá fora. Este blog lança um desafio a todos os leitores... Esta habitação poderá, de alguma forma, potencializar o turismo no nosso concelho?

22 novembro 2010

A Gestão dos Dinheiros Públicos


Portugal é um dos países da Europa com menor taxa de fecundidade. Como condição consequente deste facto há crescentemente um aumento da população envelhecida. Estudos apontam para que 20% da população total, tenha mais de 65 anos no ano de 2014.
Contudo todos estes dados anteriormente referidos contradizem os recentes acontecimentos ocorridos na nossa cidade.
No último boletim editado pela Junta de Freguesia de Fafe, são noticiadas e evidenciadas cinco remodelações efectuadas em parques de diversão infantis. É óbvio que deve ser dada a devida importância aos estádios de desenvolvimento da criança e, todos sabemos, que a diversão é uma das melhores formas de estimulação, porém o facto de serem remodelados não um ou dois parques, mas 5 (tendo em conta os índices de fecundidade acima mencionados), faz-me pensar se os nossos dinheiros públicos estarão a ser bem geridos numa altura em que se apela ao controlo da despesa pública. Terão todas estas infra-estruturas, um futuro próspero? Ou então, chegar-se-á à conclusão que foram más apostas do poder local, sem visão estratégica?

Bruno Cunha

17 novembro 2010

Ministério da Educação distingue Autarquia Fafense


A Câmara Municipal de Fafe foi distinguida com o Prémio “Autarquia”, atribuído pelo Ministério da Educação, no âmbito da Festa do Desporto Escolar – 2010, realizada na Escola Sede do Agrupamento de Escolas Artur Gonçalves, em Torres Novas e que contou com a presença da Ministra da Educação.
A Festa do Desporto Escolar distingue anualmente aqueles que mais se notabilizam no âmbito do Desporto Escolar, envolvendo nove categorias: “Aluno”, “Espírito Desportivo”, “Professor”, “Escola”, “Autarquia”, “Internacional”, “Carreira Desportiva”, “Media” e “Desporto Adaptado”.
De realçar que Fafe foi a única autarquia a receber o galardão, na área da Direcção Regional de Educação do Norte (DREN), “pelo seu excepcional comportamento e desempenho nas actividades do Desporto Escolar”.
O Vereador da Educação da Autarquia, Antero Barbosa, congratulou-se com esta distinção, “que vem reconhecer o trabalho que se tem feito com os agrupamentos escolares ao nível do desenvolvimento do desporto em geral e o escolar em particular”.
Realçou também que nesta distinção deve ter estado presente o empenho que a autarquia, juntamente com os agrupamentos escolares, teve na organização local do campeonato mundial de andebol escolar – ISF 2010, que se realizou entre 20 e 27 de Março nos municípios de Fafe, Guimarães e Braga.

15 novembro 2010

Empresários culpam Apoios Sociais pela Falta de Trabalhadores



Os empresários do Vale do Ave queixam-se de falta de mão-de-obra, apesar de a taxa de desemprego na região rondar os 15%. Os empresários e o presidente da Câmara Municipal de Fafe consideram que a culpa é dos apoios sociais e das acções de formação profissional, através das quais os desempregados ganham quase tanto dinheiro como se estivessem a trabalhar. Uma reportagem da jornalista Ana Gonçalves.

10 novembro 2010

Uma Gota para a Vida

Doar Medula Óssea não custa nada. Simples, indolor... E pode salvar uma vida. A esperança é que um desses dadores ajude o ALBERTO JORGE.
Se tens entre os 18 e os 45 anos e mais de 50 kg aparece dia 14 de Novembro, das 10:00h às 16:00h na Escola Secundária de Fafe para recolha de sangue e de esperança.
É um jovem da nossa cidade de Fafe, aluno da Escola Secundária que precisa da nossa ajuda.

APOIO: Centro de Histocompatibilidade do Norte e Escola Secundária de Fafe

08 novembro 2010

Novo Cartão Jovem Municipal


Apesar de Fafe ter, há mais de uma década, um Cartão Jovem Municipal, este nunca teve grande adesão. O Cartão foi-se mantendo vivo mais nas palavras dos responsáveis autárquicos do que propriamente na juventude que pouco usufria das vantagens a ele associadas.
A chegada de Pompeu Martins à vereação trouxe uma nova atitude perante os mais jovens, apesar de serem alguns que andem a colher os louros nos discursos da praxe. Este novo cartão jovem municipal que vai oferecer aos jovens do Concelho descontos em viagens, transportes públicos, bilhetes de cinema, entrada em recintos desportivos, produtos e serviços no âmbito da cultura, lazer, comunicações, saúde, divertimentos nocturnos, festivais de Verão, entre muitas outras, tem a sua marca. Com mais vantagens, agora até aos 30 anos e com benefícios nacionais, internacionais e locais, o novo Cartão Jovem (que agrega o tradicional cartão e as vantagens do antigo cartão municipal) pode ser adquirido pelo valor unitário de 8€.
Todos os serviços públicos locais devem ter desconto para os mais jovens, inclusivé no Cine Teatro, apesar dos bilhetes serem bastante acessíveis. Uma ideia apenas para estimular mais ainda a adesão dos mais jovens ao espectáculos que merecem, muitas vezes, mais público.

02 novembro 2010

"Serviço Público..."


Esta semana ficamos a saber através de um jornal local o "chorudo" salário do nosso Presidente da Câmara. Se multiplicarmos esse vencimento por mais algumas centenas de autarcas e adjuntos, se a estes juntarmos as reformas e pensões vitalícias de mais algumas milhares de personalidades que nos representam ou representaram na Assembleia da República, nos Ministérios, Fundações Públicas e afins talvez possamos ficar com uma pequena ideia do "serviço público" que estes senhores prestam ao país em tempos de crise.
Ficamos a saber, também, que o Orçamento de Estado de 2011 contempla um total de vinte políticos do Governo que vão receber subsídio de alojamento. Por mês, os governantes têm 1400 euros ao seu dispor para arranjarem casa.
Entre os secretários de Estado, Laurentino Dias, apesar de ter residência oficial em Fafe, vai usufruir deste apoio.
O que dirão Professores, Enfermeiros, Polícias e outros funcionários públicos, deslocados como o Sr. Secretário de Estado, que têm um vencimento muito mais inferior e ajudas de alojamento não sabem o que isso significa na carteira ao fim do mês. No fundo, a ideia de que a crise está a ser paga por todos é falsa! Estes políticos de hoje e de ontem não são socialistas, nem sociais democratas. São meros capitalistas que prestam um melhor serviço a si próprios do que ao nosso país e que têm a sorte de viverem numa terra de brandos costumes onde a justiça não funciona e a corrupção é quase uma questão cultural.

Pedro Fernandes

29 outubro 2010

Cine Teatro NOVEMBRO

EM DESTAQUE: UHF
Dia 20, 21:30h, Preço 5 Eur
Toda a programação em http://teatrocinefafe.blogspot.com

26 outubro 2010

Mais um Tesourinho Deprimente...


Sinalização insuficiente ou condutor distraído?!

22 outubro 2010

Novamente o Ranking


Relativamente ao ano transacto, a Escola Secundária de Fafe quedou-se, no que diz respeito às classificações obtidas nos exames, pelo 430º lugar. Um lugar muito modesto, rivalizando com as piores escolas nacionais, incluindo muitas escolas problemáticas da região de Lisboa ou do interior mais profundo. Devo dizer que sou desconfiado relativamente a estes rankings. Comparam o incomparável. Só seria interessante, caso fornecessem às escolas públicas as mesmas condições para irem à guerra (escolha dos alunos, critérios disciplinares...) Haveria, com certeza, muitas surpresas. Contudo, isto não impede de termos uma reflexão profunda. Mesmo os responsáveis pela escola deviam tomar posições, avaliando as direcções pelo insucesso. Caso fosse necessário, demitiam-se.
Obviamente que Fafe, como temos vindo a dizer, nunca foi uma terra que valorizasse muito o conhecimento. Aí a escola é um reflexo. Sempre deu vantagem à ignorância face à sabedoria, sempre preferiu a emoção à racionalidade. Por isso, reconheço na escola a necessidade de um esforço hercúleo, mas também peço ao Pelouro da Cultura que promova a cultura científica. Só uma última nota, os partidos da oposição? Lembro-me, faz agora um ano, do comentário de Miguel Summavielle a este post.
António Daniel

18 outubro 2010

XI Jornadas de Cultura Alemã


No âmbito das XI Jornadas de Cultura Alemã, que se realizam em Braga, Fafe recebe (pela primeira vez) de 15 a 28 Outubro, um conjunto de iniciativas, organizadas pelo departamento de Estudos Germanísticos e Eslavos (DEGE) do Instituto de Letras e Ciências Humanas (ILCH) da Universidade do Minho, em parceria com o Município de Fafe.
Das iniciativas previstas, destaca-se a inauguração da exposição fotográfica/documental, intitulada «Ortszeit / Hora Local» e evocativa dos vinte anos da queda do Muro de Berlim, a qual ocorre esta sexta-feira, dia 15 de Outubro, às 15 horas, na Galeria da Casa da Cultura e estará patente até ao dia 28 do mesmo mês.
Evidencia-se, igualmente, o Ciclo de Cinema Contemporâneo Alemão – Encontro das Culturas [em colaboração com o Goethe Institut Portugal e Cineclube de Fafe], no auditório da Biblioteca Municipal, com a exibição dos filmes legendados Im Juli (Em Julho), de Fatih Akin (dia 15); One Day in Europe, de Hannes Stoehr (dia 19); Solino, de Fatih Akin (dia 24) e Grave Decisions, de Marcus H. Rosenmueller (dia 26), sempre às 21h30, com acesso livre.

13 outubro 2010

Fecho de Escolas


A propósito desta notícia seria bom esclarecer alguns pontos de vista. Ao contrário do que defendem os serviços centralizados do ME, a criação de mega-agrupamentos não determina a melhoria do ensino nem a tão socialista igualdade de oportunidades (utilizando o argumento da internet, há estudos interessantes como este). Pelo contrário, a concentração de crianças pode gerar fenómenos de Bulling ou outros que anteriormente estariam controlados. Creio que as crianças em idades precoces necessitam de enquandramento. Não falo de protecção, mas de acompanhamento. Por estes motivos, concordo em absoluto com a posição do Presidente da Junta e discordo da posição da Câmara. Se as coisas correrem mal, então quem criou estas políticas deve ser responsabilizado; caso corra bem, devemos conotar com uma mera sorte. Porquê? Porque o fecho das escolas não é suportado por estudos objectivos quanto à sua utilidade, as decisões são tomadas de acordo com agendas eleitorais e as pessoas não são consultadas. Não se pode fazer uma manif pequenina…? Claro que não! Já agora, o que pensa a oposição camarária?

António Daniel

08 outubro 2010

Algumas Ideias


A Juventude de Fafe escolheu 100 Ideias para o desenvolvimento concelhio. Enumeramos aqui algumas delas. O documento completo pode ser descarregado em http://www.wix.com/juventudecmf/fafe

JUVENTUDE
- Envolver jovens não organizados no Conselho Municipal da Juventude;
- Orçamento Participativo no município de Fafe;
- Face à necessidade de verbas para as associações, a Câmara deverá financiar as mesmas em função de um plano de actividades comprovado;
- Realização de uma Semana da Juventude;
- Criação da casa da Juventude.

DESPORTO
- Polidesportivos em todas as freguesias;
- Circuitos de Manutenção com aparelhos de Ginásio;
- Rentabilização da Pista de Cicloturismo e Corredor Verde (Parques de Lazer, Bebedouros, Pontos de Informação);
- Construção de mais campos de Ténis.

EDUCAÇÃO
- Alterar a metodologia de ensino, apostando em metodologias mais activas e participativas;
- Criar um gabinete coordenador dos Espaços Jovem na Câmara;
- Desenvolvimento de workshops inovadores;
- Investir nas actividades de Educação Não Formal.

EMANCIPAÇÃO JOVEM
- Feira de emprego e formação profissional anual;
- Promoção de oferta de habitação a preços acessíveis;
- Incentivo à não deslocalização dos jovens das freguesias de naturalidade;
- Criação de benefícios para jovens que comprem habitação;
- Incentivo ao restauro de habitações antigas.

TURISMO
- Festival Gastronómico Minhoto;
- Criação de um Museu de Arte contemporânea;
- Criação de um Museu Etnográfico;
- Festival de Verão Na Barragem de Queimadela;
- Criação de Roteiros Turísticos.

AMBIENTE E URBANISMO
- Requalificação e conservação urbanística;
- Identidade urbanística (carta arquitectónica e urbanística);
- Descentralização do trânsito do centro da cidade (centro urbano pedonal, novas praças e avenidas, circular urbana).

SAÚDE
- Disponibilizar mais métodos contraceptivos gratuitos;
- Maior fiscalização nos bares e discotecas, supermercados (verificação da idade, quer para consumir quer para entrar);
- Apoio à participação dos casos de violência doméstica.

CULTURA
- Criar site de divulgação de actividades culturais;
- Reutilização de um espaço (Teatro-Cinema ou Casa da Cultura) para encontros culturais, tertúlias, cafés concerto, etc;
- Apostar nos serviços educativos e promover formação através de workshops nas diferentes áreas artísticas;
- Promover novos eventos culturais que envolvam a população na sua organização;
- Reavaliar e estruturar os eventos já existentes, promovendo a inovação.

DIVERSIDADE CULTUAL E IGUALDADE DE OPORTUNIDADES
- Divulgar a cultura Fafense a nível internacional;
- Abertura de espaços de cultura e lazer.(Cinemas, Shopping, Desporto, Centros Jovens etc…);
- Criação de feiras culturais para atrair novas culturas e fomentar o multiculturalismo (feiras medievais , culturais , rurais , artísticas , rupestres, etc.…);

COOPERAÇÃO INTERNACIONAL
- Formação do movimento Associativo no sentido de ver aumentada a cooperação internacional;
- Criação de Protocolos para cooperação Internacional entre a Câmara Municipal de Fafe e entidades juvenis;
- Cooperação local com a Capital Europeia da Cultura (Guimarães: 2012) e a Capital Europeia da Juventude (Braga: 2012).

05 outubro 2010

Orçamento Participativo


“A penalização por não participares na política é acabares por ser governado pelos teus inferiores”, Platão

Nunca esta frase teve tanta actualidade. Portugal está transformado num manto de retalhos e de desigualdades sociais. A descrença, o medo e desnorte está instalado no nosso consciente colectivo. O estado do país é o reflexo da incompetência com que fomos governados durante anos a fio por políticos e gestores incompetentes, incapazes e alheados do cidadão e da realidade social. A minha geração que já emigra, mesmo com altas qualificações, que vai viver pior que a geração dos seus pais e outras que se seguem vão pagar bem caro o endividamento nacional e local. Por isso, é com natural receio que aguardo as políticas de futuro que nos esperam. Aguardo para saber, no caso concreto de Fafe, o que esperar das parcerias publico-privadas e dos investimentos que foram delineados pelo executivo municipal. É bom que estas questões sejam devidamente discutidas para que, futuramente, não estejamos a pagar por investimentos que se tornam, em muitos casos, autênticos desperdícios de dinheiro público.
Talvez esteja na altura de lançarmos a questão dos orçamentos participativos, ou seja, os orçamentos que são votados e propostos pelos cidadãos. Poucas cidades aderiram a este novo modelo de governação em Portugal, isto porque a abertura política dos nossos governantes é reduzida. Já por essa Europa fora, este modelo tem sido implementado em muitas cidades, inclusive muitas com a dimensão da nossa. O facto de as pessoas serem convidadas a discutir, a participar e a decidir investimentos implica uma mudança que nem todos estão preparados. Mas é um caminho e um caminho que convém começar a trilhar, seja por políticos, seja por cidadãos que ainda têm uma certa relutância em participar e em assumir as suas ideias.
Um dos bons exemplos desta participação é da cidade de Lisboa. No primeiro ano em que foi implementado o Orçamento Participativo numerosos ciclistas conseguiram que se fizesse aprovar a construção de várias ciclovias. No segundo ano, os defensores dos animais conseguiram a construção de um canil municipal.
Os decisores devem, por isso, fomentar essa participação e os cidadãos têm o dever de agir. Essa participação pode ser iniciada nos orçamentos participativos mas não só. Em Fafe, recentemente o projecto “Juventude 2010 – 100 anos, 100 ideias para Participar”, promovida pelo Pelouro da Juventude foi um bom prenúncio das iniciativas que se querem para o futuro em que o papel dos cidadãos é de vital importância para a auscultação das políticas públicas. Embora a adesão não tenha sido a melhor e, aqui também lamento o facto das juventudes partidárias contrárias ao poder vigente só participarem quando esse trabalho convenha mais ao partido do que ao concelho, aguardo com expectativa a divulgação dos resultados mas não posso deixar de felicitar o grande mentor desta iniciativa, o Vereador Pompeu Martins. O caminho passa, pois, por alargar o campo de decisão aos cidadãos. As pessoas não se podem alhear de participar. Caso contrário, seremos sempre meros espectadores.

Pedro Fernandes

01 outubro 2010

Cine Teatro OUTUBRO

EM DESTAQUE: "Trabalhadores do Comércio"
Dia 16, 21:30h, Preço 5 Eur
Toda a programação em http://teatrocinefafe.blogspot.com

27 setembro 2010

O Padre que tenta meter Medo com o Inferno... Já Não Cola!!


Há muito pouco tempo, um sacerdote católico, que de ilustre nem a camisa que vestia, desesperado com o seu povo, resolveu lançar uns açoites ‘aos pobres de espírito’ que ainda acreditam na doutrina de Cristo e eu estava lá!
As primeiras palavras foram desastrosas, a parte economicista falou mais alto e o senhor abade lá teve de dizer ao povinho que estavam a dar pouco dinheiro, ‘até apareceu um envelope com 7 euros, ora vejam lá, que nem dá para ir comer ao restaurante’ – exclamava o padre todo indignado. Obviamente não disse nada, afinal eu era apenas mais um pobre pecador e ficava muito mal dizer ‘fosse o que fosse’, mas se o dissesse então é que diriam de mim ‘nem parece um doutor’, isto porque não acompanho com as manias do importantismo da doutorice provinciana.
O que me apetecia mesmo era dizer: Ó chefe, coma em casa que eu também como!
Contudo, a festa não acabava por aqui, o prior não andava preocupado com os jantares, simplesmente, andava também a contar os tostões, porque as suas visitas a um hotel já eram frequentes e, lá está, as investidas são caras.
Eis que surge a confusão, toda a gente já sabe e inicia a caça às bruxas, quem disse mal do senhor padre vai para o Inferno! Querem difamar o homem! Coitadinho! E este, na homilia, voltava a insistir: «na religião muçulmana quem disser mal do seu líder é condenado».
De facto, até parece perceber alguma coisa de religião, mas não da católica, porque nessa já não é assim. Claro, ‘os pobres e pecadores’ temiam ser apontados em cima do altar, até porque o senhor prior em vez de dar umas chicotadas nas costas andava a ligar para as pessoas a ameaçar que lhes punha um processo em tribunal. A nossa dúvida era só uma: como é que sabia que esta ou aquela pessoa disse mal dele? A resposta é simples: os lacaios se não gostavam de um vizinho iam acusar ao padre, mesmo que não fosse verdade.
Ora vejam bem, voltamos ao tempo da PIDE. Os padres voltam a ser santos e nunca cometem pecados e quem os difamar a si ou aos seus protegidos, que bebem todos do mesmo copo, está tramado…
É claro que eu sou católico, mas não acredito nestas seitas em volta do catolicismo. Mas, apesar deste mau exemplo, ainda acredito em bons padres.
Fora isto, tudo bem!
(Qualquer semelhança com alguma realidade é pura coincidência!)

Pedro Sousa

20 setembro 2010

Literacia e Iliteracia


Aconteceu ler quase em simultâneo dois textos. Um do presente blogue, que mostrava um trabalho desenvolvido no âmbito da disciplina de Área de Projecto da turma 12º M da Escola Secundária e um outro texto que, embora não se refira directamente a Fafe, difunde uma realidade não muito diferente. Ambos os textos se referem à mesma problemática: a educação. Não me estou a referir, obviamente, a questões cívicas mas ao ensino, ao conhecimento. Se o post do blogue que dá conta do trabalho desenvolvido pelas alunas Sofia Rodrigues, Rita Marinho, Cidália Cunha, Joana Gonçalves e Patrícia Silva, nos enche de orgulho, o outro texto remete-nos para uma realidade que está aí ao «virar da esquina». Por muita responsabilidade que os executivos camarários possuam, pouco podem fazer quando existe uma óbvia resistência ao conhecimento. Contudo, podem aligeirar as assimetrias. Se exceptuarmos uma percentagem mínima de pessoas, a grande maioria da população de Fafe possui habilitações muito abaixo da média nacional. O «chico-espertismo» é um valor predominante face ao que realmente seria necessário: o rasgo do conhecimento. O conhecimento abre horizontes. Não torna as pessoas melhores, o intelectualismo moral não se justifica, mas difunde uma perspectiva englobante que pode muito bem fomentar melhores soluções para o nosso atraso. Não falo de conhecimento superficial, falo em literacia científica. A Câmara Municipal, juntamente com as escolas do Concelho, pode e deve fazer mais. A cultura também é ciência e a ciência é cultura.

António Daniel

P.S. - http://jn.sapo.pt/paginainicial/pais/concelho.aspx?Distrito=Braga&Concelho=Celorico%20de%20Basto&Option=Interior&content_id=1603879

15 setembro 2010

Foi em Serafão !!


Fafe é amável. Em tempos, queixava-me da sua monotonia. Contudo, agora descobri o encanto deste município que de monótono – afinal - nada tem. Daqui advém a sua amabilidade e fascínio. É um lugar facilmente retratável num daqueles romances em que a cada página há um novo acontecimento que, apesar de não alterar o rumo da história – que é invariavelmente a mesma -, lhe dá aquele pique de intensidade e de (des)interesse. Às vezes, parece que a intensidade se esvai e a última página – a do desfecho – se aproxima, mas não! Vem sempre uma novidade e o livro não tem fim. Começo, sinceramente, a ficar farto deste livro. Gostava que neste romance a tolice pudesse ser proibida ou considerada crime, tanto me dá.
Não gosto muito de o fazer, mas vejo-me forçado a relatar uma situação que me é “próxima”. Tento ser imparcial e distanciar-me. Reconheço que pode parecer que não o faço. De tão gritante considerar o assunto e de tanto me moer as entranhas, tenho real dificuldade em fazê-lo.
Passo a contar a história digna de livro de contos.
Ainda era eu uma criança, bem pequena por sinal, quando me recordo de uma das pessoas que mais admiro ainda hoje, o meu querido avô, ter adquirido - na sua aldeia - um espaço, onde queria permanecer quando os seus dias se acabassem. Então – para não mentir – não sei bem como se passou, em pormenor, na época. Sei que, na aldeia, havia um sítio que aprendi a designar por jazigo de família. Quem me ensinou não me recordo ao certo, mas nos dias de romaria, ou de finados, foi ali que fui ensinado a avivar na memória os meus antepassados.
Entretanto, como a todos, ao meu avô os dias acabaram.
Há tempos, apesar de não prezar essa forma de me recordar das pessoas que considero sempre presentes, dirigi-me (e ainda bem) ao local que o meu avô tinha reservado para si. Ao lá estar, por momentos, voltei a ter o pensamento de criança, de quando o meu avô me ensinava coisas novas, que dele faziam o ser mais inteligente no planeta. Porquê? Ainda imbuído nesse infantil raciocínio, julguei que tivesse escolhido o melhor local da aldeia para repousar… Creio que o meu avô escolheu um terreno normal, ou até nem escolheu, tendo-se limitado a um que lhe tenham atribuído. Porém, alguém após a sua morte decidiu que ali era o melhor ponto da freguesia para pôr outra pessoa a descansar. Então? Um excelentíssimo senhor resolveu que – ao contrário do que mandam as leis da matéria, sim há leis! – o meu avô poderia ter um vizinho germinado. Deixou construir-se, há poucos meses, uma bela capela a “colada” à campa rasa que alberga os meus familiares. (O lugar deve mesmo ser óptimo para o descanso final. Julgava, até então, esta espécie de terrenos todos iguais.)
Pensava eu, nesse tempo (poucos meses atrás) “Bem, se não está de acordo com a lei, vai ser demolido tal edifício e deixarão que o sol brilhe sobre o «melhor» terreno da freguesia”. Surpresa minha, tal não aconteceu.
Resolução quererá o leitor saber depois de tanta parra com pouca uva.
A junta de freguesia, que prefiro classificar de inábil, para não utilizar a demais adjectivação que a brilhante Língua Portuguesa nos empresta, soluciona o problema: o meu avô que ali jaz por direito (comprou um terreno, é direito privado), junto de outros familiares, vai por decisão de um executivo (nem sei se é assim que se lhe chama), que de executivo nada tem aos meus olhos, ser transferido para outro terreno que ele não comprou e não edificou e onde não sei se ele se “sentirá” bem. Se foi ali que ele construiu a sua última morada, porque haverá de ir descansar para outro talhão?
A Junta de Freguesia decidiu que assumirá os custos de uma nova edificação - similar à original - para o meu avô, noutra rua, que mais não fez do que estar, na morte, como na vida, descansado ao seu canto.
O que encontro de mais caricato nesta situação é que, quem apenas suas obrigações cumpriu, não pode imaginar-se no direito de usufruir do que é seu – o seu canto. Contudo, quem depois chegou e as leis infringiu (sim, a obra foi embargada, apesar de ter continuado), ficará nesse local, com a opulência da sua nobre moradia sobre a rasa campa de meu avô (que já lá estava, há mais de uma dezena de anos).
Resumindo, estava tudo bem, quem levou com um vizinho “ilegal” é corrido, ficando o vizinho no seu sítio “ilegal”. A Freguesia (note-se: todos nós!, contribuintes) oferece-se a pagar um novo jazigo ao meu avô. Então, um qualquer indivíduo prevarica e o sector público não só encobre todas as ilegalidades (desde a construção fora de medidas, a continuação de uma obra embargada, etc), como ainda suporta os custos de deslocalização de quem estava bem e passou a estar sufocado por um vizinho desrespeitador. Caso para dizer, o crime compensa (e dá prejuízo ao estado).
Pela memória do meu avô, pela vontade de preservar na memória o que de melhor me transmitiu (o respeito), não consigo deixar de homenagear – respeitosamente - o sujeito que esta situação gerou. Escrevi este texto pois era a única forma que tinha de deixar ao senhor Presidente da Junta de Freguesia - cuja homenagem nem ouso aprofundar dada a imperfeição dos pretéritos que me ocorrem - o meu agradecimento público por ser mau autarca, por lesar (desnecessariamente) o estado em uns milhares de euros e por não ter em consideração os meus antepassados.
Se aos meus não respeita, suspeito que também não respeitará os demais, por isso auguro que se redima à sua original vida que não a de condutor dos destinos da freguesia onde barbaridades afins será capaz de cometer.

João Coimbra

Ps: No fundo, isto não o deve preocupar. Não voto na sua freguesia, por isso não se importune com a minha fugaz reclamação…
Haja paciência!