03 setembro 2008

Escola da Feira-Velha demolida


Inaugurada em 1940, em pleno Estado Novo e por ocasião da comemoração da Fundação da Nacionalidade e da Restauração de Portugal, a Escola da Feira Velha era, na altura, de um estilo que impressionava os presentes. O hino da mocidade portuguesa e a Portuguesa foram entoados aquando da sua inauguração e centenas de crianças e adultos assistiram ao acto solene que contou com a presença dos trabalhadores do campo, das oficinas e das fábricas dando vivas a Salazar.
Volvidos cerca de 70 anos, a Escola da Feira-Velha foi demolida, mais precisamente no passado mês de Agosto. Fruto da diminuição do número de alunos no 1º Ciclo e com a passagem dos mesmos para outras escolas da cidade, a escola perdeu utilidade e fechou para, mais tarde, vir a ser demolida. Hoje no local onde antes se encontrava a escola, resta um vazio que será preenchido numa primeira fase com o alargamento do parque de estacionamento da Feira-Velha e, mais tarde, na reconversão da actual praça mártires do fascismo.
Fica a foto de um dos últimos dias daquela escola que tantas crianças e professores recebeu obtida no blog http://ensinoemfafe.blogs.sapo.pt.

25 agosto 2008

Governo Britânico distingue o investigador fafense Freitas Magalhães

Já aqui demos conta, precisamente à um ano, do prémio atribuído ao investigador fafense da Universidade Fernando Pessoa do Porto, o professor Freitas Magalhães, considerado como o Educador Internacional do ano 2007.
Recentemente, este mesmo investigador foi distinguido pelo governo britânico para desenvolver o programa Global Partnership Programme. O director do laboratório de expressão facial da emoção foi distinguido para ajudar a divulgar e comercializar em empresas e universidades do Reino Unido os produtos desenvolvidos no FEELab/UFP.
As aplicações TIC e interfaces ali desenvolvidos podem valer dois milhões de euros e o professor terá também de estabelecer o intercâmbio entre os dois países. Este laboratório foi criado em 2003 e é pioneiro no âmbito da identificação e reconhecimento da expressão facial, com enfoque em instrumentos aplicados na justiça.
Fica para ver, por último, um vídeo sobre o investigador num documentário produzido pela RTP.

18 agosto 2008

1986 - Elevação de Fafe a cidade


Foi neste mês de Agosto, mais precisamente no dia 23 do ano de 1986 que a Vila de Fafe foi elevada à categoria de cidade. Nesse dia foi publicada no Diário da República a lei nº 28/86 que elevava não só Fafe a cidade, como também as vilas de Seia, Albufeira, Mangualde e Maia. A iniciativa da apresentação do projecto de lei foi do então deputado Dr. António Marques Mendes, se bem que houvesse muita gente na altura que fizesse ouvir a sua voz no sentido de que era preferível uma grande vila a uma pequena cidade. A deliberação do Parlamento de elevação de Fafe a cidade foi saudada por todos os quadrantes políticos, especialmente pelo então presidente da Câmara Parcídio Summavielle. Na sequência da elevação a cidade, foram introduzidas alterações ao brasão e à bandeira do município, sancionadas pela Comissão de Heráldica da Associação dos Arqueólogos Portugueses. A elevação a cidade acabava assim, 12 anos após o 25 de Abril, por expressar na prática umas das principais conquistas da revolução dos cravos, ou seja, o reforço do poder local.

05 agosto 2008

Vencedor do Prémio Camões é neto de fafense


"João Ubaldo Ribeiro, um dos maiores escritores da literatura brasileira actual e que acaba de ser galardoado com o mais importante prémio da literatura lusófona, o Prémio Camões, é neto de um fafense. O seu avô, João Ribeiro, natural de Fafe, abalou para a cidade de Penedo, Estado de Alagoas no Brasil nos primeiros anos do século XX, meio deportado pela família porque engravidou uma vizinha solteira numa das aldeias de Fafe. Em Janeiro de 2000, o neto João Ubaldo esteve em Portugal a promover o seu mais recente êxito literário "A casa dos Budas Ditosos" e fez questão de recordar o seu avô fafense "uma pessoa adorável", que lhe dava dinheiro para livros, revistas e guloseimas. João Ubaldo gostava muito do avô, grande companheiro de infância, amigo e confidente, pessoa culta e, leitor apaixonado de Camilo e Guerra Junqueiro. Afiança mesmo que lhe deve muito, talvez até a carreira de escritor, sendo que o seu avô considerava que só tinha direito ao estatuto de escritor aquele que via livros que davam "para pôr de pé". João Ubaldo tem uma vasta obra literária publicada desde 1968 e está traduzido em diversas línguas, sendo algumas obras suas adaptadas ao cinema e televisão. João Ubaldo Ribeiro, em cujas veias corre sangue fafense, "escreve com a naturalidade dos sentimentos e usando palavrões lusófonos".

In "Correio de Fafe", 01/08/2008 por Artur Coimbra

28 julho 2008

Fafense José Martins triunfa na Volta do Futuro


José Martins fechou este domingo a 16ª Volta a Portugal do Futuro EDP tal e qual como começou, ou seja, com um triunfo. O corredor da Casactiva/Qtª das Arcas, já camisola amarela à partida da última etapa, além de vencer a classificação geral, confirmou a vitória na meta de Oliveira do Bairro ao conseguir, nos instantes finais, dois segundos de vantagem sobre João Benta (Stª Mª da Feira/E'Leclerc) e Fábio Ferreira (Crédito Agrícola).
Para as contas finais da prova, os derradeiros 131 quilómetros entre Condeixa-a-Nova e Oliveira do Bairro não trouxeram alteração aos primeiros lugares com José Martins a triunfar na Volta a Portugal do Futuro deixando o rival mais directo, João Benta a 20 segundos e o companheiro de equipa Carlos Sabido a 32.
A história desta quinta etapa foi semelhante aos dias anteriores com muitas tentativas de fuga prontamente anuladas pela equipa do camisola amarela e quando houve fugitivos, estes nunca conseguiram avanço suficiente que colocasse em perigo a liderança de José Martins que além da amarela conquistou também a camisola do pontos.
A cerimónia que consagrou o vencedor e os protagonistas das diversas camisolas decorreu em Oliveira do Bairro, em pleno coração da Bairrada, região "berço" das bicicletas em Portugal e de larga tradição na história do ciclismo. Além de José Martins estiveram no pódio Ricardo Vilela (Stª Mª da Feira/E'Leclerc) por ter conquistado a camisola da montanha, da qual já era portador no dia anterior, e João Pereira (Tavira/Palmeiras Resort), um corredor de apenas 19 anos, natural de Olhão, que foi desde o primeiro dia o líder da juventude.
Por equipas o conjunto comandado por José Barros, a Casactiva/Qtª das Arcas repetiu o triunfo já alcançado o ano passado.


18 julho 2008

Museu da Imprensa muda de sítio


A Câmara Municipal de Fafe deliberou, por unanimidade, vender o palacete da Rua José Cardoso Vieira de Castro, onde desde 1996 se localiza o Museu da Imprensa, devido ao facto do edifício estar a precisar de avultadas obras de conservação. Assim sendo, o Museu da Imprensa irá ocupar futuramente o edifício da casa da cultura e nele podemos encontrar a mais variada informação acerca do jornalismo no nosso concelho. Um dos objectivos do Museu foi a defesa do Património cultural, tendo como núcleo fundamental o espólio do jornal O Desforço, adquirido em finais de 1994. Outro dos objectivos é a recolha, conservação e exibição do acervo documental. O Museu da Imprensa assume-se como um projecto em construção, susceptível de integração permanente de nova documentação e poderemos lá encontrar as mais variadas colecções, como por exemplo:
- Colecção de Natureza tecnológica, o espaço oficinal é constituído pelo equipamento necessário à confecção e impressão do jornal ( destacando-se a Máquina de Cartões; Caixas dos Tipos; Máquina Impressora; Cisalha; Picotadeira e o Prelo Original)
- Colecção do periódico "O Desforço" relativo aos últimos 100 anos;

- Colecção de Gravuras Diversas;

- Colecção de outros jornais locais (séc. XIX e XX), uns já desaparecidos, outros ainda em publicação.

Dos periódicos que ainda se publicam no Concelho destacam-se:
- Jornais Escolares;

- Jornais de Associações;

- Jornais de Carácter Religioso.

Além das colecções referidas há documentação diversa ( 1º Almanaque de Fafe único no Distrito, de 1909) e a reprodução da capa dos primeiros números de mais de quatro dezenas de jornais que se publicaram neste município, de 1886 à actualidade.

05 julho 2008

Fafe tem a gasolina mais barata do país



Segundo o jornal "Correio da Manhã" que publica diariamente no seu suplemento de Economia, os valores mais baixos registados por distrito do valor da Gasolina S/Chumbo e Gasóleo, Fafe tem a gasolina mais barata do país. Esta tabela tem actualização diária e nas últimas semanas, Fafe tem aparecido com destaque no Guia de Poupança elaborado. Por vezes, com o valor mais barato do distrito de Braga mas, muitas vezes, com o valor mais barato do país. O hipermercado "E. Leclerc" e o Intermarché de Fafe têm sido os que apresentam preços mais baixos para o consumidor, segundo a mesma fonte que pode ser consultada também em http://www.maisgasolina.com/

17 junho 2008

Fafe mais solidário



Perante os maus exemplos que vimos diariamente reflectidos na nossa sociedade, achamos por bem, neste post dar ênfase a duas notícias que são, sem dúvida, dois bons exemplos para a construção de uma sociedade que se quer mais justa e solidária com os mais desfavorecidos.

Assim, no âmbito do Projecto Territórios IN, foi realizada no passado dia 7 de Junho uma actividade na empresa de Desporto aventura – DiverLanhoso. No âmbito desta actividade estiveram envolvidas crianças e jovens em acompanhamento na Comissão de Protecção de Crianças e Jovens de Fafe.
No corpo técnico, estiveram presentes dois técnicos do projecto e os responsáveis pela CPCJ, Sílvia Soares (Presidente da CPCJ de Fafe) e Dalila Oliveira, coordenadora local do projecto.
Esta actividade foi planeada no início do ano, e é a primeira de um conjunto que se pretende levar adiante. Tal acção teve como objectivo primordial e no caso concreto, combater o abandono e o absentismo escolar.
No local foram desenvolvidas algumas actividades, tais como, “quebra-gelo” o “passa a bola” e o “caça ao tesouro”.
Nesta acção conjunta, o Município assegurou transporte, a CPCJ o almoço e a Padaria e Pastelaria “Doce Retiro” ofereceu o pequeno-almoço e o lanche.
Aos jovens foi dada a oportunidade de opinarem sobre futuras actividades a levar a cabo pelo projecto. Os jovens gostaram do encontro e estão bastantes motivados a participar futuramente.
In http://www.cm-fafe.pt/, 13/06/2008


Do mesmo modo, onze crianças do IPO do Porto tiveram a oportunidade de usufruir do bem-estar proporcionado pela Barragem de Queimadela em Fafe. Uma actividade sem paralelo porque os apoios a estas crianças vão rareando.
Maria Eugénia, "avó Gena" para as crianças do Instituto Português de Oncologia do Porto (IPO), não tirava os olhos do espelho de água e deixava reflectir no rosto uma enorme alegria por ver os seus "netinhos" a divertirem-se neste dia tão especial. Doze crianças e jovens do IPO, com idades compreendidas entre os 9 e os 20 anos, tiveram ontem a oportunidade de viver um dia diferente longe do ambiente hospitalar, deixando para trás a doença e preocupando-se apenas em viver da forma mais intensa possível a jornada na Barragem de Queimadela, entre gaivotas, canoas e caiaques. Voluntária há 25 anos na pediatria do IPO, Maria Eugénia considera este tipo de actividades um lenitivo para o sofrimento das crianças e lamenta apenas que não haja exemplos como o de Fafe um pouco por todo o país. "Sentimos ainda uma grande falta de apoio das entidades públicas e privadas. Este apoio que sentimos em Fafe é um exemplo que devia ser seguido noutras paragens". O espírito do voluntariado no IPO não se coaduna com o "mendigar" apoio mas esta responsável ainda esbarra em muitas portas fechadas e aponta a falta de atenção da sociedade civil para o trabalho que é desenvolvido na instituição. "A vida tem futuro e estas crianças quando chegarem a adultas podem dizer que fizeram tudo o que uma criança saudável faz. Um dia como este é um estímulo muito grande", frisou. Dias saudáveis em contacto com a natureza fazem com que as crianças, que se deparam todos os dias com o sofrimento, tenham uma esperança renovada e que olhem o futuro com um sorriso. "Já passaram muitas crianças por mim que hoje estão casadas e têm filhos. Tenho duas adolescentes que estão a fazer quimioterapia e que são verdadeiros exemplos de vida. Estão a viver fases bárbaras da vida e gostam de ir à rua, vestem-se com muito aprumo e andam sempre divertidas", enalteceu a "avó Gena". O evento contou com o apoio do Clube Náutico de Fafe e das entidades públicas locais.
In JN, 15/06/2008, Carlos Rui Abreu

01 junho 2008

Música "Trance" regressa a Queimadela



Foi em 2002 que a produtora "Quest 4 Goa" descobriu na barragem de Queimadela um local ideal para a comemoração do seu 3º aniversário. A partir daí, anualmente, esta produtora de eventos "trance" sediada no Porto, tem escolhido a nossa barragem para a comemoração do seu aniversário, interrompida apenas em 2007 por causa do mau tempo que se fazia sentir nessa altura. Este ano, nos dias 4 e 5 de Julho, a "Quest" traz de novo a Fafe dezenas de artistas nacionais e internacionais desta vertente musical electrónica que tem crescido um pouco por todo o mundo. Os bilhetes variam entre os 20 e os 25 Euros, consoante se trate de 1 ou 2 dias. É talvez, o evento musical alternativo para os jovens mais importante do nosso concelho e que traz anualmente centenas de pessoas oriundas de outras paragens para um fim de semana de música e em contacto com a natureza envolvente de Queimadela. Estes eventos têm que ser mais em Fafe de forma a potencializar alguns espaços no nosso concelho, como por exemplo, o Parque de Campismo, que, nesta altura da festa, regista uma ocupação lotada. Ficamos aqui, em baixo, com uma biografia da "Quest4Goa" e que pode ser consultada, juntamente com mais informações no site http://www.quest4goa.com/.
"Fundada em 1999, a Quest4Goa nasce do sonho e dedicação de um grupo de amigos amantes da natureza unidos por uma paixão comum pela música electrónica, mais concretamente pelo Trance e suas inúmeras ramificações. Com o intuito de dar a conhecer este fantástico mundo, foram postas mãos-à-obra dando início à produção de eventos totalmente focados na expansão e evolução conscientes do movimento e cultura Trance. A Quest4Goa tem procurado transmitir uma mensagem de consciencialização e preservação do planeta em que vivemos, apelando a uma forma saudável de convivência entre o homem e a natureza. A escolha preferencial de eventos ao ar livre visam levar o público em geral a um contacto mais directo com a natureza permitindo a que cada um a conheça, valorize e seja activo na sua preservação. Inseridos nesse contacto a música, dança e diversas expressões artísticas possibilitam uma libertação da rotina do dia-a-dia e o experienciar de sensações positivas para corpos e mentes. No percurso Quest4Goa contabilizamos cerca de 50 eventos um pouco por todo o país, incluindo participações em vários eventos de música electrónica de renome nacional. De igual modo, e manifestando um espírito de união, a Quest4Goa teve parcerias com outras organizações nacionais em produções específicas, das quais se salientam as efectuadas juntamente com a Good Mood, percursores do trance em terras lusas. Dessas colaborações destacam-se as edições da Sinergia 2003 e 2004, as produções das áreas trance das edições Dance in Douro 2000 e 2001, Elektroparade 2001 e 2002 e CBT – Celorico de Basto Festival 2001 e 2002. Neste percursso estabelecemos uma colaboração directa com diversas Câmaras Municipais, tendo sempre como premissas o respeito e preservação da natureza assim como a apresentação de conceitos multiculturais à juventude e população em geral. "
In "Quest4goa.com", 17/05/2008

21 maio 2008

Praticantes de Golfe já têm espaço em Fafe


"O concelho de Fafe já dispõe de um campo de golfe. Esta nova infra-estrutura, novidade na região, é um sonho dos responsáveis da empresa Rilhadas e vem dar apoio ao clube de golfe criado nas instalações deste complexo turístico. "O golfe está a popularizar-se e precisa de ser descoberto", justificou Ricardo Gonçalves, director do campo e administrador da empresa. O campo (com cerca de 4 hectares e 9 buracos), enquadra-se num magnífico cenário paisagístico onde o verde é dominante mas onde os jogadores também podem deliciar a vista com o serpentear das águas do rio Vizela que atravessam o campo. Este campo está já homologado pela Federação Portuguesa de Golfe e este ano será palco de três competições, a primeira das quais disputada ontem. "Temos que entrar devagar mas a nossa ideia é divulgar o golfe em Fafe inclusive através do desporto escolar", esclareceu Ricardo Gonçalves, que considera este desporto extremamente desafiante. Actualmente, o Clube de Golfe Rilhadas conta já com mais de 100 associados sendo que mais de 20% são residentes em Fafe e os restantes de concelhos vizinhos e até de Trás-os-Montes. "Nós instituímos uma política de preços baixos porque também queremos desmistificar um pouco a ideia de que este desporto é apenas para pessoas da alta sociedade", garantiu. Assim, uma anuidade neste clube custará 300 euros. Paralelamente também funciona todos os domingos uma escola de golfe para crianças que já conta com 14 inscritos e que é uma das apostas da direcção do clube."


Carlos Rui Abreu in Jornal de Noticias 18/05/2008

09 maio 2008

Rui Costa em Fafe


( Rui Costa, sentado em baixo; o 4º a contar da esquerda para a direita)
11 de Maio de 2008 ficará marcado na história do futebol português como o abandono de um dos mais talentosos jogadores de futebol que Portugal e o mundo conheceu. Rui Costa, internacional português formado nas escolas do SL Benfica, com passagens pela Fiorentina e pelo Milan e emprestado à nossa A.D. Fafe em 1990/91, vai terminar a carreira no clube que o viu nascer para o mundo da bola neste Domingo. Nunca escondeu que a sua aventura por Fafe o marcou em termos humanos e profissionais e, por isso, ficamos com uma entrevista concedida por António Valença, o primeiro treinador profissional de Rui Costa, aquando a sua passagem por Fafe e que recorda alguns momentos e curiosidades dignas de nota.


" No Verão de 1990, a cidade de Fafe não passava de um ponto excessivamente distante de Lisboa no mapa de Portugal. Pelo menos para Rui Costa, habituado ao conforto do centralismo e aos mimos das camadas jovens do Benfica.
Aos 18 anos, era altura de viver a primeira experiência no mundo do futebol sénior. Sem espaço no plantel desenhado por Sven-Goran Eriksson, Rui Costa recebia com desconfiança um convite de António Valença, na altura técnico da Associação Desportiva de Fafe.
Ao Maisfutebol, aquele que se tornaria no primeiro treinador de Rui Costa enquanto futebolista sénior, recorda esses tempos do «maestro».
«Ele nem sabia onde ficava Fafe. Ficou muito indeciso perante o nosso convite. Aliás, o pai dele chegou a confessar-me que o Rui não queria vir para o Minho», relembra o técnico que, naturalmente, não desistiria à primeira do médio.
«Tinha-o visto a jogar num F.C. Porto-Benfica em juniores e fiquei encantado. Depois de muitas conversas, lá o convenci a vir à Póvoa de Varzim ver-nos a jogar num torneio de pré-época.»
A reacção de Rui Costa não poderia ter sido melhor. «Depois do jogo com o Sp. Braga, senti que já era nosso atleta. Foi ao balneário, festejou connosco o triunfo e conquistou de imediato toda a gente», sublinha.

Alcançado o improvável acordo entre o Fafe e Rui Costa, faltava perceber como reagiria o miúdo à nova realidade. Um adolescente lisboeta, isolado numa pequena cidade minhota, ao serviço de um humilde clube da II divisão tinha tudo para não dar certo.
Mas a personalidade e o talento do «maestro» contrariaram as probabilidades. No final da temporada, os números confirmaram-no: 38 jogos, seis golos e campeão do Mundo de sub-20 em Lisboa.
«Os pais dele foram inexcedíveis. Quase todas as semanas vinham a Fafe. Deram-lhe o equilíbrio que precisava. Depois, no campo, fez o que esperávamos. O campeonato era muito competitivo e o Rui cresceu muito», recorda o antigo treinador António Valença.
Mas ele já não gostava de ficar no banco de suplentes. E na única vez em que isso sucedeu, houve lágrimas. «Fomos jogar a Mirandela e decidi deixá-lo de fora. Começou a chorar e a dizer-me que era injusto. Enfim, lá se acalmou e a verdade é que entrou e decidiu tudo com um golo», conta com emoção.
E nem a verdura dos 18 anos tolheram as capacidades do antigo internacional. «Era já um jogador muito fino, com pés de veludo. Retraía-se no contacto físico, mas até nesse aspecto melhorou. E mesmo sendo o mais jovem do plantel, começou a ser ouvido com respeito por todos», vinca António Valença.

Em Fafe, a vida de Rui Costa era simples. Entre o Parque Municipal de Desportos, o seu pequeno apartamento e o café que frequentava, o jogador lá foi arranjando formas de passar o tempo.
«Juntávamo-nos todos num café da cidade e tínhamos um ambiente familiar. No fim da época, ele foi ao Campeonato do Mundo de sub-20 e muitos de nós seguiram-no em todos os jogos», afirma o antigo treinador António Valença.
Agora, só falta mesmo levar Rui Costa à cidade onde desabrochou para o futebol profissional. O jogador do Benfica nunca mais voltou a Fafe, mas em breve receberá um convite oficial para o fazer.
«Há um grupo de antigos colegas do Rui Costa que está a preparar uma festa de homenagem em Fafe. Espero que ele volte cá e reveja uma cidade que foi muito importante em determinado período da sua vida.»


In http://www.maisfutebol.iol.pt/, 29/03/2008, Pedro Cunha

23 abril 2008

"Jóia da cidade volta a brilhar"


Foi este o título que o diário "Correio do Minho" escolheu para um artigo acerca da recuperação do Cine-Teatro que entrou recentemente em obras de restauração.
A sua reconstrução e ampliação trará à cidade uma nova centralidade cultural, com um conjunto de obras dedicadas à cultura. O projecto global estará pronto dentro de três anos.

"Nasceu pelo impulso de um ilustre fafense e durante 58 anos foi palco de espectáculos de teatro, música e cinema. Importantes reuniões e decisões foram tomadas pelas individualidades da época neste imóvel, que caiu no ‘esquecimento’ durante os últimos 27 anos. Foi em 1923 que José Summavielle Soares mandou erguer o Teatro-Cinema de Fafe, um dos principais motivos de interesse arquitectónico da cidade, constituindo para a época da sua abertura um importante marco cultural, tendo sido considerado um dos melhores teatros do norte do país.
A peça de teatro ‘O Grande Amor’, pela Companhia Aura Abranches, marcou a inauguração do belo edifício em 10 de Janeiro de 1924. Com o passar do tempo, o edifício foi-se degradando e deixou de ter condições para a exibição cinematográfica, pelo que foi encerrado ao público em 1981, por determinação da Direcção Geral de Espectáculos, por ameaçar ruína.
Depois de longas negociações, a Câmara Municipal de Fafe conseguiu adquirir o imóvel em 2001 por 2,5 milhões de euros. O processo para a recuperação concluiu-se em 2007 e, no princípio deste ano, a empreitada de recuperação e ampliação foi adjudicada à empresa Casais por 4.175.111 euros.“A realização desta obra traz uma grande satisfação a este executivo”, disse em entrevista ao ‘Correio do Minho’, o presidente da câmara, José Ribeiro, o rosto da reconstrução e ampliação do Teatro-Cinema da cidade. Trata-se do património mais significativo da cidade que vem “reavivar a memória dos fafenses”.A aquisição do edifício “foi difícil mas agora temos mais um espaço cultural de grande qualidade e gabarito” acrescentou, afirmando que o Teatro-Cinema de Fafe pretende ser uma “mais valia para Guimarães – Capital Europeia da Cultura”.
Até ao momento, a autarquia não tem “nenhum sinal” do Governo no que toca ao financiamento da obra, mas dentro em breve o autarca de Fafe deve reunir-se com o novo ministro da Cultura para que o sonho “de há dez anos se torne realidade”. “Vi esperança na ex-ministra Isabel Pires de Lima”, desabafou José Ribeiro. Até ao final do ano o espaço vai ser recuperado e a inauguração será feita com a ‘prata da casa’. “Quem merece estrear o Teatro-Cinema são os artistas de Fafe”, garantiu.
A empresa municipal Naturfafe será a gestora do imóvel. Para além da reconstrução, o espaço será ampliado para a instalação de um edifício para apoio técnico às actividades do Teatro-Cinema, a instalação da Academia de Música José Atalaya e um estúdio de cinema.O espaço tornar-se-á num centro cultural, que se quer “dinâmico e de grande utilização”. A cidade ganha, assim, uma nova centralidade cultural, com um conjunto de obras dedicadas à cultura, cujo projecto global estará pronto dentro de três anos.
Outra das novidades será a construção de um estúdio de cinema que nascerá nas imediações do Teatro.
As obras de recuperação e ampliação do Teatro-Cinema arrancaram no início deste mês, “tentando preservar ao máximo a estrutura original”, disse ao ‘Correio do Minho’ um dos arquitectos responsáveis pelo projecto, Gonçalo Louro. A obra divide-se em duas partes, designadamente a recuperação integral do edifício com uma sala de espectáculos com capacidade para 400 lugares (plateia e camarotes), salão nobre, e a entrada com bengaleiro; e ainda a ampliação, que compreende uma entrada para exposições, uma sala de cinema com 150 lugares, camarins e o edifício onde será instalada a Academia de Música José Atalaya.
Os trabalhos estão a ser efectuados em simultâneo no interior e no exterior do edifício, sendo que o empreiteiro tem oito meses para executar a obra. “Vamos criar fachadas novas e os três alçados que faltam” para “optimizar o restauro”, explicou ao ‘CM’ Gonçalo Louro, que efectuou o novo traçado em co-autoria com o arquitecto António Guedes.
Recorde-se que concorreram a esta empreitada, cujo prazo de execução previsto no caderno de encargos era de 360 dias, seis firmas ou consórcios nacionais e uma empresa espanhola, as quais, no seu conjunto, apresentaram treze propostas. As obras tiveram início há cerca de duas semanas, devendo prolongar-se até ao final do ano.
Todo o conjunto do Teatro Cinema será devidamente recuperado no âmbito das obras agora iniciadas, para que o imóvel possa ser devolvido aos fafenses no seu máximo esplendor. Em redor do Teatro-Cinema de Fafe será construído um novo edifício que deve acolher outras estruturas culturais. Àquele espaço regressarão inúmeros espectáculos de teatro, projecções de filmes e festas de diversa índole".
In "Correio do Minho", Vera Batista Martins

22 abril 2008

"Fafe - 30 anos de poder local"


Mais uma vez, com a edição da C.M. Fafe, foi editado um livro sobre o nosso concelho da autoria de Artur Coimbra. O aspecto mais interessante do mesmo é a história e os momentos que estão por detrás da construção de alguns dos principais monumentos e obras estruturantes do concelho após o 25 de Abril como são o caso das escolas EB2,3 e a Secundária, o Pavilhão e a Piscina Municipais, a Estação de Tratamento de Águas Residuais, a Casa Municipal de Cultura, o Instituto de Estudos Superiores de Fafe, o Mercado Municipal e a feira Semanal, a Central de Camionagem, a Barragem de Queimadela, a Zona Industrial do Socorro, a Via Circular, os museus, a Academia de Música José Atalaya, o Parque da Cidade, o Pavilhão Multiusos, a Escola de Trânsito, o Parque Eólico das Terras Altas de Fafe, o gás natural ou a Biblioteca Municipal, por exemplo.
Um livro interessante que pode ser consultado e adquirido na Biblioteca Municipal.

07 abril 2008

Recuperado o Moinho de Aboim


"Os moinhos são marcos da paisagem e um património que tem de ser preservado e cada vez mais potenciado", afirmou Jorge Miranda, presidente da Rede Portuguesa de Moinhos. Há mais de 30 anos ligado à milonologia, este apaixonado da causa dos museus não tem dúvida que a aposta neste tipo de estruturas é importante para alguns sectores do turismo em Portugal. "É uma excelente oportunidade de negócio para pequenas freguesias que a partir de um moinho recuperado pode gerar mais-valias", explicou. O facto de transformar uma coisa velha num valor acrescentado já está, segundo Jorge Miranda, a atrair alguns investimentos que se têm mostrado lucrativos. Aliás, a parceria entre as autarquias, as empresas privadas e os fundos comunitários é vista pelo presidente da Rede Nacional como a "trilogia perfeita" para fomentar o interesse das massas pelos moinhos. "A junção destes factores é essencial para um desenvolvimento sustentável e há cada vez mais empresas, com pessoas jovens e alguns estrangeiros, a dinamizar e a explorar turisticamente os moinhos". Jorge Miranda falava do futuro dos moinhos em Portugal à margem da apresentação do moinho de vento em Aboim, Fafe. Um exemplar raro por se situar num local onde são mais frequentes os movidos a água e que foi construído em meados da década de 20 do século passado. "O que se está a fazer em Aboim é paradigmático do que se deve fazer no país", disse o especialista Jorge Miranda. A recuperação do moinho custou cerca de 100 mil euros e a Autarquia fafense contribuiu com cerca de metade. Um investimento que é visto pelo presidente José Ribeiro como uma forma de "criar um pólo importante para atrair visitantes a uma pequena terra, mas que tem enormes potencialidades turísticas". Para António Novais, presidente da Junta de Aboim, esta é uma forma "de começar a pensar em criar algumas estruturas para albergar turistas numa terra que se quer afirmar cada vez mais no turismo rural da região".


In JN por "Carlos Rui Abreu"

29 março 2008

Exposição Traços da Emigração Portuguesa em Fafe



Entre 15 de Março e 30 de Agosto, está patente na Casa Municipal de Cultura de Fafe a exposição designada “Terra Longe, Terra Perto – Traços da Emigração Portuguesa”, organizada, em parceria, pelo Museu da Presidência da República e pelo município de Fafe.
São mais de uma centena de objectos, de maior ou menor relevância, ligados à emigração portuguesa entre finais do século XIX e os anos 80 do século passado.
No primeiro dos núcleos, podem apreciar-se as malas, arcas, passaportes, cartas de chamada, violas, concertinas e outros objectos que os emigrantes levavam quando saíam das suas terras, atravessando o Atlântico ou os Pirinéus.
O núcleo temático “Diálogos” inclui objectos e fotografias relacionadas com a situação dos emigrantes nos países de acolhimento. Os clubes recreativos, as irmandades religiosas, as bandas filarmónicas, os ranchos folclóricos, as delegações dos três maiores clubes do futebol português constituíam as modalidades mais recorrentes de organização recreativa das comunidades portuguesas. “A vida lá fora” é a linha condutora que atravessa esse núcleo, onde se rememoram as festas religiosas (com destaque para as festas do Divino Espírito Santo, dos Santo Cristo dos Milagres e a devoção a Nossa Senhora de Fátima), casamentos, procissões e outros eventos sociais, onde os emigrantes reinventam a tradição, celebrando a sua identidade. É um espaço de convivência e interpenetração cultural com os povos que os recebem. Neste núcleo, sobressaem, além dos religiosos, objectos desportivos originais: o troféu do Campeonato Nacional de Futebol ganho pelo Benfica, na época de 1964/65; a taça do Troféu Dia de Portugal, vencido pelo Sporting em 1988, em Providence (Estados Unidos); uma foto do célebre golo de Madjer, na Taça dos Campeões Europeus e uma camisola da selecção nacional de futebol.
Um último núcleo, aborda os “regressos” e o que os emigrantes trazem quando retornam à sua terra de origem, em que investem parte das suas poupanças, modificando activamente a paisagem social e cultural local. Peças decorativas, serviços de jantar e de joalharia, originários de vários países, atestam as memórias de outras terras no quotidiano da terra natal. Para além de objectos pessoais e decorativos, a mostra integra muita documentação, que espelha as várias fases do universo migratório.
A exposição integra ainda diversas obras de arte relacionadas com a emigração, de nomes sonantes das artes plásticas portuguesas, como Paula Rego, Almada Negreiros, Júlio Pomar, Vieira da Silva, José Malhoa e Stuart Carvalhais, entre outros.
O longo tempo de permanência da exposição, que se enquadra no esforço de afirmação do projecto do Museu da Emigração e das Comunidades Portuguesas, sedeado em Fafe, permitirá que seja visitada pelas escolas do concelho e da região norte, marcada pelo fenómeno emigratório e bem assim possibilitará que nos meses de Verão possa ser vista pelos muitos emigrantes que regressam à terra natal, para gozo de férias.
A exposição evidencia, enfim, a representação artística da emigração e a expressão cultural e afectiva dos emigrantes e das suas comunidades, sendo o seu espólio cedido por museus públicos e privados, assim como particulares, de todo o país, estando também em exibição interessantes documentos e objectos provenientes do concelho de Fafe, pertença de particulares (com destaque para a Família Leite de Castro), de instituições e empresas ou do próprio Museu da Emigração e das Comunidades.

14 março 2008

A história do Hospital de Fafe


Fafe prepara-se para ter nos próximos anos um novo Hospital a ser instalado em terrenos próximos do cemitério municipal. Mas, como muitos edifícios da nossa cidade, os "brasileiros" fafenses foram determinantes para a construção do actual e que importa conhecer um pouco da sua já centenária história.
Assim, o edifício do Hospital de Fafe é uma réplica arquitectónica de outro, existente no Rio de Janeiro. Foi um grupo de emigrantes residentes na cidade do Rio de Janeiro que decidiu, em 8 de Abril de 1858, promover a construção, na Vila de Fafe, de um Hospital de Caridade. Numa primeira fase, albergava apenas uma enfermaria para atendimento de doentes que não tinham possibilidade para serem tratados em casa, vindo posteriormente a alargar as suas instalações e melhorar os seus serviços.

A edificação deste imóvel resultou da iniciativa sobretudo do Dr. Miguel Soares e do seu filho José Florêncio Soares e do caridoso apoio dos "brasileiros" fafenses que, ficaram encarregues de angariar fundos para o mesmo. Viria também a ter o apoio da autarquia que cedeu o terreno.

Em 6 de Janeiro de 1859 foi inaugurada o lançamento da primeira pedra e, em 19 de Março de 1863 é inaugurada a primeira fase de construção.
A Irmandade de São José ou da Misericórdia foi fundada em 23 de Março de 1862, com a finalidade de o administrar, conforme o que estava determinado pelo comissão de donatários e fundadores.
A inauguração foi celebrada com pompa e que o jornal do Comércio do Porto deu notícia:

«Abre-se Quinta Feira em Fafe a parte do hospital que se acha feita e com capacidade para receber nove doentes. Este estabelecimento de caridade deve-se aos esforços de alguns cavalheiros de Fafe e muito particularmente ao Sr. José Florêncio, que tem sido incansável em promover os meios para levar a efeito um tão útil como humanitário estabelecimento. [...] Na Quinta Feira à noite dá o Sr. Florêncio, distinto cavalheiro de Fafe, um esplêndido baile. A casa do Sr. Florêncio é das mais lindas da Fafe e o salão de baile é magnífico»

«O Comércio do Porto», Porto, 21/3/1863

09 fevereiro 2008

Apontamentos acerca do Povoado Arqueológico de Santo Ovídio


Uma das razões para a presença de vestígios arqueológicos no lugar de Santo Ovídio, no nosso concelho, prende-se com a localização próxima da larga e fértil bacia do rio Vizela, com solos de excelente aptidão agrícola, favorável a culturas arvenses, quer de sequeiro, quer de regadio. Entre 1980 e 1984 foram realizadas amplas escavações neste povoado, sobretudo na base da vertente leste do monte. Estes trabalhos, da responsabilidade de Manuela Martins da unidade de arqueologia da Universidade do Minho foram integralmente subsidiados pelo município de Fafe. Embora conhecido desde os finais do séc. XIX, devido à descoberta de uma estátua de um guerreiro galaico em 1876, hoje exposto no Museu Martins Sarmento em Guimarães, este povoado só viria a ser escavado na década de 80 do século XX na sequência da abertura de um estradão na plataforma da base do monte, onde viriam a ser descobertos importantes vestígios arquitectónicos datáveis da última fase de ocupação do povoado. Com excepção da plataforma do topo, hoje muito destruída pela implantação de um santuário e das plataformas de base do monte, não se reconhecem outras plataformas bem desenvolvidas, limitadas por muralhas, como acontece noutros castros do Norte de Portugal. Aparentemente, numa fase antiga, o povoado teria o seu núcleo de ocupação principal na coroa do monte e nas pequenas plataformas limítrofes, certamente circundadas por simples muretes. Os vestígios actualmente conservados não permitem afirmar a existência de uma linha defensiva envolvendo todo o monte, observando-se, apenas, evidências de uma única muralha nos lados oeste, norte e noroeste do monte. As estruturas defensivas não parecem, assim, ter assumido grande importância na vida deste povoado. Este revela, contudo, a particularidade de possuir um fosso defensivo, identificado pelas escavações na base da vertente leste, que poderia rodear total, ou parcialmente, a base do monte. Atendendo à forte inclinação das vertentes, e às reduzidas possibilidades que estas ofereciam para a implantação de casas, podemos considerar que o povoado possuiria, anteriormente ao séc. I a.C.,uma população reduzida.
O conjunto dos vestígios exumados nas escavações realizadas na plataforma de base da vertente Este permitiram evidenciar dois momentos da sua ocupação. Os vestígios mais antigos, anteriores ao séc. I a.C. resumem-se a um fosso defensivo que corria ao longo da plataforma, no sentido N/S e a um caminho de acesso ao povoado, que cruzava o fosso. Os vestígios mais monumentais correspondem a uma segunda fase de ocupação da plataforma, em que se regista o entulhamento e inutilização do fosso, bem como um extenso nivelamento do terreno para assentamento de várias casas, solos empedrados e canalizações. A cronologia desta fase de ocupação, sem dúvida a de maior pujança da vida do povoado situa-se entre os finais do séc. I a.C. e finais do séc. I da nossa era. De facto, a urbanização da plataforma da vertente leste do monte de Santo Ovídio, que se sucede a uma fase em que esta zona era periférica do núcleo de ocupação principal, possuindo apenas interesse defensivo, corresponderia a um momento de expansão e prosperidade do povoado situado na transição da era.

À luz dos resultados das escavações não são perceptíveis vestígios de romanização do povoado.

Salienta-se, em contrapartida, a presença de várias objectos de inspiração e fabrico romano, como fíbulas e alfinetes de cabelo, que testemunham intensos contactos comerciais no período de Augusto.

02 fevereiro 2008

Parque Eco-Empresarial em Fafe


Depois do Ecocentro, Fafe irá dispor, em breve, de um parque ecológico a ser construído no local onde ficará situado o novo aterro sanitário do Vale do Ave. O anúncio da abertura do concurso para o fornecimento do estudo prévio e projecto de execução já foi publicado em Diário da República. Este aterro terá ainda, um Parque Temático onde se incluem algumas valências como quinta biológica, jardim de resíduos, lagos e um serviço de compostagem caseira.

20 janeiro 2008

Porquê Fafe... ?!


O nosso concelho, outrora chamado Montelongo, passou a designar-se de Fafe e os motivos porque isso aconteceu não são certos e tem levado muitos autores a divergir nas suas fundamentações. Sabemos apenas que no século XVII já se fala na "villa de Fafe" e na designação de "Santa Eulália de Fafe" para referir a freguesia que era a sede do concelho.
Assim, são quatro as teorias:

- Leite de Vasconcelos e A. de Almeida associam o étimo "Fafe" a uma origem germânica baseados numa evolução dos nomes Fafi, Fafiz, Fafiiz, Fafilaz, Fafez, Fafias;

- Pedro Cunha Serra e Pedro A. Azevedo são da opinião que Fafe é de origem árabe, numa evolução dos nomes Falaf, Halafe, Falafe já que existem nomes de indivíduos com esta designação;

- Por outro lado, o topónimo Fafe pode ter derivado de D. Godinho Fafes, senhor da terra e filho de D. Fafes Luz, um homem rico e alferes-mor do Conde D. Henrique;

- Por fim, existe uma outra tese que faz ramificar o étimo "Fafe" num pássaro existente nesta região no passado, um pisco-chilreiro de nome "Dom Fafe".

Seja qual for a tese certa para a origem do nome do nosso concelho, a designação de Fafe aparece muito tarde, quando a população já levava muitos séculos de existência.

02 janeiro 2008

Fafeeduca - O portal dos educadores de Fafe na Net


O centro de competências CRIE da Cercifaf, na sequência de um protocolo celebrado com a Câmara Municipal desenvolveu dois espaços na Internet (um portal e uma plataforma Moodle), tendo como finalidade a promoção e o apoio à utilização educativa das TIC nas escolas do concelho, especialmente entre os os educadores dos jardins de infância e dos professores do 1º Ciclo do Ensino Básico.
As escolas têm a oportunidade de contribuir com notícias, iniciativas ou artigos que poderão ser colocados directamente pelos próprios professores no site http://www.fafeeduca.net/, enquanto que na plataforma moodle (www.fafeeduca.net/moodle) que é um sistema de gestão de aprendizagem e de trabalho colaborativo, os professores e educadores podem criar cursos on line, páginas de diversas disciplinas, grupos de trabalho e comunidades de aprendizagem.
Um bom espaço para os professores do nosso concelho e não só, usufruírem de um meio de comunicação mais eficaz, partilhando experiências e conhecimentos para que possam melhorar as suas práticas lectivas.