11 setembro 2010

Arcada


Qualquer aldeia, vila ou cidade possui em si, para encontrar e ser encontrada, um marco arquitectónico, uma valência maior, uma força marcante do seu espaço. Fafe está muito ligada à Arcada, o seu centro, o seu coração e o seu significado. Com o passar do tempo, qual ser humano em varias operações, sofreu as suas obras de restauro, modificação e adaptação a uma população que ia crescendo mas tinha sempre em mente manter a sua raiz bem marcada.
Quando nos visitam, apresentamos sempre a Arcada como se fosse uma bela sala de estar! Sejam as casas brasileiras, seja o ladrilhado do chão, é aqui que damos ao visitante um pouco do melhor que a cidade pode oferecer. Nesses metros quadrados traçam um retrato robô da outrora Montelongo e levam nas suas mentes a ideia real e a qual queremos transmitir. Uma cidade nova, acolhedora e que se desenvolva! Que a Arcada continue a ser um bom espelho e que a preservemos e mantenhamos sempre a identidade cultural. Fafe somos nós!

João Castro

08 setembro 2010

Projecto "Juventude 2010"


O Município de Fafe convida todos os interessados a assistir à sessão final do Projecto "Juventude 2010: 100 anos, 100 ideias para participar”, a ter lugar no Salão Nobre da Câmara
Municipal de Fafe pelas 09h00 no dia 11 de Setembro (Sábado). Este projecto insere-se no
programa de comemorações do centenário da implantação da República em Portugal, realçando a necessidade de auscultação dos anseios dos jovens no âmbito de uma planificação participada de
políticas municipais de juventude, e conta com a presença da bolsa de formadores do Conselho Nacional de Juventude (CNJ), a mais experiente equipa em Portugal no sector.

Para mais informações: www.wix.com/juventudecmf/fafe

06 setembro 2010

Cine Teatro SETEMBRO

EM DESTAQUE: "Lena D`Água" - Viagem Musical aos Anos 80, Os maiores êxitos da cantora acompanhada pelo guitarrista Tahina.
Dia 25, 21:30h, Preço: 5 Eur
Toda a programação em http://teatrocinefafe.blogspot.com

03 setembro 2010

Respeito !!


Tenho uma solicitação de amizade de uma página Facebook titulada "Costinha Fafe" que vou recusar.
Para quem não sabe, o Costinha é uma pessoa especial, figura emblemática das ruas de Fafe, igual a tantos outros de outras tantas terras portuguesas, que noutros tempos caía na categoria dos loucos da terra e que agora, muito mais justamente, apelidamos de pessoas com deficiência, embora as mais recentes abordagens recusem esta designação optando pela diferença. Pessoa diferente portanto!
Diferente pelo menos ao ponto de não conseguir dominar as ferramentas necessárias ao registo e à manutenção de uma página pessoal no Facebook. Incapaz de compreender as subtilezas da vida moderna, analfabeto e certamente, muito seguramente, ignorante do funcionamento, e da utilidade pessoal, destas e outras redes sociais com plataforma na internet.
Sei que tudo é, quase tudo, permitido na rede, mas exijo para mim e para com quem me relaciono um respeito profundo pelo ser humano. Senão bloqueio e denuncio!
Também aqui há que haver sanções ao mau comportamento, ao desvio e ao desrespeito pelos outros. E é isso que nesta construção não cabe o respeito que o Costinha nos merece. Não faço a mínima ideia de quem foi a originalidade desta página, nem a motivação que o(s) anima, que até pode ser perfeitamente benévola, de simpatia pela pessoa em causa, mas lembro ao arquitecto de tal página que o Costinha, tal como todos nós, é detentor de pleno direitos relativos à integridade da sua imagem, personalidade e identidade. Tudo aspectos que são violados pela página em questão!
Deixo aqui um apelo ao autor de tal mau gosto, ponha-lhe um fim em nome dos princípios que enunciei, e que são garantidos legalmente para mim, para si e para os seus, como quero que sejam para o Costinha.

Para consulta rápida, para se perceber do que estou a falar:

http://pt-pt.facebook.com/people/Costinha-Fafe/100001483511154

http://www.facebook.com/terms.php?ref=pf

Albino Costa

30 agosto 2010

A ADDAF e o Voluntariado em Fafe


Decorreu nos passados dias 14 e 15 de Agosto mais uma campanha de angariação de alimentos para animais, na qual a ADDAF, colaboradora (e verdadeira impulsionadora) do canil municipal, participou activamente, promovendo a iniciativa. Durante a campanha, foram ainda colocados, na parte exterior do Intermarché (local onde decorreu), animais do canil para adopção.
Como voluntária neste tipo de campanhas, ainda que recentemente, senti-me no dever (moral) de escrever sobre o assunto. De facto, as pessoas vão sendo generosas e os resultados não são de todo maus. Mas é também verdade que o respeito pelos voluntários é muito pouco. As pessoas que nós “chateamos” esquecem sobretudo que estamos ali por (e apenas por) amor, muito amor aos animais. Muitos voluntários abdicam do seu fim-de-semana para poderem estar ali, ainda que por umas horas, a fazer de “chato”. É penoso. Eu não gosto… Mas gosto muito de ajudar os animais e por isso levanto-me cedo ao Sábado ou ao Domingo e enfrento umas horitas a ouvir os outros dizerem que “há muitas criancinhas a morrer à fome e vocês aí a pedirem para os animais!”.
Minha gente, permitam-me, quando quiserem trocar de lugar é só dizer. É preciso um pouco mais de respeito pelos voluntários deste país. É efectivamente preciso ser-se voluntário para compreender!
Ainda assim, muito obrigado a todos os que ajudaram e àqueles que, ainda que não tenham ajudado, deram uma palavra simpática e se dignaram a simplesmente dizer que “não dá”. Uma palavrinha ainda às entidades municipais para que haja uma maior sensibilidade por esta causa. Tratar dos animais também é preciso! E fica sempre bem…

Sofia Rodrigues

P.S. - Quem estiver interessado pode ser sócio do canil por uns simbólicos 12Eur anuais. Podem salvar vidas, ainda que a ADDAF tenha já, com os seus poucos meios, evitado muitos abates! São pessoas a quem devemos tanto sem saber, porque tratam dos nossos animais e, afinal de contas, “limpam as ruas”! VOLUNTÁRIOS PRECISAM-SE. Visitem-nos em http://www.addaf.com

25 agosto 2010

Desporto no Multiusos


Nos próximos dias, o Pavilhão Multiusos recebe dois acontecimentos desportivos relevantes. Amanhã, joga-se um jogo de apuramento para o Campeonato de Europa de Basquetebol com a presença da Selecção Portuguesa. Sexta e Sábado realiza-se o primeiro Torneio de Futsal da Cidade de Fafe com a presença de equipas da 1ª divisão nacional, onde se destaca a presença do SL Benfica, actual Campeão Europeu da modalidade.

BASQUETEBOL - APURAMENTO PARA O CAMPEONATO DE EUROPA DE SENIORES

Quinta, dia 26 Agosto, 21:30h - Jogo Portugal / Geórgia

TORNEIO DE FUTSAL CIDADE DE FAFE

Sexta, dia 27 Agosto, 20:30h - Modicus / Fundação Jorge Antunes

Sexta, dia 27 Agosto, 22:15h - SL Benfica / Boavista

Sábado, dia 28 Agosto, 15:30h - 3º e 4º Lugares

Sábado, dia 28 Agosto, 17:30h - Final

23 agosto 2010

Fafe - A Sala de Visitas do Minho

Uma vídeo-reportagem sobre o nosso concelho em destaque no site MaisPortugal.Com

18 agosto 2010

A Língua e o Protocolo


Sempre que havia necessidade, desciam à vila as almas agrestes do alto do Concelho. Vinham nos seus carros de bois e com estes transportavam as agruras da realidade. Esta realidade, que actualmente gostamos de negar, marcava presença em todos os gestos e palavras. Sempre admirei esta gente. O esforço, a glória da luta face ao impiedoso tempo, fornecia-lhes legitimidade para o uso e abuso de certas palavras.
Normalmente o dizer «asneiras» cai mal. Não gostamos de ouvir um lisboeta burguês, normalmente migrante, a usar certos termos. «Foda-se» e «Caralho» é património nosso e só nas gentes que não negam a realidade fica bem o calão malcriado.
A minha Avó Florinda possuía defeitos e virtudes que a faziam uma Mulher. Uma das inúmeras virtudes, por profissionalismo mas também por ser uma idiossincrasia, consistia em receber bem essas gentes oriundas do alto do concelho. Nos idos anos 40 do século passado, refugiavam-se no Assento como primeiro poiso para a aventura na vila, geralmente para comércio de gado ou para resolução de outros problemas. Certo dia, uma mãe ciosa da sua tarefa, desconsolada pela frustrante aventura, dirigiu-se à minha avó dizendo que ao seu filho, com cerca de 7 anos, não fora possível «tirar a chapa» - vulgo radiografia – porque, nas suas responsáveis palavras, «o miúdo cagou-se». Como a prova é sempre exigida quando a realidade afecta, procurou a confirmação por parte do filho. Disse: «não foi filho, não te cagaste?» ao que o filho, educada e humildemente, como o protocolo exigia, respondeu: «caguei-me, sim, minha senhora».
Reparem na singela presença da postura educada e a correspondente realidade nua e crua. É o nosso protocolo.

António Daniel

16 agosto 2010

"A Minha Rua"


"A Minha Rua" permite a todos os cidadãos reportar as mais variadas situações relativas a espaços públicos, desde a iluminação, jardins, passando por veículos abandonados ou a recolha de electrodomésticos danificados. Com fotografia ou apenas em texto, todos os relatos são encaminhados para a Junta de Freguesia, que lhe dará conhecimento sobre o processo e eventual resolução do problema.
O município de Fafe também já aderiu a esta iniciativa e os cidadãos podem comunicar as mais variadas situações à Câmara Municipal ou à sua Junta de Freguesia através do seguinte endereço electrónico:

http://www.portaldocidadao.pt/PORTAL/aminharua/situationreport.aspx

11 agosto 2010

Uma Imagem a Rever


O nosso concelho não tem aparecido nas primeiras páginas da comunicação social pelos melhores motivos. Quando Fafe é notícia falamos na Ministra da Educação e nos “Ovos de Fafe”, no Bispo de Braga ou no Padre Lopes, nos Incêndios de Verão, em Tiroteio ou no Bruxo de Fafe...
As recentes polémicas em que nos envolvemos não fortaleceram a nossa imagem, antes pelo contrário. No caso do Padre Lopes e, apesar das duvidosas e manietadas reportagens televisivas, voltamos a dar uma imagem de um provincianismo e de uma fama de arruaceiros que tão cedo não nos livramos.
É muito importante mostrarmos o desagrado da população quando assim o entendermos mas também é de vital importância atentarmos à forma como o fazemos.
Hoje em dia, assume uma importância fulcral na sociedade e nas políticas públicas haver estratégias de comunicação que garantam não só uma informação e comunicação clara, como também a preservação de uma boa imagem.
Nesse aspecto, as nossas entidades mais representativas têm responsabilidades acrescidas. A imagem que, ainda hoje, as pessoas têm de Fafe não é a melhor e os epítetos “Sala de Visitas do Minho” ou o “Amor de Cidade” não promovem, isoladamente, uma ideia de cidade, nem tão pouco mudam a nossa “fama” de justiceiros. A estes chavões têm que estar associadas iniciativas verdadeiramente originais e diferenciadoras. Já aqui foi dito neste espaço que o futuro pertence a cidades criativas e capazes de inovar. Capazes de se diferenciarem, capazes de captarem novos públicos e de qualidade...
Estamos a ano e meio de termos uma cidade vizinha como Capital Europeia da Cultura. O grande impacto que terá na cidade de Guimarães este acontecimento ao receber artistas de grande nível europeu e mundial, espectáculos únicos, o envolvimento das pessoas, a promoção de uma região e de um destino turístico será benéfica para todos, inclusive para municípios limítrofes como Fafe.
Talvez seja uma boa oportunidade de promovermos o nosso concelho, de potencializarmos o nosso turismo rural, a nossa gastronomia, a nossa natureza e daí retirarmos ideias e, quem sabe, recebermos alguns espectáculos integrados nesse acontecimento. No entanto, para isso, talvez seja preciso investir seriamente numa nova política de comunicação aliada a um investimento em algo inovador que fortaleça a nossa imagem de um concelho rural mas moderno e criativo.
Parece-me que a imagem que promovemos de Fafe não é a melhor e há que mudar isso, caso pretendamos crescer, tanto turisticamente, como culturalmente.

Pedro Fernandes

08 agosto 2010

Programa da RTP emite em Fafe


O programa Verão Total, que preenche as manhãs da RTP 1 durante o período estival, vai ser emitido a partir da cidade de Fafe, no próximo dia 10 de Agosto (terça-feira), entre as 10h00 e as 13h00.
O programa, que terá como palco a Praça 25 de Abril, no coração da cidade, é apresentado por Tânia Ribas de Oliveira e Hélder Reis.
Como é usual neste tipo de emissões, durante três horas Fafe vai ser motivo de entrevistas e reportagens, nas suas potencialidades e realizações, nas áreas das actividades típicas, do empreendedorismo, das curiosidades, do turismo e da gastronomia, do artesanato, do associativismo musical, entre outras, a que não faltará, obviamente, a intervenção do Presidente da Câmara para enquadrar a actividade municipal.
A organização do programa gostaria que o maior número de fafenses participasse na emissão, a partir do centro da cidade.

04 agosto 2010

Pensando Bem...


Mais vezes que o possa parecer, tenho o hábito de utilizar o que de mais elementar nos distingue como seres humanos: a cabeça. Fi-lo, a respeito da “Gente da Minha Terra”. Parei para reflectir acerca de Fafe dos últimos tempos.
Então? Correu e corre toda a imprensa nacional a grandiosa notícia de que o reverendo Pároco de Santa Eulália de Fafe está em senda de retirada (por vontade doutrem) e os paroquianos em rota de colisão com o bispo que tal ordenou.
Nada me pode entristecer mais! (de momento note-se, porque a capacidade de me surpreender não se esgota nesta terra). Não pela saída do Padre em si. Mais padre menos padre, tanto me dá. Apesar de ter em abundante consideração o abade em questão, choca-me que a população da terra que considero minha, apenas se junte para tentar impedir a saída de um padre.
Fico incrédulo com uma notícia que sugere que foram recolhidas 6700 assinaturas pela não saída de um Padre desta cidade. Utilizando matemática similar: uma petição com este número de assinaturas, teria sido suficiente para levar a plenário da Assembleia da República assuntos como o do Serviço de Urgência de Fafe, que teria dado outra imagem que não a de uma fiel aceitação de tal medida encapotada por todos os quadrantes políticos ao abrigo saiba-se lá bem do quê. Não consigo deixar de que um assunto deste género e este tipo de incongruência me cause um enorme prurido. Avivo na minha memória o fim do comboio, da PT e EDP, a alteração do Serviço de Urgência, a construção da via rápida Fafe-Guimarães com apenas uma faixa de rodagem para cada sentido, fecho da maternidade, fecho da esquadra da polícia,entre outras afins. Porém, o padre é mais importante…
A ilação que retiro é que Fafe se contenta com piores serviços de saúde, piores serviços públicos, falta de assistência pública, em geral. Sossega-me que quando as pessoas estiverem para ser assaltadas ou gravemente doentes, neste concelho, terão a bondade de se dirigir a uma qualquer igreja, já que – aparentemente – funciona algo do género Loja do Cidadão, em que tudo se resolve. Fafenses com problemas, desde falhas na electricidade, filhos para nascer, tumores para tratar, contas para pagar ou com desavenças com os vizinhos, querem dirigir-se à paróquia da respectiva freguesia, ao que parece.
Reconheço que o Senhor Padre é uma figura de referência na freguesia, e não só. Empertiga-me, revolta-me a incoerência dos mesmos “crentes” (pelo menos nos dias de festa) que agora vistos na “manif”, há meia dúzia de anos, enxovalhavam, ainda que em cochicho – assumir em público é transgressão eclesiástica -, o mesmo Padre de mercenário, e outros nomes afins nada abonatórios. O sinal de construção de uma nova igreja numa época de deflação do número de praticantes (e ainda mais da economia nacional), acompanhada de um panfleto que percorreu todas as caixas de correio com uma frase do género “exijo às famílias 200euros” (não literal, mas em sinonímia) não foi de bom-tom, nem pacífico. Também, se esquecem situações como a de um tal inquérito, que interpreto como uma vontade ávida da igreja fafense se juntar à Direcção Geral de Impostos ou ao Instituto Nacional de Estatística, de tal profundidade económica era a informação requerida. Contudo, agora já tudo passou e os mesmos são todos muito amigos. Esta situação está-se – para mim – a assemelhar a uma daquelas típicas do festival da morte, em que após esta somos todos boas pessoas. Nesta situação, ninguém faleceu, pelo que a congruência opinativa se deveria manter. É injustificável que muitos dos críticos e não praticantes do “culto” se revejam em manifestações e demais formas de apoio quando, há não muito tempo, acusavam “disto e daquilo”. Situação que de tão hilariante só pode dar para rir.
Em suma, trata-se de uma questão de inversão de prioridades nestas gentes – e, bem pior, de falta de lógica e coerência - que não percebo, mas também reconheço que não me vou esforçar para perceber….
Urge utilizar o que de mais santo deus nos deu. O desuso crónico dos neurónios – este sim – um pecado.

João Coimbra

Ps: Não sou entendido de igrejas nem afins, mas ainda julgava que o culto da adoração da Igreja Católica era a Deus e não a um mortal, mas isto são contas de um rosário que não é o meu.

01 agosto 2010

Tesourinho Deprimente...













Caminho pedonal público em Arões S. Romão em uso há mais de 25 anos, transformou-se em Acesso Privado...

Luís Peixoto

27 julho 2010

Reino dos Céus


Não me vou preocupar em avaliar a justiça da destituição do Padre Lopes nem as reacções desencadeadas pela população. Já disse que respeito o sacerdote, nas suas mais variadas valências e virtudes. Interessa-me, somente, descortinar as razões subjacentes a essas reacções. Um leitor do blogue disse, e muito bem, que semelhantes manifestações justificar-se-iam em acontecimentos passados, tanto ou mais graves do que a saída do Pároco Lopes.
A figura do Pároco possuiu sempre uma importância vital em Fafe. O Cónego Leite de Araújo representou uma época, protagonizando medidas que, bem ou mal – julgo que mais bem que mal – marcaram indelevelmente os destinos de Fafe. Possuía liderança e protagonizava lutas políticas, justificadas pelos tempos «ideológicos» das décadas de 70 e 80. A partir daí, o pároco começou a funcionar como um referencial.
Este referencial apresentava-se de acordo com duas nuances: primeiramente, revestia-se de um referencial culto, o que lhe dava um substancial poder sobre os partidos de esquerda que, apesar do apoio popular, nunca possuíam uma verdadeira inteligentzia; por outro lado, nos partidos de direita granjeava respeitabilidade e, até, um poder paternal. Curiosamente, seria este poder paternal que lhe forneceria legitimidade popular. O pai é tanto mais forte quanto menos disser. A dicção do Cónego era tão fraca que as pessoas pouco percebiam as homilias, mostrando-nos que mais importante do que a matéria é a forma do que é dito.
Com uma herança destas, o Padre Lopes «movia-se» bem, apesar da tarefa não ser fácil em virtude da herança. Muito «terra-a-terra», com discurso acessível, tornou-se, aos poucos, filho do povo e, simultaneamente, frequentava os círculos ditos cultos. Havia, e há, uma unidade convergente na sua pessoa, como bem se viu nos protestos.
Estas formas do exercício do poder eclesiástico promoviam a ideia fundamental do catolicismo: a unidade. As pessoas de Fafe, e possivelmente do resto do país, gostam disto. Gostam de protecção e de alguém que pense e execute por elas. Não me refiro pura e simplesmente ao espírito do «rebanho», mas à forma patriarcal com que os representantes eclesiásticos exercem as suas funções. Perdendo-se o pai, perde-se o norte.

António Daniel

17 julho 2010

Mobilização


É o assunto dominante nas conversas em Fafe e o mesmo está a despertar o interesse da comunicação social e a mobilização dos fafenses como há muito tempo não se via. O Padre Lopes poderá estar de saída e a população não se conforma com a decisão do Bispo de Braga. Correm abaixo assinados, há grupos no Facebook a exigir a permanência do pároco, uma comissão fafense foi recebida no paço episcopal de Braga e está agendada uma manifestação para Domingo, às 11 horas, aquando da realização da missa na Igreja Nova.
Tudo isto porque os fafenses não querem o Padre Lopes fora de Fafe!

14 julho 2010

Pontapés

http://montelongodesportivo.blogspot.com/2010/07/parcidio-cabral-lidera-regresso-do-gd.html
Quando li esta notícia fiquei com a sensação que Parcídio quer, definitivamente, afirmar-se como um sério manager. O Regadas, com todo o respeito que me merece, não tem o direito de rivalizar com as actividades políticas de Parcídio. Ou muito me engano, ou parece haver uma instrumentalização do Regadas para retirar Parcídio das «movidas» políticas. Não será leviano, até, pensarmos em alguma estratégia menos escorreita do PS para retirar Parcídio da corrida do poder. Não me parece que a exigência desportiva de uma 2ª divisão distrital seja compatível com a produção política de Parcídio. Ou será que Parcídio quer atacar Regadas? Sim, Maquiavel defendia que a melhor forma de conquistarmos um povo seria proteger a sua actividade cultural. Ao respeitar o futebol de Regadas, Parcídio está a respeitar o povo de Regadas. Bom, o certo é que Parcídio faz o que bem lhe apetece, o que abona a seu favor e lhe dá uma aparência romântica.

António Daniel

10 julho 2010

As Festas da Cidade 2010

Já arrancaram, neste fim de semana, as celebrações das Festas da Cidade de Fafe em honra de Nossa Senhora de Antime. O Programa oficial, com menos dinheiro que anos passados, cumpre a tradição. Para além das festividades de cariz mais religioso, existe uma animação musical "eclética", o tradicional fogo de artifício, animação de rua e a promoção da nossa gastronomia local.
Afinal, o que tem de bom e de mau o programa deste ano? O que deveria ser melhorado nas próximas edições? O que faz falta e o que poder-se-ia evitar?

07 julho 2010

Teatro Cinema de Fafe


Uma cidade sem história é como um porto sem embarcações! A sua existência reduz-se ao momento, ao instante perene, em que o costume não se enraíza, a vontade não transborda e o marasmo mais tarde ou mais cedo começa a existir!
Não sou do tempo, em que os jovens como eu brincavam no Teatro Cinema de Fafe! Sentado na esplanada de um café, oiço histórias deliciosas dos mais velhos, retratando as pequenas travessuras que se realizavam naquele espaço emblemático, entre duas jogadas de futebol e os primeiros namoricos. Nos olhos desta gente vejo saudade, muita falta desse orgulho lusitano, espelhado na carência da obra que foi o ex-líbris da cidade. O cineteatro engalanava-se para assistir às peças teatrais, as senhoras ornavam-se dos seus melhores vestidos e os cavalheiros aprumavam o seu melhor fato, ali os amigos reviam-se, as experiências da vida circulavam, a História construía-se passo a passo, algures naquele local a alegria das pessoas, de forma mágica as preparava para uma semana de trabalho muito melhor!
Passados muitos anos, o Teatro Cinema reabriu! Sentado na esplanada de um café, vejo os olhos esfuziantes de contentamento dos mais velhos, ao constatarem que a sua pedra filosofal voltou a existir. Reparo nas lágrimas de alegria, nas vivências que se pretendem repetir, constato que os mais velhos passam mensagem aos mais novos. Que usufruam, que cuidem e que preservem este nobre espaço da cidade. Como ele está belo, monumental, esplêndido, por todos os seus poros respira-se cultura, história e contentamento! Obrigado Fafe! Obrigado às gentes que trabalharam nessa reconstrução, em cada pedra que recolocaram, cada material que utilizaram, foram escrevendo a gesta, compondo milhares de sorrisos aos Fafenses, com o vosso suor e dedicação, fizeram renascer das cinzas a menina dos nossos olhos!

João Castro

04 julho 2010

Empreendedorismo e Inovação


A SMS - Soluções de Mobilidade Sustentável "vai começar a fabricar, já este mês de Julho", o Little Four, o primeiro carro eléctrico produzido em série em Portugal", revela Fabien Macaire, gerente da empresa sedeada em Fafe.
Os primeiros dez veículos serão exportados para França, no âmbito de "uma encomenda de 20 carros, a fornecer até final do ano", acrescenta o responsável.
As duas dezenas de viaturas representam "metade das vendas previstas para este ano". Em 2011 a empresa prevê aumentar "a produção para 140 carros".
Fabien Macaire falou à agência Lusa em Conímbriga, onde a empresa apresentou o Little Four, no âmbito de um seminário com que a ISA (Intelligent Sensing Anywhere) comemora o 20.º aniversário e assinala o "arranque oficial" do seu laboratório vivo (living lab).
Embora o motor seja importado de França, o Little Four incorpora "65% de componentes de fabrico nacional", diz Carlos Ramos, também gerente da SMS.
Com um desenho que faz lembrar os velhos Mini Moke ou Méhari, o Little Four surgirá, para além deste, com os modelos fechado (também com dois ou quatro lugares) e comercial, cujo fabrico será iniciado em Setembro.
O modelo comercial é uma das "maiores apostas" da SMS, pois, como afirma, à Lusa, Carlos Ramos, as suas "características reúnem condições para servir as necessidades das empresas", designadamente, das que operam em meios urbanos.
"Homologado como quadriciclo pesado", este carro eléctrico tem uma autonomia de 100 quilómetros. A carga total da bateria demora cerca de quatro horas (carga rápida) ou seis a oito horas (carga lenta), acrescenta Carlos Ramos.
"Com tarifa bi-horária, um carregamento completo, feito durante a noite - que dá para percorrer cem quilómetros - custa 80 cêntimos", frisa.
Além de poder ser abastecido através da rede geral de energia eléctrica que serve as habitações, este veículo também irá dispor de pontos de carregamento públicos. No final do ano deverão estar em funcionamento cerca de 300 postos, no âmbito do Mobi-e, programa de mobilidade eléctrica lançado, em Portugal, em 2009.
Com o preço de venda ao público de quase 15.000 euros, o Little Four, distribuído pela empresa portuense Ecoveículos, terá uma rede nacional de agentes, para garantir a sua assistência, embora esta "seja muito menor e mais simples do que a exigida pelos veículos tradicionais", garante Carlos Ramos.
Envolvendo um investimento da ordem dos 2 milhões de euros, com "uma capacidade instalada par produzir 35 carros por mês", a SMS resulta de uma parceria entre o engenheiro e investidor francês Fabien Macaire e das empresas Norchapa, de Fafe, e ISA, de Coimbra.

In www.oje.pt/noticias/negocios
02/07/2010

01 julho 2010

Fafe Espoliado do seu Passado


O concelho de Fafe, como tantos outros desta região minhota, é fértil em vestígios arqueológicos que testemunham a passagem e fixação humana desde a Pré-história à Idade Moderna.
Ao longo do tempo, aqui e ali, surgiram achados fortuitos de tipologia e cronologia diversos. Estes espólios de enorme valor científico e cultural foram sistematicamente desviados da sua origem, sendo que Fafe vê-se hoje despojada de um rico acervo arqueológico que, há muito, deveria constituir um espaço museológico dedicado aos primeiros ocupantes desta Terra de Montelongo.
Em 1876, foi encontrada a estátua de um guerreiro galaico (Idade do Ferro) que na época foi adquirida pela Sociedade Martins Sarmento de Guimarães, onde actualmente se encontra; em 1903, para os lados da Arnozela, um grupo de pedreiros encontraram um verdadeiro tesouro atribuído à Idade do Bronze, composto por vários braceletes em ouro, que acabaram em Lisboa onde estão actualmente no Museu Nacional de Arqueologia; nas escavações realizadas no Povoado Castrejo de Santo Ovídio, nos anos 80 do século passado, foram recuperadas centenas de peças arqueológicas, que após tratamento laboratorial em Braga por lá ficaram, fazendo algumas parte da exposição permanente do Museu D. Diogo de Sous. Mais recentemente, em 1999, a Unidade de Arqueologia da Universidade do Minho efectuou escavações em Vale Ferreiro, na freguesia de Serafão, onde foram recolhidos espólios da Idade do Bronze, entre os quais uma peça em ouro. Estes materiais também foram para Braga a fim de serem estudados. Passados quase dez anos por lá continuam guardados.
Na realidade, Fafe nunca foi muito adepto do seu Património Arqueológico, que vai sendo agredido e até destruído, sem parecer preocupar as entidades responsáveis.
O estado do Património Arqueológico fafense é muito preocupante. Se nada for feito para a sua salvaguarda, as gerações vindouras verão Fafe espoliado dos seus mais antigos testemunhos de uma ocupação humana com cerca de 6.000 anos.

Jesus Martinho