
Maio é tradicionalmente um mês frenético na cidade de Fafe. As feiras francas que acontecem durante 4 dias proporcionam, desde o século XVIII, momentos de animação, festa e actividades não só aos fafenses mas a toda a população vizinha que nos visita. É, sem dúvida, uma boa forma de animar o já deprimente comércio tradicional fafense e de envolver a comunidade do nosso concelho num conjunto de actividades mais ligadas ao mundo rural. É de salutar a manutenção desta tradição no concelho e cremos que o nível organizativo que vem alcançado é uma boa forma de atracção turística para Fafe.
Este ano temos o Quim Barreiros, os bombos na cidade, as tunas, as bandas filarmónicas, o folclore, a música popular e tradicional, ou seja, nada de novo... Mas, embora não sendo nada de inovador, também sabemos que serão dias que as praças fafenses encherão a ouvir os artistas.
O mesmo acontece noutras festividades fafenses e o mesmo acontece em relação aos artistas que, certamente, serão de cariz mais popular e tradicional.
É precisamente neste ponto que está o problema. Na última década, poucas foram as bandas que fugiram a este cariz popular/tradicionalista nas nossas festas. Nunca houve um festival dedicado à juventude do nosso concelho com um cartaz atractivo, não fugindo muito a bandas de garagem concelhias. Apenas as associações, e neste caso importa salientar o papel dos Restauradores da Granja que têm brevemente mais uma edição dum evento na sua sede denominado "Rock na Sede" que envolve mais a juventude que gosta deste tipo de música. Mas, fora estas situações mais centralizadas no associativismo, quando é que os jovens de Fafe puderam ouvir bom rock, bom pop/rock, world music, jazz, alternativa, entre outras formas musicais no nosso concelho e de iniciativa pública? Os publicos conquistam-se fazendo coisas! Um festival de juventude precisa-se em Fafe porque somos um concelho jovem e os jovens têm o mesmo direito a uma semana da juventude a sério, como têm os idosos uma semana do idoso, ou os agricultores uma feira rural ou os católicos festividades na nossa senhora de Antime!!!! Estamos a falar de dinheiros públicos e os dinheiros públicos têm que ser bem repartidos. E, já agora, o que andam a fazer as juventudes partidárias?! JS, JSD, JCP, JBE, JP?! Porque não existe um conselho municipal da juventude? Porque as associações juvenis não se juntam e reinvindicam? Porque não se juntam os jovens do nosso concelho e não fazem uma petição destinada à Câmara Municipal de Fafe?
Fala-se muito em conversas de café mas pouco se faz! E a culpa não é só dos poderes públicos. A acção passa sobretudo pelos movimentos cívicos fafenses e pelo poder que temos todos nós, enquanto cidadãos, de fazermos alguma coisa!!!