19 outubro 2012

Começa a ser tarde





Já havia escrito neste blogue que as próximas eleições autárquicas irão ser muito importantes para Fafe. Muito poderá definir-se. A mudança de líder no partido mais votado, com a certa candidatura de Antero Barbosa, promoverá um novo ciclo de domínio geracional por parte do PS. Mas há um problema. Caso Antero vença as eleições, o PS, sabendo da intrínseca fraqueza do líder, irá fazer convergir vontades na defesa da maioria, pois sabem que qualquer divergência poderá significar o adeus ao poder, com todas as suas benesses. Este problema terá repercussões pós eleitorais: iremos assistir a uma pulverização do poder.
Em situação diametralmente oposta está a oposição. Também para ela estas eleições têm uma importância fundamental em virtude da única possibilidade em muitos anos de as vencer e cimentar uma certa mudança. Contudo, por ser uma altura crucial, a sua derrota funcionará como uma derrota geracional.
Perante estas circunstâncias, pergunta-se pelo «fumo» branco.

António Daniel

17 outubro 2012

Ser Portugal





QUE VONTADE DE SER PORTUGUÊS....
QUE ORGULHO DE SER PORTUGAL...
QUE NAÇÃO ENFIM SE FEZ...
DE LISBOA AO CANDEAL...
QUE A SAUDADE ME DEIXE SER....
QUE A SAUDADE ME LEVE, ENTÃO....
SEREI SEMPRE, EM TEU PODER....
UMA ESPADA, UM CORAÇÃO.....
MINHA PÁTRIA QUE EU VENERO....
MINHA PÁTRIA, MINHA ALMA.....
OH TERRA DE AMOR SINCERO.....
O MEU CHORO TE ACALMA...


Pedro Dantas

12 outubro 2012

Até Onde Vai a Participação Pública?


Em discussão pública esteve, recentemente, o parque da cidade e a deslocalização da estátua da justiça de Fafe. Através dos mais diversos meios, os fafenses manifestaram-se a favor da manutenção da estátua no mesmo local e a solução de um parque mais “verde”.
Alargar as decisões públicas às pessoas é sempre motivo para nos sentirmos mais satisfeitos com a nossa democracia. Por isso, saúdo a posição da nossa autarquia ao estender o debate público destes dois projetos da cidade aos cidadãos, especialmente a posição do presidente da câmara que, mesmo sendo a favor da deslocalização da estátua, irá respeitar a vontade da maioria da população. E ainda bem!
Relembro que, há dois anos atrás, o pelouro da juventude tinha já dado o primeiro passo no fomento da participação dos mais jovens através do projeto “Juventude 2010- 100 anos, 100 ideias para participar”.
No entanto, apesar desta abertura política através destas auscultações públicas, a autarquia ainda não deu o devido passo para a implementação de um orçamento participativo, modelo que já defendi aqui há bastante tempo atrás e que considero ser muito vantajoso para a relação, que está cada vez mais afastada, entre decisores políticos e cidadãos.

Tendo como tarefa a consensualização de uma proposta acerca da reforma administrativa do concelho, soubemos esta semana que os diversos grupos políticos com assento na assembleia elaboraram um documento onde se prevê a agregação de freguesias, passando das atuais 36 para 24.
Saúdo, obviamente, a criação de uma comissão política conjunta para se debater esta reforma mas será que matéria tão importante não poderia ter sido alvo, da mesma forma que a estátua ou o parque, de uma discussão pública?! Tal iniciativa não deveria recolher o maior número de contributos, propostas e opiniões da população?!
Depois, com certeza, após o encerramento da discussão pública, com a necessária recolha dos contributos da população, dos partidos ou de outras entidades, a proposta deveria ser entregue à assembleia para posterior aprovação. Isto aconteceu e tem acontecido em dezenas de autarquias.
Mas limitar esta participação em matéria tão importante aos partidos políticos da assembleia municipal parece-me um erro. O cidadão pode pronunciar-se sobre o futuro da estátua e até do parque da cidade mas não da sua freguesia?!

Pedro Fernandes 

09 outubro 2012

Coração Feliz



Percorrer o Concelho de Fafe é certamente, abraçar caminhos de descoberta em que se entrelaçam, a ruralidade e o modo mais citadino de vida. Qualquer grupo territorial que seja bafejado pela sorte de ter a Natureza a seu favor tem logo aí um acréscimo muito grande.
O nosso Concelho tem Serras de magnífica relevância. Temos uma área geográfica grande, marcada por uma Natureza agreste mas amiga, que possui sérias e grandes potencialidades. O aproveitamento da energia eólica, necessariamente uma forma de energia de presente e futuro, abre a porta e dá um bom exemplo daquilo que com o passar do tempo tem de ser a necessária adaptação de energias não renováveis para energias renováveis. Estas últimas, único garante de futuro. E nestes maciços existem ótimos exemplos de preservação da Natureza como aposta de desenvolvimento. A freguesia de Aboim tem sido nos últimos tempos, palco de várias manifestações culturais e artísticas, que mantendo a sua identidade têm feito desta, claramente, uma freguesia virada para o progresso.
Mas também de tradições religiosas vive o nosso Concelho. O lugar da Lagoa onde ano após ano, muitas e muitas pessoas vão ao seu encontro, para colocar na cabeça a sua Santa e tirar o Diabo do Corpo. E como falo de religião, importante referir as nossas festas da Senhora de Antime, ponto alto das festividades do Concelho, que atrai milhares e milhares de pessoas e é um marco inolvidável das terras de Fafe.
Freguesias como estas são exemplos muito presentes de vivacidade, de proatividade, de cooperação e solidariedade entre todos. Ma apresentam-se como os figurinos de todas as outras. O reconhecido pão-de-ló de Fornelos, o vinho de Várzea Cova. E de jogos tradicionais de forte marca expansiva vive também o nosso espaço, com o jogo do pau a assumir-se como um jogo de Fafe, com Fafe e para Fafe.
E já que falamos de Fafe, que tal referir o símbolo da nossa justiça, intemporal, pois somos gente de carácter, de verdade, de senso comum solidário e de muito trabalho. Ali perto do Tribunal, o símbolo da Justiça de Fafe, quando um homem do Povo disse a um burguês que de maneira boa ou má, todos somos iguais em direitos, e que uma sociedade mais igualitária é caminho indispensável para a coesão social.
E calcorreando as nossas ruas, que bom é sentar num dos bancos ali da Arcada! Movimento contínuo e ordenado, com muita luz, com muita gente, com muita alegria e com muita satisfação. O Concelho de Fafe é prontamente, o maior batimento do nosso coração!

João Castro

05 outubro 2012

A República em Fafe



Mais um ano em que a Câmara Municipal de Fafe comemora o 5 de Outubro. Mais um ano em que a comemoração não é aproveitada para repensar a República. Sou, por convicção, republicano, Identifico-me com o ideário que presidiu à sua génese, desde a geração de 70, que tentava responder a esta grande questão: Como conciliar a filosofia originalmente anti-liberal e anti-democrática do positivismo com o movimento burguês que reivindicava a tradição demo-liberal e a obra da revolução francesa? A solução passou pelo vínculo à heterodoxia positivista de Littré. É revelador o pensamento de Teófilo que Afirma a liberdade política, civil e filosófica contra a exclusividade positivista dada a esta última.
Perante estes pressupostos, será a comemoração da república em Fafe um momento de autocrítica? Será a comemoração da República em Fafe um momento de afirmar mea culpa relativamente à ausência de igualdade de oportunidades no exercício de cargos públicos?
Parece-me que, ao contrário dos intelectuais republicanos, os democratas de hoje vão mais ao encontro das ideias de Comte do que de Littré. Basta saber que, contrariamente à ideia metafísica de progresso a partir do conflito, Comte desenvolve a ideia de progresso através da ordem (daí a bandeira brasileira). Hoje em dia, a ordem é instituída pelo medo de não pertencer ao «partido», o medo de ter ideias diferentes e, por isso, ser preterido em concursos públicos, o medo de não ter futuro. Assim, será melhor não termos feriado.

PS: Há esperança. Em virtude do exercício de liberdade que as redes sociais proporcionam, o Presidente da Câmara parece ter desistido da deslocalização da Justiça. Ainda bem. Subiu na minha consideração assim como todos aqueles que deram a cara pela defesa de uma ideia legítima.

António Daniel

03 outubro 2012

Centro Unesco e a Memória Colectiva de Fafe




No início de 2011, em tempo recorde, uma das salas da Casa Municipal de Cultura foi adaptada para instalar um polo do Centro UNESCO da Memória e Identidade.Pouco tempo depois, em 24 de Março, teve lugar a assinatura de um protocolo entre o Município de Fafe e a Comissão Nacional da UNESCO.“A identidade defende-se muito através da memória do património imaterial”, considerou o embaixador Fernando Adresen Guimarães, destacando as “vantagens de trabalhar em rede”.O vereador da cultura local, Pompeu Martins sublinhou, na altura: “Todo o trabalho vai ser realizado com o envolvimento de parceiros locais, incluindo Escolas, Associações Culturais e Juntas de Freguesia”. O vereador afirmou ainda que vai continuar a apostar na cultura, frisando que o investimento na rede de equipamentos de qualidade do concelho “pode ser muito mais eficiente se for acrescentado o trabalho que se espera agora do Centro UNESCO”.“No final do ano, contamos já ter algum material em resultado do trabalho realizado para o podermos disponibilizar às pessoas”, realçou o responsável político pela cultura fafense.Passado mais de ano e meio da sua criação o Centro UNESCO de Fafe praticamente não se mostrou. O público não conhece o trabalho já desenvolvido. À excepção de um encontro nacional realizado em Fafe no final de 2011, poucos terão conhecimento da actividade deste Centro.Se o objectivo era envolver a comunidade, muito mal têm andado os responsáveis. O Centro UNESCO local faz lembrar uma organização “clandestina”, uma “elite” que, alegadamente, nada produziu de importante.Na Internet resume-se a uma página no Facebook de grupo fechado! Aparentemente temos em Fafe mais uma organização inoperante que ainda não mostrou, ao grande público, resultados dignos de registo.O mesmo será dizer que uma parte do nosso património cultural continuaria sem “identificação”, não fosse a actividade de uma associação que, mesmo sem meios materiais, supostamente “discriminada” pelo poder político local, com a carolice de um punhado de amantes desta Terra, tem desenvolvido trabalho, tem mostrado publicamente a sua actividade, pela Internet na imprensa e em variadas realizações. A Atriumemoria tem um acervo de milhares de espécies que são um importante contributo para o resgate da memória colectiva fafense. Tem manifestado a sua preocupação pelo actual estado do nosso património, divulgando-o e procurando preservá-lo. A Atriumemoria é uma organização independente sem credo e apartidária, cujo objectivo principal é garantir um “futuro com passado”, legando aos vindouros toda uma memória colectiva que é a identidade histórica desta Terra que foi de Montelongo.

Jesus Martinho

01 outubro 2012

Outubro



Em Destaque:
Luís Represas e João Gil
Cine Teatro de Fafe
Dia 13, 21:30h

História:
Apresentação da obra "A Primeira República em Fafe - Elementos para a sua História" de Artur Coimbra, Daniel Bastos e Artur Magalhães Leite.
Salão Nobre do Cine Teatro de Fafe
Dia 12, 21:30h

Artes Plásticas:
Abertura da Exposição de pintura "Pré-Textos In-Conscientes" de Orlando Pompeu
Casa da Cultura, Biblioteca e Cine Teatro
Dia 13, 16h

Magia:
"Fora do Baralho" de Mário Daniel
Cine Teatro de Fafe
Dia 27, 21:30h

28 setembro 2012

Valter Lobo - Tour de Inverno 2012




O cantautor fafense Valter Lobo vai iniciar já este dia 29 de Setembro uma pequena digressão ao vivo percorrendo o país de Norte a Sul, saltando entre as lojas Fnac e Cafés-Concerto.As primeiras chuvas e as noites frias não jogam contra as canções de Valter Lobo, aliás, são motivo mais que suficiente para os mais melómanos procurarem sítios de conforto fora de casa, com média luz e à temperatura dos corações. Num formato showcase, como se fossem amigos à volta de uma chávena de café quente, escutando canções espirituosas, encurtando distâncias e falando de amores impossíveis. A 15 de Dezembro, termina esta digressão no Teatro-Cinema de Fafe.

26 setembro 2012

Em Torno de Ruy Monte

O Núcleo de Artes e Letras de Fafe vai promover uma sessão cultural, no próximo dia 29 de Setembro (sábado), no Club Fafense, e em colaboração com esta associação, a partir das 21h30, em torno da figura do professor Laurentino Alves Monteiro e da obra literária e poética que assinou enquanto Ruy Monte. A acção insere-se no protocolo de colaboração entre as duas entidades.O objectivo da iniciativa, de que este é a primeira andamento, é redescobrir alguns dos valores literários e culturais de Fafe, já desaparecidos (Ruy Monte, Soledade Summavielle, Manuel Ribeiro, Vaz Monteiro, Euclides Souto Mayor, entre outros nomes que importa desvendar).
Além de elementos do Núcleo de Artes e Letras e outros convidados, que intervêm na leitura de textos e poemas e na evocação da memória de Laurentino Monteiro, participa amavelmente o Coral de Antime, sob a direcção artística de Aníbal Marinho e que interpretará, em diferentes momentos, os temas “Vindimas”, de Joaquim Santos, “Não quero que vás à monda”, canção alentejana harmonizada por Manuel Faria, “Dobadoira”, uma canção de trabalho de Joaquim Santos, “Cantares (quadras populares”), de Joel Canhão e, finalmente, “Num só corpo e alma, irmãos”, com letra de Laurentino Monteiro.

22 setembro 2012

A Pedra da Escola



Corre pelas redes sociais duas fotos. Uma reporta-se à demolição da Escola da Feira Velha, a outra sugere a utilização da pedra da escola para a construção de uma capela privada. Não possuo elementos nem conhecimentos suficientes para avaliar a legalidade da situação, mas posso, como cidadão, dar o meu parecer ético. Em primeiro lugar, uma demolição de uma escola pressupõe, sempre, um grande conteúdo simbólico: transporta consigo gerações de alunos, professores e auxiliares com todas as consequências afectivas. Em segundo lugar, o pressuposto histórico não é desprezível, já que o edifício assenta numa determinada conjuntura que não deve ser esquecida, caso contrário, salvo as devidas proporções, também seria exequível demolir o edifício do tribunal ou até parte da Universidade de Coimbra. Finalmente, last but not least, o desprezo a que os cidadãos de Fafe foram votados. Desde o início do processo que os fafenses não foram respeitados, culminando num maior desrespeito pela mais elementar regra da democracia: a falta de transparência pelo destino dado às coisas da coisa pública. Exige-se uma explicação do executivo camarário.

António Daniel

20 setembro 2012

A Austeridade e as Associações




Há pouco tempo lia um artigo de opinião numa conhecida revista informativa em que o seu autor declarava em tom depreciativo "hoje em dia, as coisas só se medem em euros".
De facto, empurrados pela conjuntura sócio-económica do nosso país, vivemos cada vez mais influenciados pelo valor material das coisas. Fazem-se contas à vida: há que pagar impostos, créditos, consumo. Há os subsídios disto e daquilo, dados de bandeja a uns, retirados inconstitucionalmente a outros. Há a troika, o governo, os chefes de Estado europeus e os media que nos enchem de informação sobre défices, juros da dívida,  bolsa de valores, austeridade e crise financeira. Tudo se resume, basicamente, a Euros.
No entanto, há ainda algumas coisas que nos fazem lembrar que nem tudo se resume a dinheiro e porque "o homem cresce na adversidade", há gente que continua a ter como objectivo o bem comum, independentemente dos euros que ganham (ou perdem) ao serem fieis a esse objectivo. Com estas dificuldades que se fazem sentir e num país onde cada vez mais o egocentrismo toma conta da sociedade, não por mera coincidência mas porque as circunstâncias assim parecem exigir que aconteça, faz ainda mais sentido reflectir sobre quem faz de si uma excepção à regra e decide pugnar por algo que não o benefício próprio.
No concelho de Fafe existem várias dezenas de associações recreativas, desportivas e culturais que são o espelho deste espírito altruísta. Não querendo desfazer nenhuma outra, há duas que gostava de mencionar - pela proximidade com as pessoas que dela fazem parte e pelo trabalho que realizam - a ARCO (Associação Recreativa e Cultural de Santo Ovídio) e a ADDAF (Associação de Defesa dos Direitos dos Animais e da Floresta) são duas associações que contrariam toda esta obsessão (legítima, mas não deixa de ser uma obsessão) pelos preciosos Euros. São um conjunto de pessoas que fazem tudo em prol de outrem sem pedir nem exigir rigorosamente nada em troca.
A ARCO é provavelmente uma das Associações Recreativas e Culturais mais activas do concelho de Fafe promovendo actividades cujo público alvo vai desde os mais jovens aos idosos. É certo que as pessoas residentes em Santo Ovídio são as que mais contactam e usufruem destas actividades e portanto, haverá decerto muita gente que desconhece o empenho das gentes que todos os anos organizam a festa do S. Brás, do Entrudo, o Magusto, os cantares de Reis, o Festival Santo Rock, entre outras dezenas de acontecimentos que animam a pacata localidade fafense. A verdade é que  devia ser dado muito mais crédito a esta Associação que, com as "armas" quem tem, vai lutando para manter aceso o espírito altruísta pelo qual sempre vão pautando as suas actividades. As pessoas deixam, por momentos, as suas vidas de lado para irem animar as casas vizinhas com as cantigas dos Reis, acompanhadas pelos cavaquinhos, violas e muita boa disposição. As pessoas despendem o seu tempo para organizar anualmente um festival de Rock que já está enraizado no panorama musical do concelho sendo um dos poucos a dar oportunidades a bandas fafenses e sendo, por isso, um foco de concentração de jovens que lá se juntam para aceder ao evento sem terem que pagar nada para lá entrar. As pessoas despendem o seu tempo para, todos os anos, invariavelmente, embelezar a localidade com um presépio pelo Natal , com o "pai das orelheiras"  pelo Carnaval e para organizar caminhadas e convívios.
A ADDAF é outra das Associações em Fafe cujo empenho é louvável e está à vista de todos. Se percorrermos as redes sociais e os jornais do concelho depressa nos aperceberemos que nesta Associação só há uma coisa que excede em larga escala as suas óbvias dificuldades - o seu amor pelos animais e o seu empenho em melhorar as suas condições. Houve alguém que um dia disse que "a educação de um povo mede-se pela maneira como este trata os animais" e que "quem não consegue gostar de um animal dificilmente gostará de uma pessoa" - de facto, os voluntários desta Associação têm um mérito enorme pela maneira como trabalham em prol de seres que não têm maneira de sobreviver por não terem os mesmos privilégios que os Humanos quando se trata de garantir o mínimo de qualidade de vida. Paralelamente a isto, esta Associação também zela pela saúde pública ao tratar dos animais, tirando-os das ruas e acolhendo-os, medicando-os, algo que nem toda a gente se lembra quando passeia pela Arcada e se depara com uma de muitas campanhas de adopção promovidas pela ADDAF e pelos seus voluntários.
Assim, é neste contexto de crise profunda - uma crise que, como já vai sendo perceptível, ultrapassa a mera recessão económica e nos leva para outras: a crise de confiança, a crise de valores e a crise de solidariedade - que, ao analisarmos a actividade destas Associações (e tantas outras) que funcionam à base do voluntariado, facilmente percebemos que se tudo isto já era louvável há uns anos atrás, hoje é ainda mais.
São estes exemplos que nos proporcionam alguma abstração de todo este louco "carrossel" de dificuldade em tempos difíceis. A propósito, Charles Dickens dizia "foi o melhor dos tempos, foi o pior dos tempos".  Assim é. Nunca antes o trabalho realizado por estas associações me pareceu tão nobre e por isso só tenho a agradecer e encorajar a continuarem o seu trabalho. Obrigada.
A felicidade das pessoas e o amor pelos animais não se medem em Euros. Acabar o dia com um sentimento gratificante de que se fez algo em prol de alguém não se mede em Euros. Ter a certeza de que se trabalha para deixar o mundo um bocadinho melhor recebendo apenas essa sensação como retribuição não se mede em Euros.
Nem tudo se mede em Euros... e ainda bem.


Vanessa Barata

17 setembro 2012

Religião ou Máfia?!



A religião católica tem cada artista nos seus cargos que até dá gozo perceber as manobras de diversão a que se submetem para conseguir levar a melhor. Há situações que não é mais do que tentar ser o preferido para fazer os trabalhos nas eucaristias, isto dá-se de barato, mas outras são mesmo vergonhosas como aqueles que nunca aparecem às cerimónias mas oferecem-se para fazer as festas em honra de algum santo lá da terra só para se aproximar mais do pároco e conseguir ganhar umas obritas que, sabem por intermediários, irão estar a concurso. Há também quem se ofereça para as festas porque assim conseguem aproximar-se das pessoas e mostram que até são boa gente, depois de alguma borrada ou em período eleitoral.
Tanto cinismo em volta da igreja… onde estão os responsáveis que permitem isto?
Outro aspeto prende-se com a insistência em políticas, agora relativas à própria gestão da casa de Deus, nada beneficiadoras do bem comum. Não é só nos países liderados por religiões que se faz muita asneira em nome de Deus, há nos tempos de hoje muita trapalhada feita em nome desse mesmo Deus para beneficiar o grupo que anda protegido pela sotaina do abade.
Há comissões fabriqueiras que não passam de um bando de mafiosos com o pároco a presidir. São os mesmos elementos durante anos, alguns, provavelmente, adquirem o direito vitalício ou só o largam se conseguirem deixar um herdeiro direto em seu lugar. Em muitos casos, as suas profissões permitem prestar serviços para a igreja: construção, carpintaria, vendedores de materiais… mas, no caso de não possuírem qualificações para determinados trabalhos, nada que não se resolva com a indicação de um ou outro amigo ou com as fraudes para que estes ganhem os concursos das obras, engendrados de modo a que ganhe quem muito bem entenderam.
Isto é religião? Isto são os princípios de boa-fé?
A religião católica precisa de gente capaz. É certo que cada vez há menos padres e muitas vezes qualquer um serve para ocupar esse lugar de responsabilidade. Contudo, hoje as pessoas estão mais informadas e até formadas, por isso, ou a Igreja opta por enviar padres para as paróquias com sentido de responsabilidade ou as Igrejas (físicas) ficarão sem gente.
Nas direções das Comissões da Fábrica da Igreja e, quando existem, nos Centros Sociais e Paroquiais são os Padres que têm a função de presidir. Seria importante que o dinheiro pedido aos paroquianos ou mesmo o dinheiro obtido através de apoios estatais não fossem mais para alimentar os amigos dos amigos, mas os que se encontram em melhores condições para executar tarefas a concurso. Os párocos ou assumem a responsabilidade ou não passam de fantoches nas mãos de dois ou três.
Felizmente, isto não é em todo o lado, ainda há padres com carácter e com enorme conhecimento teológico, que dá vontade de regressar para ouvir uma interpretação de muita qualidade científica às sagradas escrituras.

Pedro Sousa
(Católico praticante mas farto de fantochadas em nome de Deus)

15 setembro 2012

Portugal Na Rua

Braga, 15H, Avenida Central;
Guimarães, 17H, Largo Central;
Porto, 17H, Avenida dos Aliados;
Vila Real, 17H, Câmara Municipal;
Bragança, 17H, Praça Cavaleiro Ferreira;
Aveiro, 17H, Estação da CP;
Coimbra, 15H, Praça da República;
Lisboa, 17H, Praça José Fontana;
Funchal, 17H, Praça de Santa Catarina;
Ponta Delgada, 16H, Portas da Cidade;
Faro, 17H, Concentração;

São mais de 40 cidades...
E Fafe... ???!!

12 setembro 2012

Escola Conde Ferreira



Das 120 escolas previstas no testamento do conde, foram construídas 91, das quais 21 foram, entretanto, demolidas. As restantes 70 continuam a funcionar para os mais diversos fins, desde ensino a serviços municipais, passando por sedes de juntas de freguesias, bibliotecas, museus municipais ou mesmo instalações de forças de segurança. Mas, e a nossa escola???... Continua a degradar-se, aberta ao vandalismo e outras situações ilícitas... É vergonhoso!!!

Luís Barros

10 setembro 2012

Ideias


Foto: Arquivo Histórico Municipal de Fafe
O palacete de Arte Nova, construído em 1912 por João Alves de Freitas, um bem-sucedido brasileiro de torna viagem, vai ser adaptado para instalar o Arquivo Histórico Municipal de Fafe.
A obra, orçada em mais de 1 milhão e meio de Euros, comparticipada em 70% pelo FEDER, está prestes a arrancar e deve prolongar-se por cerca de um ano.
Lembre-se que o Arquivo Histórico Municipal é composto, maioritariamente, por documentação da época contemporânea e encontra-se actualmente dividido em dois locais: o acervo posterior aos anos 60 encontram-se no edifício dos Paços do Concelho, enquanto o arquivo mais recuado no tempo está precariamente sediado em antigas instalações da extinta Escola Montelongo.
Vida nova para um dos mais belos e emblemáticos imóveis históricos da urbe, que, ao longo de precisamente uma centúria foi moradia, hotel de luxo, “Casa das Corporações” e sede da Cooperativa Agrícola. Abandonado durante um longo período, o “palacete rosa”, propriedade do Município de Fafe, vai agora ser restaurado para guardar e tratar uma parte das memórias do município. 
Documentos importantes, alguns do século XVIII e XIX que depois de conservados poderão ser estudados de forma a conhecer um pouco mais da História contemporânea deste concelho outrora designado Montelongo.
Foto de Jesus Martinho

A recente notícia da requalificação do Placete «do Grémio» para recolha do arquivo municipal sugeriu-nos pensar um pouco sobre o que falta fazer em Fafe. Nunca escondemos a importância que o imobiliário histórico tem para um aumento do sentido de pertença à polis. Nesse sentido, a Câmara tem feito um bom trabalho, como serve de exemplo a requalificação do Teatro- Cinema, o embelezamento de artérias e agora a recuperação deste emblemático edifício. Contudo, só embelezamento não chega. É necessário dar sentido e conteúdo. Se oTeatro-Cinema está bem sincronizado com o seu desiderato, já a recuperação do palacete e da zona envolvente - há projecto? - parece ser pouco ambicioso. A sua utilização como depósito do espólio documental da Câmara é muito importante, mas não nos podemos esquecer que  a sua frequência estará destinada a profissionais.
Ora, o que propomos é uma utilização mais «democrática». Para tal, seria muito benéfico que o edifício e a zona envolvente pudessem congregar os museus da cidade. Não seria possível deslocalizar o museu do automóvel, da imprensa e da emigração para um único lugar com um sentido temático mais profundo? E porque não uma área temática, aproveitando as tecnologias de informação, sobre o Castro de Santo Ovídio?

António Daniel

06 setembro 2012

O Pau de Marmeleiro

É uma estátua de duas toneladas de bronze distribuídas por dois homens e um pau de marmeleiro, glorificando uma lenda que uma cidade fez sua. O seu tipo de justiça, com um varapau, está para Fafe como o chapéu está para Fernando Pessoa, é um pormenor, só isso, e até cai bem. A justiça de Fafe, lenda antiga, só corporizada em 1981 com a tal estátua que foi colocada nas traseiras do tribunal. Agora - é essa a notícia - o presidente da Câmara quer deslocalizar a estátua, não por razões económicas como acontece às fábricas, mas por incompatibilidade de vizinhança. A justiça pelas próprias mãos ficaria mal ao lado de um tribunal... Como se não vivêssemos num país com um cemitério chamado dos Prazeres e um aeroporto chamado Sá Carneiro. Nos 31 anos de vizinhança, nunca um pleito do tribunal de Fafe, mal influenciado pela estátua, saiu para as traseiras à bordoada, tal como os aviões não se puseram a despenhar no Porto ou os enterros a dançar em Campo de Ourique. Os nossos líderes, com mil desses falsos cuidados connosco, ofendem-nos a inteligência. E, no caso de Fafe, até tresleem. O Visconde de Moreira de Rei, usando o varapau, tal como contou o Barão de Espalha Brasas, cujo poema épico deu início à lenda, foi, afinal, um precursor da justiça moderna, proporcionada e pedagoga. Tendo sido provocado a duelo, não escolheu a espada ou a pistola, que são fatais, mas o pau, que não mata e, bem aplicado no lombo, educa.

Ferreira Fernandes 
in www.dn.pt

03 setembro 2012

Multiusos


Quantas autarquias não gostariam de ter recebido a final da Supertaça de Andebol? Ou um jogo de basquetebol ou de andebol da selecção portuguesa? Ou uma final de basquetebol? Ou um mundial escolar de andebol? Muitas! Fafe tem conseguido isso e mais muito por culpa do pavilhão Multiusos que tem, nos últimos anos, sido escolhido para importantes eventos desportivos. Fafe ganha maior visibilidade com isso especialmente porque muitos têm transmissão televisiva. Fafe não é só rally, nem ciclismo ou futebol. Fafe pode ser uma cidade desportiva com qualidade se aliarmos a aposta em eventos de bom nível desportivo no Multiusos a uma política desportiva para todos onde seja possível encontrar com facilidade polidesportivos para uso gratuito da população, especialmente a mais jovem, até para se desviarem dos "maus caminhos". O parque da cidade é o sitio ideal para isso. Aliar a natureza, ao lazer e à prática desportiva num parque ao lado de um multiusos que, ultimamente, tem sido bem aproveitado (com desporto, mas também com música, por exemplo) seria uma aposta com sentido, na minha opinião. Penso que está na hora de acabarmos com a ideia (e os políticos têm que que ajudar a isso...) que o multiusos só serve para jantares, eleições e jogos de futsal. Não! Um pavilhão como aquele não pode funcionar todos os dias mas a autarquia tem conseguido trazer boas provas desportivas para Fafe (Guimarães tem um multiusos mesmo aqui ao lado também...)  e isso deve ser reconhecido por todos.

Rui Silva

01 setembro 2012

Impressões Políticas no Mês de Agosto




No pouco tempo que estive em Fafe, houve quatro acontecimentos políticos interessantes. A presença de Antero Barbosa no encontro com os emigrantes, o encontro do Partido Socialista em Estorãos, a «caixa» em branco no Notícias de Fafe e aquilo que uma senhora me disse. Os dois primeiros só vêm confirmar aquilo que todos sabem: Antero Barbosa é o candidato do PS às eleições autárquicas. Levemente, revelando a insustentável leveza do ser, Antero Barbosa dá-se a conhecer, desculpando a ausência de José Ribeiro. O leitor estranhará o facto de eu ter realçado a necessidade de Antero se dar a conhecer. É verdade! Num outro acontecimento político, este vivido na primeira pessoa, uma senhora disse-me que foi convidada pelo PS para uma festa. O mais curioso é que essa senhora afirmou que «ia ver o Parcídio», «não o Parcídio», diz ela, mas «o Parcídio do PS», referindo-se a Antero. Bom, isto é muito elucidativo da necessidade de José Ribeiro começar a ausentar-se das «festas», mas também revela um qualquer complexo psicanalítico que, sinceramente, não sei explicar. Por último, a «caixa» branca no Notícias de Fafe. O jornal, e bem, disponibiliza um espaço para artigos de opinião oriundos dos partidos políticos - será que não há opinião fora dos partidos? Não! -. Na ocasião proporcionada ao CDS-PP, eis que nada foi escrito. O problema não é o CDS-PP - ainda existe? - mas a parte branca. Foi a parte mais escura que eu alguma vez vi, como foi escuro para a oposição que, assim, começa a ver o tempo escurecer.

António Daniel

30 agosto 2012

Fafe Nos Media



Depois de vários meses de leitura assídua do Blog Montelongo, surgiu a oportunidade de pertencer à equipa de colaboradores que regularmente escreve para este prestigiado espaço na blogosfera fafense. A oportunidade apareceu e escrevo então o meu primeiro texto. Sou João Marques, estudante de direito e resido em Fafe. Apesar da minha tenra idade sou um orgulhoso Fafense e faço sempre por falar da minha terra, lembrando aos menos atentos as valências que ele nos oferece. Em razão disso, vi com muito bons olhos mais uma chegada da volta a Fafe, assim como vi com grande entusiasmo as três páginas que a revista visão dedicou à aldeia de Aboim, aqui há dois meses atrás. A meu ver são excelentes cartões-de-visita do concelho que têm necessariamente de ser aproveitados, nomeadamente a nível de comércio e turismo. Muitas são as razões para saudarmos o que de bom se faz no concelho, e pode-las transmitir através de tão ilustres meios de comunicação é, sem dúvida, um privilégio que não deve ser desperdiçado.
Oxalá que mais iniciativas se sucedam, levando o nosso concelho além-fronteiras.

João Marques

28 agosto 2012

Humor e Verdade


Este post num blog suscitou muita reacção bairrista. Compreende-se, hoje em dia são poucas as ocasiões em que nos podemos orgulhar de pertencer a algum sítio, quer porque somos cada vez mais cidadãos do mundo, quer porque pensamos que não vale a pena. Perante as reacções, depressa o seu autor pediu desculpas, afirmando que não passava de um texto humorístico. Obviamente que está desculpado. Contudo, devemos estar atentos às mensagens humorísticas. Fui aprendendo que o humor é a forma mais séria de comunicação: é destituído de emoções e revela, por isso, mais verdades do que julgamos, isto é, mostra o que realmente o autor do texto pensa, ou será que criou uma realidade virtual? Terá tanta imaginação? Pois é… A desculpa inscreve-se em gestos, palavras e atitudes, servindo para identificar o responsável, mas ninguém pede desculpas por aquilo que pensa. Agora sou eu a pedir desculpa aos fafenses, mas tenho de dizer isto. Quando o autor do texto escreveu, a responsabilidade é sua; sobre aquilo que pensou, a responsabilidade é nossa. Infelizmente, infundada ou não, corresponde à ideia que muito boa gente tem sobre Fafe.

António Daniel