01 setembro 2012

Impressões Políticas no Mês de Agosto




No pouco tempo que estive em Fafe, houve quatro acontecimentos políticos interessantes. A presença de Antero Barbosa no encontro com os emigrantes, o encontro do Partido Socialista em Estorãos, a «caixa» em branco no Notícias de Fafe e aquilo que uma senhora me disse. Os dois primeiros só vêm confirmar aquilo que todos sabem: Antero Barbosa é o candidato do PS às eleições autárquicas. Levemente, revelando a insustentável leveza do ser, Antero Barbosa dá-se a conhecer, desculpando a ausência de José Ribeiro. O leitor estranhará o facto de eu ter realçado a necessidade de Antero se dar a conhecer. É verdade! Num outro acontecimento político, este vivido na primeira pessoa, uma senhora disse-me que foi convidada pelo PS para uma festa. O mais curioso é que essa senhora afirmou que «ia ver o Parcídio», «não o Parcídio», diz ela, mas «o Parcídio do PS», referindo-se a Antero. Bom, isto é muito elucidativo da necessidade de José Ribeiro começar a ausentar-se das «festas», mas também revela um qualquer complexo psicanalítico que, sinceramente, não sei explicar. Por último, a «caixa» branca no Notícias de Fafe. O jornal, e bem, disponibiliza um espaço para artigos de opinião oriundos dos partidos políticos - será que não há opinião fora dos partidos? Não! -. Na ocasião proporcionada ao CDS-PP, eis que nada foi escrito. O problema não é o CDS-PP - ainda existe? - mas a parte branca. Foi a parte mais escura que eu alguma vez vi, como foi escuro para a oposição que, assim, começa a ver o tempo escurecer.

António Daniel

30 agosto 2012

Fafe Nos Media



Depois de vários meses de leitura assídua do Blog Montelongo, surgiu a oportunidade de pertencer à equipa de colaboradores que regularmente escreve para este prestigiado espaço na blogosfera fafense. A oportunidade apareceu e escrevo então o meu primeiro texto. Sou João Marques, estudante de direito e resido em Fafe. Apesar da minha tenra idade sou um orgulhoso Fafense e faço sempre por falar da minha terra, lembrando aos menos atentos as valências que ele nos oferece. Em razão disso, vi com muito bons olhos mais uma chegada da volta a Fafe, assim como vi com grande entusiasmo as três páginas que a revista visão dedicou à aldeia de Aboim, aqui há dois meses atrás. A meu ver são excelentes cartões-de-visita do concelho que têm necessariamente de ser aproveitados, nomeadamente a nível de comércio e turismo. Muitas são as razões para saudarmos o que de bom se faz no concelho, e pode-las transmitir através de tão ilustres meios de comunicação é, sem dúvida, um privilégio que não deve ser desperdiçado.
Oxalá que mais iniciativas se sucedam, levando o nosso concelho além-fronteiras.

João Marques

28 agosto 2012

Humor e Verdade


Este post num blog suscitou muita reacção bairrista. Compreende-se, hoje em dia são poucas as ocasiões em que nos podemos orgulhar de pertencer a algum sítio, quer porque somos cada vez mais cidadãos do mundo, quer porque pensamos que não vale a pena. Perante as reacções, depressa o seu autor pediu desculpas, afirmando que não passava de um texto humorístico. Obviamente que está desculpado. Contudo, devemos estar atentos às mensagens humorísticas. Fui aprendendo que o humor é a forma mais séria de comunicação: é destituído de emoções e revela, por isso, mais verdades do que julgamos, isto é, mostra o que realmente o autor do texto pensa, ou será que criou uma realidade virtual? Terá tanta imaginação? Pois é… A desculpa inscreve-se em gestos, palavras e atitudes, servindo para identificar o responsável, mas ninguém pede desculpas por aquilo que pensa. Agora sou eu a pedir desculpa aos fafenses, mas tenho de dizer isto. Quando o autor do texto escreveu, a responsabilidade é sua; sobre aquilo que pensou, a responsabilidade é nossa. Infelizmente, infundada ou não, corresponde à ideia que muito boa gente tem sobre Fafe.

António Daniel

26 agosto 2012

Agosto dos Emigrantes


Permitam-me que comece por explicar que, independentemente do número de textos que aqui forem publicados em meu nome, farei questão de enaltecer as qualidades desta bela cidade que considero como o meu lar. Mais do que o local onde habito, mais do que o local onde nasci, é verdadeiramente o meu lar. Para questões políticas ou de problemas que eventualmente surjam na cidade, entendo que existem pessoas bem mais informadas do que eu, e deixo então essas crónicas aos competentes da matéria.
Agosto, se para muitos é apenas sinónimo de férias, para todos os fafenses também representa emigrantes.  Para muitos implica uma maior confusão nas estradas, nos supermercados, nas ruas e o caos total nas feiras semanais.  Principalmente, a língua francesa faz competição com a língua de Camões nos passeios, a cidade ganha movimento como só este mês conhece, os cafés ficam lotados, a vida noturna agitada e em todo este cenário os comerciantes e empresários ficam  agradecidos.
 Há no entanto o outro lado, a genuína faceta de quem parte para terras longínquas e regressa durante umas semanas ao local que chamam “a terra”. Sim, porque passam anos a viver em países distantes, criam famílias e grupos de amigos, mas para todos, esta é a terra onde o coração diz que pertencem.
Atravessamos um período a que chamam de “novos emigrantes”, jovens bem formados que procuram uma qualidade de vida e reconhecimento que infelizmente o nosso país não proporciona, mas não é destes que falo. Falo sim, da geração que partiu em décadas passadas e que se concentra essencialmente em França e Suíça, onde lá mesmo criaram comunidades portuguesas para enganar as saudades. Estes emigrantes, que enchem a mala do carro de sacos e bagagens, que atravessam países atolados num carro, que passam dias, semanas ou meses a contar os dias para regressarem a Fafe . Regressar a Fafe... regressar à casa que conta muitas vezes toda a história de uma infância longínqua,  abraçar saudosamente a família que por cá fica, sentar pela primeira vez na mesa para ser servido um jantar especialmente feito para quem chega de uma longa viagem, ir à igreja da aldeia e ouvir uma missa na língua materna, entrar no café e rever as caras conhecidas e pedir o primeiro café. Isto é a maior compensação que um emigrante pode ter, isto é o verdadeiro regresso.
O tempo passa a voar para quem tem os dias contados e depressa começa a aproximar-se o dia da partida. O transito na cidade começa a regressar ao fluxo normal, o número de pessoas das ruas diminui e a cidade começa a perder a energia que a acompanhou nas últimas semanas. Despedem-se com um “até para o ano” e a cidade responde “assim será, cá ficarei à espera”.
Hoje, ao fazer a autoestrada de Fafe para o interior do país, foi notória a quantidade de automóveis com matrículas francesas pelas quais passei, e não consegui deixar de imaginar a tristeza com que muitas dessas pessoas regressam ao país onde trabalham. Perdão, elas não regressam a esses países, elas vão para esses países, porque o verdadeiro regressar, regressam ao nosso, e regressam a Fafe, à terra...
 A todos que irão embarcar em milhares de quilómetros pelo asfalto, só posso desejar o seguinte: Façam boa viagem.

Clara Magalhães

PS: Apesar de viver em Fafe, por vários motivos ausento-me da cidade por períodos de tempo significativos, embora nada comparável a estes emigrantes. Ainda assim,  não consigo deixar de esboçar um sincero sorriso quando chego à minha terra, seja quando venho na estrada que liga a Guimarães e avisto o monte de Santo Ovídio tão familiar ao meu ser, seja quando regresso pela autoestrada e vejo a sinalização a indicar “Fafe”. Se me comovem estes pequenos regressos, a um emigrante deve ser uma sensação colossal. Dito isto, fica aqui o meu sincero agradecimento por voltarem todos os anos, mas acima de tudo, pela coragem de quando partem.

22 agosto 2012

A Força da Juventude




Nos tempos de hoje, é crucial que exista uma mudança de paradigma. Uma mudança no sentido da responsabilização cada vez maior dos cidadãos e, naturalmente, também da classe politica.
Naquilo que diz respeito aos cidadãos, urge o culto de uma cidadania mais participativa, mais proactiva, responsável e estruturante. Qualquer pessoa não deve deixar que os outros por ela decidam, não se deve alhear, de uma forma por vezes bastante duradoira, do seu exercício cívico de ser o ator principal da sua vida. A base da democracia é a participação, daqueles que votam nos que foram eleitos para por eles decidirem! O incremento destes níveis de intervenção no viver quotidiano, faz com que as decisões tomadas sejam partilhadas, responsabilizantes e que englobem em si uma aceitação e empenho do maior número de pessoas. Nestes tempos de grave crise, os jovens principalmente, devem ser enunciadores de uma nova era de comunicação presente nas decisões que afetam todas as pessoas!
Essencial também a implementação da maior exigência no cultivo das boas práticas políticas. São os jovens o meio para dar voz aos anseios, ideias e motivações das gentes. Nós jovens temos de acreditar e também sonhar com um ciclo de esperança. Fazer as coisas bem será sempre, o caminho a seguir.
Dessa divisória que nos separa do mistério das coisas, a que chamamos vida, com saúde e amizade, a melhor obra que fazemos é fazer o bem, e continuando a fazer o bem, do fundo do coração acredito, que a alegria do nosso espirito continuará a ser o indício da nossa força, por mais que os tempos de hoje sejam de grave crise e de enormes problemas! Nesse sentido, aquelas que forem práticas políticas mais nublosas devem ser condenadas de forma veemente. O nosso país precisa de processos facilmente percetíveis, atendíveis pelo seu conteúdo justo e igualitário.
Vemos que as desigualdades entre classes sociais vão sofrendo um incremento e sendo assim esse caminho, é um mau caminho! Uma sociedade só é estável e vai-se desenvolvendo de forma gradual quando o fosso entre os mais ricos e os mais pobres for progressivamente diminuindo. É com esta finalidade que devem ser tomadas as medidas políticas necessárias!
Este é o desafio a que os jovens se devem propor. Construir, o nosso projeto individual e coletivo, pelas nossas mãos, com a energia, empenho, irreverência e entusiasmo tão próprios da juventude, a sociedade do futuro!

João Castro

19 agosto 2012

Concurso de Fotografia


O Núcleo de Artes e Letras de Fafe acaba de instituir, pela primeira vez, um prémio de fotografia, como forma de homenagear, promover e divulgar este género criativo e artístico, bem como descobrir fotógrafos que se distingam pela qualidade e inovação do seu trabalho.
É tema genérico deste concurso "Fafe: o quotidiano, o trabalho, a festa, uma visão do património imaterial".
O prazo para entrega de portefólios concorrentes decorre até 31 de Outubro de 2012.
A inscrição é gratuita, sendo a participação aberta a todos os fotógrafos profissionais e amadores residentes em Portugal, com idade igual ou superior a 16 anos.
O dossiê de candidatura deve conter Portefólio, Memória Descritiva, Biografia do Autor, Identificação Pessoal e a Ficha de Inscrição devidamente preenchida e assinada. 
O dossiê de candidatura deve ser enviado em correio registado ou entregue pessoalmente, até ao dia 31 de Outubro.
O júri dará especial atenção à qualidade, excelência técnica e coerência da escrita fotográfica. A originalidade da abordagem do assunto, a sua singularidade ou a sua universalidade, são igualmente determinantes aquando da seleção final do Júri, que integrará um representante do Núcleo de Artes e Letras de Fafe, um representante do Museu da Imagem – Braga, um profissional da área do fotojornalismo e um professor de história da arte e/ou de Audiovisuais.
Estão previstos dois prémios: 500 € para o vencedor e 250 € para a fotografia classificada em segundo lugar. Além disso, estão previstas menções honrosas, bem como a produção e itinerância da exposição que vier a resultar do concurso.
O regulamento completo está disponível no blogue do Núcleo de Artes e Letras de Fafe http://nalf-olhares.blogspot.pt/. Informações e esclarecimentos podem ser solicitados através do endereço electrónico: nalf@sapo.pt.

14 agosto 2012

Bichos





Apesar do título ser o mesmo, não pretendo fazer uma incursão pelos textos de Torga. Os seus eram transmontanos, os meus eram minhotos. Sob a alçada do título joga-se a universalidade mas, convenhamos, e desculpem a presunção, há particularidades regionais. Um cão transmontano não ladra, morde. Um minhoto ladra, mas não morde. Assim eram os meus bichos. Todos tinham em comum a designação de Pelé assim como a ausência de título nobliárquico.
Vamos ao primeiro Pelé. Foi uma existência fugaz. Pelo curto, mancha sobranceira castanha, rasteiro no cheiro e estridente no afecto, acompanhava sempre as andanças, mas rapidamente deu a conhecer ao puto, seu dono, a efemeridade da existência. Não latiu, caiu. O poder paternal rapidamente quis apaziguar a angústia do juvenil. Um novo quadrúpede já vinha a caminho. Também com pelo curto, também com a mancha castanha, também a mesma forma estridente das afeições. Quase, quase que a sua existência era fugaz. Ficou-se pela perna partida. Toda a sua longa vida foi marcada pelos saltinhos, com a pata direita a baloiçar como se continuasse a agradecer a sorte que lhe coube. Sempre foi de um agradecimento estonteante. A chegada de alguém a casa era presenteada por uma correria trípode, com um sonoro e histriónico ladrar e com a arrependida lambidela sequente. A velhice chegou, sempre com o mesmo andar trípode, mas cada vez mais trôpego. Enquanto o primeiro Pelé deu ao puto a noção da morte, o segundo deu-lhe a noção da velhice. A sua sonora presença foi substituída por um monossílabo, beneficiando contudo pela cada vez maior definição carinhosa do seu olhar. Foi assim que o Pelé II morreu, a olhar.Abro um parêntesis para falar de um outro Pelé, contemporâneo deste último e seu grande rival no que diz respeito às necessárias partilhas. Este Pelé, para diferenciar, era o Pelé Preto. Vagabundo, era de todos e de ninguém. Tinha a sua caminhada definida pelo ritmo quotidiano da minha mãe ou de outro familiar, desde que isso significasse passar pelo Talho Novo onde um delicioso bife o esperava. O Pelé Preto deu ao puto a lição da vida. Finalmente, o último Pelé. Nascido de uma relação proibida, pelo cruzamento de uma caniche bem nutrida e de um pouco nutrido rafeiro, veio ao mundo filho único, como único era o seu estar e ser. A sua vida era correr, ladrar e beijar, se bem que esta última característica se sobrepusesse às restantes, mesmo para os desconhecidos. Caracterizava-se por uma espécie de romaria de Agosto, muito foguetório e muita generosidade. Aliás, generosidade é pouco, pois era superlativo na dádiva e no gosto que tinha pelo puto que entretanto se tornara homem. Este Pelé deu ao homem a lição da eterna juventude. Morreu e o homem não viu. Mostrou ao homem que a morte é uma grande puta.

António Daniel

09 agosto 2012

Um Triste Roubo

Regressei a Fafe depois de gozar uns bons dias de férias. Ao ler a blogosfera local, num artigo do Sr. Artur Coimbra no seu blog, leio a triste notícia que os cinco pequenos cisnes do Jardim do Calvário foram roubados. É triste, lamentável e um ato cobarde, de desrespeito pelo bem público e pelos animais. Ainda há pouco aqui cheguei e já me apetece ir embora outra vez...

Rui Silva

23 julho 2012

Cinema em Noites de Verão

Todas as Quartas Feiras, pelas 22H no Anfiteatro da Biblioteca.

18 julho 2012

Comissão propõe Fecho da Urgência de Fafe


Comissão para a Reavaliação da Rede Nacional de Emergência e Urgência propõe encerramento das urgências de Fafe, Macedo de Cavaleiros, Oliveira de Azeméis, Santo Tirso, Valongo, Lagos, Loulé, Montemor-o-Novo, Montijo, Peniche, Serpa e Tomar. O relatório, que data de fevereiro de 2012, foi elaborado por onze peritos e divulgado no site do Ministério da Saúde. Em dois casos, Coruche e Sertã, a comissão propõe que sejam implementadas urgências, como estava previsto num despacho de 2008, mas que nunca avançaram (como aconteceu noutras regiões). Assim, no total, a proposta é a existência de 73 urgências no país, menos dez do que a situação real (83) e menos 16 do que o previsto no despacho de 2008(89). "Relativamente ao encerramento de alguns SUB [Serviço de Urgência Básico], pensa esta Comissão que ele poderá ser realizado de forma faseada, por exemplo, inicialmente apenas no período noturno, e que só poderá ser realizado após constituição de capacidade de resposta tanto ao nível dos CSP [Cuidados de Saúde Primários], de forma a garantir atendimento rápido de situações agudas não urgentes, como ao nível do SU [Serviço de Urgência] mais próximo, assegurando cuidados para as situações realmente urgentes", lê-se no documento. À Rádio Renascença, o gabinete do ministro Paulo Macedo afirmou que, em última instância, até pode não aplicar qualquer das recomendações do grupo de trabalho. A partir de agora, refere ainda o gabinete do ministro, esta proposta vai ser amplamente discutida, nomeadamente nas administrações regionais de saúde, e o Ministério "está aberto a contributos vários".
In www.dn.pt

13 julho 2012

A Entrevista de Parcídio ao Notícias de Fafe


Nesta entrevista tentei fazer um exercício muito próximo do contratualismo político contemporâneo que consiste numa suspensão temporária das nossas idiossincrasias. No caso presente, suspendi toda a gnose preconcebida relativamente a Parcídio. Ora, ajustando-me à situação, a palavra que mais se evidenciou na entrevista foi «romantismo». Obviamente que a acepção do termo utilizada pelo entrevistador estava envenenada e parece-me que Parcídio se deixou envenenar, porque Parcídio é romântico. Mas não se julgue que o romantismo de Parcídio é piegas. Antes pelo contrário, o seu romantismo recupera a vertente do «eu», por isso, ao dizer «os outros» diz sobre «si mesmo»: quando diz que «as pessoas ainda não sabem assumir as suas responsabilidades», quer dizer que «sei assumir as minhas responsabilidades». Mais óbvio é quando diz «houve um período, logo a seguir às eleições, que eu não estive, durante 6 meses especulou-se muito, mas regressei e as pessoas perceberam que eu não as abandonei».
É este o romantismo de Parcídio. Mas atenção, é uma vertente de personalidade que, pessoalmente, não me desgosta porque possui a medida dos impossíveis. Parcídio é simultaneamente vitalista e recatado, tanto escreve um romance (nunca tive a oportunidade de ler) como é automobilista; tanto é incisivo nos seus gestos (vejam-se a fotografias da entrevista) como é indeciso nas suas afirmações.
Possivelmente este tempo exige maior assertividade, mas eu gosto!

António Daniel

09 julho 2012

Giga Agrupamentos


 O governo central (ou a “troika”) encarregou-se de proceder a alterações nos agrupamentos de escolas de todo o país e, também, no nosso concelho. Aparentemente, foi uma decisão pacífica… Em Fafe não me lembro que este tema tenha sido assim tão debatido. Li algumas opiniões de cronistas concelhios e pouco mais. Assim, os 6 agrupamentos de escolas existentes (Arões, Secundária, Montelongo, Padre Flores, Silvares e Carlos Teixeira) vão passar a 3, agregando, cada um deles, cerca de 2400 alunos. Aproximam-se eleições autárquicas e muitas politiquices vão-se jogar nos próximos tempos na escolha das novas direções escolares. O silêncio em redor deste assunto inquieta-me. Está em causa a educação. E na educação mexeu-se demasiado nos últimos tempos e, quase sempre, mal e com critérios meramente economicistas. Este giga agrupamentos, como já lhes ouvi chamar, é mais um erro. Um erro com consequências graves e que quase ninguém levantou voz em Fafe. 

Rui Silva

05 julho 2012

Julho

Em Destaque:
Expensive Soul & Jaguar Band
Praça Mártires do Fascismo
Dia 7, 22H

Música:
Uxukalhos
Praça Mártires do Fascismo
Dia 6, 23H

Animação de Rua:
Jardim Encantado da Fantasia
Jardim do Calvário
Dia 7, 15H

Feira das Coisas
Rua António Saldanha
Dia 7, 08:30H

Gastronomia:
Petiscos Associativos
Praça Mártires do Fascismo
Dias 5, 6, 7 e 8

03 julho 2012

Meo para Autarquias


Porque as ideias e a discussão pública não se devem limitar à estátua da Justiça de Fafe, nem ao Parque da Cidade, aproveito para deixar a sugestão à autarquia, neste espaço, de uma nova aplicação destinada aos municípios portugueses, desenvolvida pela PT. 
Trata-se da aplicação "MEO para Autarquias", que é uma solução de comunicação multicanal – aplicação na televisão, site web e site mobile – que permite às autarquias disponibilizarem, aos seus munícipes e a todos os portugueses, conteúdos institucionais e informativos relativos aos Municípios e Regiões. O MEO para Autarquias (Santarém é a primeira) está disponível na TV para todos os clientes IPTV (ADSL e fibra ótica com meobox) através da aplicação MEO Local, no MEO Interativo (acesso via botão azul do comando, na categoria Úteis). 
Esta solução permite às autarquias a publicação de informação com o objetivo de promover o território de um ponto de vista turístico, social e económico, possibilitando em simultâneo o acesso simplificado a um universo de pessoas com maior dificuldade de acesso à internet, bem como a promoção do acesso a conteúdos em mobilidade.Com conteúdos sempre atualizados pela autarquia, de acesso fácil, rápido e intuitivo e com uma forte componente local, promove-se uma maior proximidade com os munícipes e uma imagem de inovação e criatividade do Município na promoção da região.
Bem sei que a nossa Câmara Municipal tem um site que não nos orgulha, nem dá a devida importância às novas ferramentas de comunicação. Apesar disso, parece-me importante enumerar, neste blog, ideias e iniciativas de outros locais que podem ser uma mais valia para Fafe. 

Pedro Fernandes

29 junho 2012

A Entrevista a Antero Barbosa


Não conheço pessoalmente Antero Barbosa, mas reconheço-lhe algumas qualidades. Quando muitas vezes pergunto aos meus conterrâneos quem é Antero Barbosa, as respostas confluem para um epíteto: é um tipo porreiro. Pelas suas intervenções, não é difícil constatar estarmos perante alguém humilde na forma como se vê no espelho do poder autárquico. Ora, isto tem o valor que tem, ou seja, um valor residual que dificilmente alcança qualquer objectvidade. Porém, pergunto-me se assim será. Vamos encetar uma breve reflexão a partir daquilo que Antero disse para descobrir o que pensa mas não disse. Houve três expressões que me chamaram a atenção: «…queremos ir de encontro ao partido» relativamente à escolha do candidato, a alusão ao café «Império» no que respeita ao convite formulado por José Ribeiro e «algum desenvolvimento» referindo-se a Fafe.
1.  Comecemos pela primeira. Vislumbro nessa expressão um óbvio «acto falhado», partindo do princípio que Antero quereria dizer «ir ao encontro…». «Ir de encontro…» é ir contra. Talvez Antero pense isso mesmo, ir contra aquilo que o partido já pensa que irá fazer, ou seja, quanto ao candidato a apresentar. Será? Antero sabe que, como havíamos referido num texto anterior, é o candidato de Ribeiro e, possivelmente, do partido, mas está um pouco enfraquecido pela ausência de obra, nada expectável pelo pelouro que lhe foi destinado. Não é por acaso que começa a justificar-se pelo fim das parcerias público-privadas.
2. O café «Império», pelo menos aquele que conhecíamos, já não existe. Por que razão Antero Barbosa o nomeou? Para mostrar uma proximidade à terra (será que alguma vez teve?) e para dizer que nunca esqueceu tal acontecimento… à atenção de José Ribeiro. Mas cuidado, que os impérios são passageiros.
3. Paradoxalmente, Antero Barbosa, qualificou Fafe como uma terra com «algum desenvolvimento». Esta expressão é própria de alguém que nunca foi de Fafe. Faz-me lembrar aqueles que, por vários motivos, vivem fora e olham para a sua terra de origem com alguma sobranceria, promovendo a ideia que sabem o que é desenvolvimento. Convenhamos que Peniche ou Vieira do Minho não são paradigmas  de desenvolvimento, por muito que goste de caldeirada, das Berlengas ou da Barragem do Ermal.
Obviamente que Antero Barbosa não utilizou as expressões de uma forma racional e calculista, mas a matriz está lá. 

António Daniel

19 junho 2012

Sugestão Musical - Novos Talentos Fnac 2012


A iniciativa Novos Talentos FNAC tem como premissas a liberdade artística e a promoção da diversidade cultural, à margem das correntes, desprendida de estilos e de modas. A colectânea Novos Talentos FNAC Música pretende ser um retrato fiel dos projectos emergentes da cena musical portuguesa. Após o sucesso atingido com as edições de 2007, 2008, 2009, 2010, 2011 nas quais se destacaram os então desconhecidos Deolinda, Mazgani, Rita Redshoes, Sean Riley & The Slowriders, Anaquim, Samuel Úria, B Fachada, Os Pontos Negros, Orelha Negra, Paus, We Trust capitão Fausto e Best Youth,  a FNAC volta a lançar, este ano, uma nova edição que integra 60 temas inéditos, de 60 novos talentos, num CD triplo e onde se inclui o tema "Pensei que fosse fácil" do fafense Valter Lobo. O CD Novos Talentos FNAC 2012 que pode ser adquirido por 4 Euros, revela o futuro da música portuguesa, a nova geração de músicos portugueses que aposta, cada vez mais, numa mistura de linguagens na qual se cruzam estéticas e discursos inovadores. A totalidade das receitas deste CD reverte para o projeto de responsabilidade social Infotecas FNAC/AMI – Contra a Infoexclusão que visa construir espaços de acesso às Tecnologias da Informação e da Comunicação (TIC), proporcionando às pessoas carenciadas uma nova oportunidade de participação na sociedade da informação e do conhecimento e, consequentemente, de inclusão social e de integração profissional.

15 junho 2012

A Discussão Pública



A Câmara Municipal colocou em discussão pública a mudança de localização da estátua da justiça e do projeto do parque da cidade. Bonito, dizem uns; democrático e correcto, dizemos todos nós. Pois, mas dá para desconfiar. Se a localização da dita justiça é justificável através de critérios puramente estéticos e, sinceramente, sem grande pertinência temporal, já o parque merece uma atenção especial, pois corresponde ao grande calcanhar de Aquiles deste executivo. Deste modo, o executivo está a desviar as atenções, está a atribuir poder ao cidadão de decidir aquilo que nunca decidiu. Convenhamos que a estratégia é interessante e esperta. O cidadão comum pensará que existe, julgará que é uma peça fundamental na gestão política da Câmara e esquecerá, na altura do voto, o fracasso do projeto inicial do parque. Boa oportunidade de reler Maquiavel.
Na mesma semana, o recém-criado Notícias de Fafe colocava em manchete o monumento da justiça e a respectiva discussão pública. Num pequeno espaço no quanto superior esquerdo uma notícia de somenos importância: desemprego sobe em Fafe. Sim, realmente de desemprego estamos habituados, ao passo que a mudança do monumento deve cativar todas as atenções, pois daí irão surgir grandes transformações. E assim vamos nós. Espero que a moca nunca caia.

António Daniel

10 junho 2012

O Crescimento Económico e Social do País


Pois bem, é certo e sabido que não há receitas infalíveis, métodos perfeitos ou procedimentos imbatíveis. Mas o que o nosso País atravessa é também uma crise de confiança. Quem se nortear por índole de tecnocracia, certamente que terá um grande sucesso na matemática, mas de Pessoas e da condução eficiente do destino individual e coletivo das mesmas, não será a sua especialidade certamente.
Assim, o nosso país precisa de medidas que coadunem padrões de comportamento. Não podemos nem devemos continuar a gastar mais do que ganhamos, continuar a fazer da fuga aos impostos um jogo quotidiano, pensar em comprar tudo de fora. É necessário produzir mais para nós mesmos, diminuindo a proporcionalidade negativa da nossa balança comercial. Menos importações e mais exportações. Ganha-se em dinheiro, em qualidade de produtos e aumentam-se a criam-se mais postos de trabalho.
Em consonância com tudo isto é fulcral investir no acréscimo de um Estado Social. O pior que pode suceder a uma sociedade no seu caminho de desenvolvimento é o acréscimo das desigualdades. Não pode continuar a aumentar o fosso entre os que são pobres e os que são ricos. Uma classe média estável é o garante de uma sociedade. Assim, é preciso um mínimo que garanta a dignidade da pessoa humana. O combate à pobreza deve ser essencial e muito atuante. O acesso à educação, ao ensino, aos cuidados de saúde para todos deve ser prioridade. Só uma sociedade informada, bem cuidada pode progredir. Sem despesismos, investir nestas áreas tem retorno garantido. A população assim estará muito melhor preparada para fazer face às dificuldades que existem.
E muito importante, é necessário criar emprego, seja no apoio aos privados que deem condições dignas e corretas aos seus trabalhadores, seja no apoio aos cidadãos proactivos e com grande capacidade de superação, a criação de novos postos de trabalho é essencial. Investir em áreas de futuro, cimentar a boa prática de pagamentos, a tempo e horas, de modo a que o dinheiro continue o seu fluxo de circulação é primordial!
E é crucial ter esperança, acreditar e muita vontade! Pensamento positivo, o importante numa maratona não é de onde se parte, mas em que lugar se chega, e nós, como povo temos capacidades enormes!

João Castro

05 junho 2012

A Justiça de Fafe


Apesar de pouco relevante e escusada, a discussão à volta da possível deslocação do monumento da Justiça de Fafe pode suscitar algum interesse intelectual. Por isso, aqui procurarei apresentar as razões, creio que um pouco diferentes daquelas que têm surgido, pelas quais não considero pertinente a deslocação do monumento.
A justiça, numa acepção abrangente, consiste em atribuir às pessoas aquilo que merecem. Sem querer entrar em discussões mais ideológicas sobre as questões de igualdade ou até de igualdade de oportunidades – até porque não é o lugar apropriado – o certo é que o conceito de justiça está intimamente ligado à própria natureza humana. Um dos conceitos mais susceptíveis de reação por parte das crianças é a justiça e todos nós, independentemente das origens e credos, estamos predispostos a falar de justiça. Mesmo não sabendo explicitar o conceito, todos o conhecem e todos são muito sensíveis aos seus efeitos. Portanto, o Estado não fez mais que formalizar a justiça que, em virtude da nossa racionalidade, faz parte das nossas idiossincrasias mais nucleares.
A Justiça de Fafe significa mesmo isto, significa a lei natural na sua maior manifestação, na defesa da honra que, por vezes, a justiça positiva, própria de um estado de direito, não consegue vislumbrar de imediato. Portanto, a Justiça de Fafe perpetua e vincula-nos a pensar na verdadeira natureza humana e, por esse motivo, possui uma dignidade universal, não particular como muitos, levianamente, querem fazer crer.
O facto do monumento se situar por detrás do Palácio da Justiça não o desmerece, antes pelo contrário, pode proporcionar um bom motivo para pensar nos fundamentos da própria justiça.

António Daniel