Nesta entrevista tentei fazer um
exercício muito próximo do contratualismo político contemporâneo que consiste
numa suspensão temporária das nossas idiossincrasias. No caso presente,
suspendi toda a gnose preconcebida relativamente a Parcídio. Ora, ajustando-me
à situação, a palavra que mais se evidenciou na entrevista foi «romantismo».
Obviamente que a acepção do termo utilizada pelo entrevistador estava
envenenada e parece-me que Parcídio se deixou envenenar, porque Parcídio é romântico.
Mas não se julgue que o romantismo de Parcídio é piegas. Antes pelo contrário,
o seu romantismo recupera a vertente do «eu», por isso, ao dizer «os outros»
diz sobre «si mesmo»: quando diz que «as pessoas ainda não sabem assumir as
suas responsabilidades», quer dizer que «sei assumir as minhas
responsabilidades». Mais óbvio é quando diz «houve um período, logo a seguir às
eleições, que eu não estive, durante 6 meses especulou-se muito, mas regressei
e as pessoas perceberam que eu não as abandonei».
É este o romantismo de Parcídio.
Mas atenção, é uma vertente de personalidade que, pessoalmente, não me desgosta
porque possui a medida dos impossíveis. Parcídio é simultaneamente vitalista e
recatado, tanto escreve um romance (nunca tive a oportunidade de ler) como é
automobilista; tanto é incisivo nos seus gestos (vejam-se a fotografias da
entrevista) como é indeciso nas suas afirmações.
Possivelmente este tempo exige maior assertividade, mas eu gosto!
António Daniel
Possivelmente este tempo exige maior assertividade, mas eu gosto!
António Daniel


















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