A Câmara
Municipal colocou em discussão pública a mudança de localização da estátua da
justiça e do projeto do parque da cidade. Bonito, dizem uns; democrático e
correcto, dizemos todos nós. Pois, mas dá para desconfiar. Se a localização da
dita justiça é justificável através de critérios puramente estéticos e,
sinceramente, sem grande pertinência temporal, já o parque merece uma atenção
especial, pois corresponde ao grande calcanhar de Aquiles deste executivo.
Deste modo, o executivo está a desviar as atenções, está a atribuir poder ao
cidadão de decidir aquilo que nunca decidiu. Convenhamos que a estratégia é
interessante e esperta. O cidadão comum pensará que existe, julgará que é uma
peça fundamental na gestão política da Câmara e esquecerá, na altura do voto, o
fracasso do projeto inicial do parque. Boa oportunidade de reler Maquiavel.
Na mesma
semana, o recém-criado Notícias de Fafe colocava em manchete o monumento da
justiça e a respectiva discussão pública. Num pequeno espaço no quanto superior
esquerdo uma notícia de somenos importância: desemprego sobe em Fafe. Sim,
realmente de desemprego estamos habituados, ao passo que a mudança do monumento
deve cativar todas as atenções, pois daí irão surgir grandes transformações. E
assim vamos nós. Espero que a moca nunca caia.
António Daniel












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