14 dezembro 2011

Concertos de Natal

Formada em 2002, a Orquestra Juvenil da Banda de Golães realizou as suas primeiras apresentações públicas na"Quadra Natalícia"do mesmo ano numa série de concertos realizados em algumas freguesias de Fafe. Como resultado do trabalho desenvolvido na formação de jovens músicos, foram galardoados em 2003 com o prémio revelação pelos dois semanários fafenses.
A Orquestra Juvenil irá levar a cabo nesta época festiva um conjunto de concertos de Natal. O primeiro concerto realizou-se sábado dia 10 de Dezembro pelas 10.00h nas instalações do Centro Social de S. Vicente de Paços, segue-se no dia 18 de Dezembro pelas 15.00h o concerto de Natal na Igreja Paroquial de Golães, por ultimo dia 8 de Janeiro pelas 15.00h na Igreja Paroquial de S. Gens. A direcção artística da orquestra Juvenil está a cargo do Prof. Tiago Ferreira que é também o seu maestro, cargo que ocupa desde 2001. Os jovens que compõem a Orquestra Juvenil da Banda de Golães são exemplo de trabalho, dedicação, amor à música e à sua banda filarmónica e desejam a todos os associados e simpatizantes uma quadra natalícia cheia de felicidade.

Filomena Magalhães

09 dezembro 2011

Clube Fafense

A gestão de organizações é um desafio. A forma como certas pessoas fazem surgir uma entidade que se torna numa referência é algo que sempre me surpreendeu. É certo que a génese destas entidades, seja de que índole for, é resultado de uma visão corajosa da realidade e de uma tenacidade a toda a prova. Contudo, parece-me que mais difícil é o caminho da manutenção. Manter em alta as expectativas, manter um nome, preservar uma identidade é um desígnio de todos os que constroem as organizações.
Muita gente poderá dizer melhor do que eu, mas parece-me que o Clube Fafense foi uma referência na cidade, sem dúvida, por todo o simbolismo que possuía. Só que, convenhamos, esse simbolismo foi executado por um mix de elitismo (nada tenho contra) aliado a uma certa boémia glamorosa devidamente elaborada pelas pessoas que o frequentavam. Poucas histórias conheço do Clube fafense, mas a sua identidade foi construída durante décadas pelos momentos vividos pelas personagens únicas que o ocuparam e pela imagem que, intencionalmente ou não, fomentaram.
Quando soube da iniciativa de retomar as actividades do clube, a minha reacção foi de regozijo, quer pelo edifício (a sua dinamização certamente o vai rejuvenescer), quer por mais uma «alma» que servirá para Fafe recuperar a sua identidade. Contudo, o futuro não vai ser fácil.
Se o Clube funcionou com uma dinâmica própria em circunstâncias temporais muito precisas, pergunto-me como vai ser agora. A ambiguidade é nítida: Se, por um lado, os tempos que correm apelam a uma abertura de portas, por outro lado a dignidade e identidade do Clube só se tornará exequível caso mantenha algum mistério e seja selectivo nas suas admissões. Consequentemente, a tarefa de manter o clube reveste-se de uma grande dificuldade. Coragem e boa vontade são necessárias.

António Daniel

05 dezembro 2011

Entrevista ao Padre Pedro Marques

No último fim-de-semana, o jovem sacerdote Pedro Marques, há pouco na paróquia de St.ª Eulália, em Fafe, deu-nos a honra de uma entrevista, no âmbito de um trabalho para Jornalismo, unidade curricular do curso de Ciências da Comunicação. A entrevista debruçou-se sobre a relação dos jovens com a Igreja. Dado a extensão relativamente grande do texto, ficam aqui algumas das suas ideias principais.
“Uma paróquia que não se rejuvenesce, é uma paróquia que morre a prazo”
O Padre Pedro dá conta de uma mudança significativa na relação dos jovens com a Igreja – as gerações anteriores viam a Igreja numa perspectiva colectiva, de convívio com os outros; actualmente, os jovens vêem e precisam da Igreja de uma forma diferente. «Existem imensos factores a nível sociológico que explicam esta falta de interesse dos jovens pela prática religiosa nesta idade. Eles entendem a religião de uma maneira opressiva, castradora da liberdade – o que não corresponde à realidade.»
Este afastamento dos jovens traz, na opinião do sacerdote, consequências «devastadoras» para a paróquia. «Todos perdem». Quanto às formas de chamar a juventude à Igreja, é necessário criar «um espaço de diálogo, de liberdade, onde se possam sentir jovens e viver a sua fé de uma forma jovem e alegre. Esse espaço, nós queremos criá-lo cá em Fafe.»
Segundo Pedro Marques, a relação dos jovens com a religião é, pelo menos, mais «consciente», em comparação com as gerações anteriores. «Agora, as pessoas questionam-se minimamente; de uma forma geral, as pessoas andam mais esclarecidas e isso é bom; obriga a Igreja a esclarecer-se para o bem e para o mal». São raros os pais que obrigam os filhos a ir à Igreja. E para que exista uma relação de continuidade com a instituição, falta muitas vezes, na sua opinião, uma «experiência positiva».
A falta de padres é, na opinião do sacerdote, um dos mais sérios problemas da Igreja. «Antigamente, os padres chegavam para todas as reuniões, para todas as missas, e, actualmente, começam a não chegar. Deus continua a chamar, mas as pessoas têm medo de arriscar, porque a vida de sacerdote não é nada fácil, como também não o é a vida de casado.
No futuro, o padre gostaria que a relação entre esta camada da população e a Igreja fosse mais natural. «Acho que ao fim de dez anos de catequese, um jovem devia reclamar o seu espaço na Igreja».
Deixamos os comentários com os leitores.

Sofia Rodrigues e Joana Gonçalves

30 novembro 2011

Cine Teatro DEZEMBRO

EM DESTAQUE: Carminho
Dia 9, 21:30H, Preço 10Eur

Nasceu Carmo Rebelo de Andrade, em Lisboa. Estreou-se a cantar em público, aos doze anos, no Coliseu. A partir daí começou a cantar regularmente na Taverna do Embuçado, em Alfama.
Depois de uma viagem à volta do mundo que durou um ano e em que participou em acções humanitárias na Índia, Camboja, Peru e Timor, conseguiu olhar de fora para dentro e descobriu que a sua verdadeira vocação era mesmo o fado. Cantou na Casa da Música, na Festa do Fado, no espectáculo comemorativo dos 45 anos de carreira de Carlos do Carmo, na Expo de Saragoça e na recriação de «Amália à L'Olympia». Para trás, nesta história, ficou a participação, entre outros, no disco «Fado - Ontem, Hoje e Sempre», no filme «Fados», de Carlos Saura, e concertos na Argentina, Suiça e Malta. Recebeu o Prémio «Revelação Feminina» da Fundação Amália Rodrigues.
Em 2009 editou o seu primeiro álbum “Fado”, considerado “a maior revelação do fado da última década”, pela revista Time, alcançando rapidamente o galardão de ouro e dando início a uma digressão nacional e internacional.
Vista como um símbolo da sua geração, tornou-se, em 2011, a Embaixadora portuguesa do programa “Youth on the Move”, a convite da Comissão Europeia.
2011 é também o ano de um arranque seguro de uma carreira internacional que a leva ao palco principal da Womex (World Music Expo), na Dinamarca, e a espectáculos em diversos palcos europeus.
É com grande expectativa que se aguarda o lançamento do seu segundo álbum, previsto para Janeiro, com edição assegurada em Espanha e no Reino Unido.

27 novembro 2011

Plano e Orçamento Municipal 2012

As Grandes Opções do Plano e Orçamento para o ano de 2012 foram aprovadas, por maioria, na mais recente reunião da Câmara Municipal de Fafe, contando apenas com o voto contra da vereadora do PSD, Fernanda Castro. As grandes opções para o próximo ano são influenciadas obviamente pela situação de crise que se vive no país, que coloca tudo em questão, sobretudo, como refere o Presidente da Câmara, José Ribeiro, “quando não desistimos do firme e inalterável propósito de prosseguir na sustentabilidade económico-financeira do nosso Município, na trajetória de reduzir despesa e de reduzir endividamento, não deixando de fazer o que é absolutamente necessário fazer-se”.
O Plano e Orçamento do Município para o próximo ano mantém a entrega aos cidadãos de Fafe de 2% do seu IRS; as taxas do IMI, não adotando as máximas fixadas pelo Governo, bem como os preços e as taxas dos serviços municipais, sem aumentos no atual mandato; reforça as transferências para as juntas de freguesia em mais de 2%, atualizando os fogos pelos censos de 2011; reforça as verbas para os protocolos com as juntas de freguesia para os serviços de transporte, refeições e prolongamento de horário; e prevê, como tem sido habitual, uma significativa verba de 500 000 euros para Protocolos de Investimento, a realizar logo que conhecido o resultado da reorganização administrativa em curso.
O documento dá absoluta prioridade aos investimentos cujo financiamento está assegurado pelo QREN ou que pode ser suscetível de vir a sê-lo, “já que não podem desperdiçar-se os 85% do seu valor. Ninguém nos perdoaria outra opção!”. Está nesse caso, a eventualidade da aprovação da candidatura da requalificação da Feira Semanal.
Neste contexto, as principais opções e investimentos para 2012 são a requalificação do Palacete do Ex-Grémio para o Arquivo Municipal (1 100 000 euros); a construção do Centro Educativo Montelongo (1 220 000 euros); construção do Quartel da GNR (1 500 000 euros); aquisição comparticipada e financiada pelo INH de habitação social (3 847 855 euros); reforço do investimento no abastecimento de água e rede de saneamento do concelho (1 550 000 euros) e aquisição do património da REFER (572 759).

In www.cm-fafe.pt

24 novembro 2011

A "Capital" da Juventude no Seu Melhor...

"Vila de Fafe" é um erro que ofende todos os fafenses! Não que seja um problema ser vila mas porque ainda há quem desconheça que já fomos elevados a cidade há mais de 25 anos!!

22 novembro 2011

Escola Industrial de Fafe

No passado Sábado, dia 19 de Novembro, a Associação dos Antigos Professores, Alunos e Funcionários da Escola Industrial de Fafe realizou o seu Magusto anual, nas instalações da Escola Secundária de Fafe. Aurora Barros, ex-aluna e Professora da extinta Escola, é a Presidente e também o rosto mais visível da Associação e foi mais uma vez a anfitriã do evento que contou com a presença de muitos que em tempos difíceis da história do nosso país tiveram o privilégio de ter frequentado aquele estabelecimento de ensino. O convívio contou com a participação do Rancho Folclórico de Regadas, que veio aumentar ainda mais o espírito de alegria, partilha e amizade entre os participantes .
Em 2009, durante as comemorações do 50º Aniversario da Escola, Marcelo Rebelo de Sousa foi o convidado de honra. Na sua intervenção no Teatro Cinema disse constar das suas memórias o esforço que o presidente à frente dos destinos da Câmara de Fafe, na época, exerceu junto de seu pai, que na altura exercia um cargo no governo de Lisboa, para que o projecto da referida escola que tardava em chegar, não fosse desviado para outro destino.

Filomena Magalhães

17 novembro 2011

Regresso

A próxima edição do Rali de Portugal tem início num dos locais mais míticos do antigo Rali de Portugal, mais concretamente em Fafe, para uma espécie de "Road Show", à semelhança do evento que teve lugar há dois anos na Avenida dos Aliados, no Porto.
Os contornos deste «regresso ao passado» do Rali de Portugal deverão ser dados a conhecer ao pormenor pelo ACP na apresentação da próxima edição da prova, o que deverá acontecer nos próximos dias.
O Vodafone Rally de Portugal 2012 já tem data confirmada, entre os dias 29 de Março a 1 de Abril do próximo ano.

In http://www.autoportal.iol.pt

16 novembro 2011

Sugestão de Leitura - "A Herança Arquitectónica e Urbana da Cidade de Fafe"


O livro resulta do trabalho académico de final de curso do arquitecto fafense António Póvoas.
A Reabilitação como Processo de Preservação Cultural e Patrimonial pretende ser uma reflexão crítica sobre a forma como todo um património, arquitectónico e urbano, é pensado, e um olhar sobre a protecção desse legado tendo como foco de análise a cidade de Fafe.
Trata-se de um trabalho de investigação baseado na recolha e análise de várias matérias e testemunhos que contextualizam a evolução da cidade desde a sua fundação medieval, até ao presente. Será proposta uma interpretação relativa ao crescimento urbano e demográfico, em que serão abordados alguns aspectos da influência do surto emigratório para o Brasil, bem como o modo de vida do português "brasileiro". Ilustrar-se-á como esse êxodo se veio a repercutir subsequentemente nos aspectos económicos e culturais da sociedade de Fafe, muito devido ao seu carácter interventivo e filantrópico, veículo fundamental no desenvolvimento da urbe.
O livro pode ser adquirido através da "Kairos - Produções Culturais".

11 novembro 2011

Breves Apontamentos


1. O jogo do pau é uma das marcas identitárias do nosso concelho. Existem associações que se dedicam a essa prática com bastante afinco mas o jogo do pau ainda não tem uma abrangência assim tão significativa. Recentemente, fiquei surpreendido ao reparar que um ginásio da nossa capital tem o jogo do pau como uma das modalidades de aprendizagem, ao lado de muitos outros desportos de combate. O jogo do pau é “nosso” mas não me admirava nada que daqui a uns tempos começássemos a ver outras colectividades a pegar naquilo que é “nosso”, a inovar e a desenvolver o mesmo. Este exemplo transportou-me para outras realidades e fez-me lembrar algumas colectividades de bombos fafenses. Com todo o respeito que tenho por todos mas, enquanto nós andamos sempre a ouvir o mesmo bater dos “Amigos da Borga” e semelhantes, existem outros que pegam naquilo que é tradicional, inovam e desenvolvem, criando novos espectáculos e garantindo outra projecção à “arte do tambor”. Estou-me a lembrar, por exemplo, dos Toca Rufar ou dos Sond´Art. Nós temos a arte mas paramos no tempo. Outros pegam na “nossa” arte, desenvolvem-na e inovam, criam dinâmicas e formam os mais jovens. Essa é a grande diferença! Talvez possamos fazer o mesmo com o jogo do pau…

2. Até há bem pouco tempo nunca tinha pensado se valeria mais dar roupa que não precisasse e alimentos directamente a uma família desfavorecida ou a uma organização de solidariedade. Mas, quando um voluntário que já prestou serviço na Cruz Vermelha Portuguesa me disse que viu pessoas a colocarem nos carros particulares bens doados, comecei a pensar no assunto…

3. Este exemplo anterior fez-me recordar aquelas organizações pseudo elitistas fafenses do meu tempo que faziam grandes campanhas de solidariedade com festas nas discotecas para angariar dinheiro, com grande destaque nos jornais locais e depois iam gozar umas “merecidas” férias aos Açores depois de um extenuante trabalho de amor ao próximo…

Pedro Fernandes

08 novembro 2011

Leituras Políticas

A meio do mandato autárquico é altura de fazer uns pequenos ajustes à «movida» política, ou melhor, à sua ausência. As próximas eleições autárquicas em Fafe possuirão características únicas:
- Saída de José Ribeiro;
- Nomeação de um sucessor;
Se a saída parece consumada, com óbvias implicações positivas ou negativas, dependendo do ponto de vista, já a segunda não é linear, apesar de haver uma tendência. Contudo, poderão daí surgir divisões; divisões que se acentuarão caso o PS não obtenha uma percentagem muito convincente. Diria até mais, é um momento único para a oposição destronar o PS do poder. Por que razão?
Em virtude de múltiplos fatores, houve um conjunto de iniciativas que pura e simplesmente não sairão do papel ou, nas melhores das hipóteses, serão adiadas. Referimo-nos ao Hospital e à Escola Secundária e ao cadavérico parque da cidade (monte de terra com um simbolismo enorme…) com todas as melhorias daí decorrentes, quer ao nível humano, quer ao nível físico. Se tal acontecesse (a concretização destas infra-estruturas certamente seria um desígnio desejado por todos) o PS teria a eleição garantida com Antero Fernandes a tomar a dianteira por ser o rosto mais visível destas transformações em virtude do seu pelouro. Porém, infelizmente parece que tal não irá suceder. Resultado: teremos um sucessor fraco. Daí que se entenda a preocupação de José Ribeiro em pedir a audiência com o Ministro da Saúde.
Contudo, o tempo passa. Julgo que seria importante para a oposição delinear estratégias o mais cedo possível. Encontrar um rosto credível com alguma experiência é um objectivo que se vai tornando premente. Com a antecedência devida, tornaria possível uma identificação com o eleitorado e promovia uma ideia de mudança aliada à constante vigilância democrática com a indicação de alternativas credíveis para o Concelho. Contudo, aqui a oposição depara-se com um obstáculo: a comunicação. Neste momento só existe um meio de comunicação: O Povo de Fafe. Por tal motivo, creio que a única estratégia possível passará pelo contacto direto com os eleitores o que, convenhamos, necessita de tempo e disponibilidade para aproveitamento da singularidade destes tempos.
Escrevo isto com uma única preocupação: Fafe.

António Daniel

04 novembro 2011

Yin e Yang e as PPP´S

O Yang
A vitória do PSD nas últimas eleições legislativas parece querer significar que sempre serão suspensas as Parcerias Público-Privadas. Essa será a melhor notícia que nos poderiam dar e um novo alento para o nosso futuro.
Olhemos para o exemplo de Fafe: 40M€ em 7 empreitadas cuja importância é discutível e com programas de execução claramente a exceder o “estritamente necessário”. Esses 40M€ iriam colocar-nos em regime de restrição para os próximos 20 a 30 anos, sujeitos a um orçamento municipal que veria as suas verbas destináveis a investimentos reduzidas a pouco mais do que €5.000.000,00/ano. Todo o restante seria encaminhado para pagar as PPP’s.
Por isso, confirmando-se a notícia, deveríamos rejubilar e, quem sabe, até festejar.

O Yin
Anunciadas que foram as privatizações, percebemos que as Águas de Portugal se contarão entre as empresas alienadas em prol do indispensável aumento da receita do Estado.
Morrerá, pela forma, a Parceria Pública-Pública contratada entre o nosso Município e as Águas do Nordeste (empresa pertença das Águas de Portugal), extinguindo-se a fórmula expedita que o Dr. José Ribeiro havia encontrado para executar a tão prometida ampliação da rede municipal de saneamento.
Neste caso, infelizmente, não temos razões para festejar. Perde-se a possibilidade de candidatar algumas das obras aos fundos do QREN (possibilidade que as AdP tinham) o que permitiria fazer mais obra com menos dinheiro; e perdem-se as poupanças que sempre se conseguem com uma gestão integrada das redes públicas – esta PPP incluía mais de uma dezena de Municípios.
Resta-nos a esperança que o nosso Presidente canalize as verbas previstas para as PRIVADAS e as utilize na obra PÚBLICA. Pelo menos agora só depende de si próprio!

Miguel Summavielle

02 novembro 2011

O Rio do Matadouro

Assim fora designado o rio que serpenteava as margens da Ponte do Ranha. Ao lado do Matadouro, alheias aos gemidos fúnebres dos animais, as mulheres castigavam as mãos na rudeza da água que, por mais translúcida que fosse , parecia quente. Os sabões, comprados ao quilo na venda do Canedo, ainda com o papel tão característico a servir de invólucro, deslizavam na roupa com suavidade, contrastando com os preparativos da lavagem de mantas, carpetes, tapetes e afins. Sobre aquelas pedras de granito, esfregava-se com veemência, revelando a minhota em todo o seu esplendor. Pujante na atitude, com o verbo malicioso na ponta da língua, apontava o norte através da palavra para atenuar o esforço do manejamento das pesadas peças molhadas. Toda a sua beleza reinava naquele poder surpreendente onde a sonoridade permanente de uma pequena queda de água abafava as vozes mas revelava o corpo.
Destas ambiências comungavam os putos. Com um enquadramento maternal próprio da minhota, com marcação à zona, molhavam-se numa alegria estonteante, entre as gotículas a comungarem com o sol a beleza das cores. Assim começámos a admirar as nossas mães.
Todos aqueles habitantes da Ponte do Ranha tinham uma tendência desmedida por Parcídio Sumavielle: Colocou uma cobertura no tanque coletivo, tornando possível a lavagem no Inverno.
Como os tempos se alteram…

(homenagem à minha querida mãe)
António Daniel

28 outubro 2011

Cine Teatro NOVEMBRO

EM DESTAQUE: UHF
Dia 26, 22H, Preço 10Eur (camarotes); 15Eur (Plateia)

O mês de Novembro de 1978 é comummente considerado como a data do primeiro concerto a sério dos UHF. Trinta e três anos depois, a banda de Almada que esteve no arranque do movimento de renovação musical denominado rock português, regressa à sala do Teatro-Cinema de Fafe, depois de há um ano a ter esgotado.
Será um desfilar sonoro de canções do percurso do UHF, numa “viagem” que inclui temas do seu novo álbum (porquê?), entremeados com músicas conhecidas da banda, como “Cavalos de Corrida”, "Rua do Carmo",“Vejam bem” ou “Matas-me com o teu olhar”, que deliciam sempre os espectadores.
Este vai ser um concerto em formato acústico e será registado ao vivo para edição discográfica. Os parabéns aos UHF na sala de visitas fafense!!

25 outubro 2011

Em Viagem...

(Excerto de uma breve conversa numa viagem de comboio)

- (…) Sou de Fafe!
- Fafe?! Que engraçado… Eu tenho familiares em Fafe mas sou de Celorico de Basto (…) Fafe desenvolveu-se muito nos últimos anos.
- Acha que sim? Não tenho muito essa ideia!
- Conheço aquelas terras todas perto de Fafe e acho que em comparação com outras de igual dimensão, Fafe conseguiu ganhar outra visibilidade e tem crescido de forma sustentável.
- (…) Mas olhe que em Fafe ainda subsistem grandes problemas. Por exemplo, há uma grande falta de dinamismo do poder local, falta de opções estratégicas para captar investimento, aposta no turismo rural ainda muito deficitária.
- O problema não é só de Fafe. Em Celorico, por exemplo, também existem esses e outros problemas bem piores que os vossos.
- Pois, acredito… também é mais pequeno… Mas nós temos que nos comparar com os bons exemplos, com cidades maiores, para daí tirarmos ideias para a nossa terra.
- Por isso é que, por vezes, comparo Celorico com Fafe.
- E os fafenses com Guimarães…
- Sabia que as pessoas de Celorico agora vão muito a Fafe às compras?! Vocês agora têm lá à saída da auto-estrada muitos supermercados.
- Os supermercados vão dando emprego a muita gente, o que é importante, apesar de trabalhos precários. Se não houvesse isso, muita gente já não estaria em Fafe a trabalhar e a viver. Mas, por outro lado, o comércio local está nas ruas da amargura…
- Está em todo o lado e mesmo em sítios onde não existem hipermercados.
- Pois… não há dinheiro… é a crise...
- Mas olhe que em Fafe há mais oferta e os preços são mais baixos do que em Celorico. Por isso é que muita gente de Celorico vai a Fafe às compras. E olhe que conheço pessoas que já se mudaram para Fafe.
- Não tinha essa percepção. Até me parece que Fafe está a perder gente, seja para cidades maiores, como para fora do país. Muita gente tem emigrado, mesmo pessoas muito qualificadas. Há muito desemprego, pobreza a aumentar...
- A nossa região sofre muito com este tempo de crise. E é nas cidades pequenas que mais se notam estes dramas. Nota-se em Fafe e nota-se muito mais em Celorico ou em Cabeceiras (…) Há uns meses atrás fui a Fafe ao novo teatro que lá têm. Aquilo é muito bonito! Fui ver uma dança. O espectáculo não foi nada de especial mas aquela sala é espantosa. No outro dia, soube que a Tereza Salgueiro esteve em Fafe. Gostava de ir ver mas só soube depois…
- Sim, é verdade. Foi a melhor obra de Fafe dos últimos anos. E a requalificação de toda a zona envolvente e a instalação da Academia de Música naquele espaço foram excelentes apostas. Ficou tudo muito bonito e criou uma grande mais-valia no centro de Fafe. O mesmo já não se pode dizer do Parque da Cidade (…) A programação também tem vindo a melhorar. Pena que nem sempre haja audiência para tudo… mas por lá já passaram grandes nomes…
- Olhe, fui ver Deolinda a Fafe também nas festas.
- E que tal? Gostou?
- Claro que sim. Muita gente. Era um concerto que sempre queria ver e acabei por ver na sua terra, e sem pagar nada.
- Nos últimos tempos, Fafe tem dado outro destaque à cultura. Antes havia um bom concerto em Fafe uma vez por ano. Hoje em dia já se pode presenciar muita coisa boa com frequência (…) Em Celorico as pessoas conhecem o Cine Teatro e a sua programação?
- Olhe que nem por isso. Há gente que, como eu, conheceu por acaso. Mas ali ainda não se dá a devida importância à educação e à cultura.
- Fafe também padece do mesmo mal. É um problema português (…)

Rui Silva

21 outubro 2011

A Pista de Cicloturismo

Utilizada sobretudo para praticar desporto - correr, andar de bicicleta -, a pista de cicloturismo é, acima de tudo, uma das melhores sugestões de passeio e desfruto da paisagem de Fafe.
Quem faz, regularmente ou não, parte deste percurso, que nos leva até ao concelho vizinho, facilmente percebe que ao longo dos quilómetros se respira ar puro, bem-estar e, sobretudo, história. É, no mínimo, engraçado e encantador imaginar como seria o comboio a percorrer esta linha (sobretudo, penso eu, para quem não conheceu estes tempos em que o comboio passava em Fafe).
Na imagem vemos o bar da estação, em Cepães. A ideia de preservar um pouco do nosso património transformando a estação de comboios de Cepães num bar foi, na minha opinião, fantástica e pena é que mais iniciativas deste tipo não preencham os nossos dias e a nossa terra. Ao pé da estação teremos em breve um museu (vagão recuperado) sobre os tempos em que por esta terra passava, sibilando, o estranho bicho. Para tal, muito contribuiu, diga-se de passagem, o Prof. José Emídio, que tanto tem feito por Cepães.
Aos que ainda não conhecem, fica o convite: estreiem-se neste percurso (ainda que não seja por inteiro) e interajam o mais que possam com esta bela Natureza (garanto que a imagem não retrata o que de mais belo podemos apreciar ao longo da pista).

Sofia Rodrigues

P.S.- No letreiro, recentemente colocado, podemos ler: “Atenção aos comboios. Pare, escute e olhe. Proibido o trânsito pela linha”.

18 outubro 2011

Discrepância

Relativamente ao ano lectivo transacto, a Escola Secundária de Fafe subiu apenas um lugar no ranking da média dos Exames do Ensino Secundário. Passou do 444º lugar para o 443º. Atrás de Fafe só estão 34 escolas de todo o Portugal. Embora sabendo a subjectividade deste ranking, o actual panorama educativo no nosso concelho não é coisa que nos possa orgulhar. Por detrás deste resultado muito fraco, está, concerteza, uma realidade social preocupante. Hoje em dia, a pobreza e as demais disfuncionalidades familiares e muitas outras razões de índole cultural, económica e social explicam, em parte, este resultado. Um resultado que só não foi pior porque entre a média das notas internas dadas pelos professores da Secundária (13,7) e a média dos exames nacionais (8,91) esteve uma grande diferença... Na televisão, ouvi um Director de uma escola pública afirmar que mais de três pontos de diferença entre a média das notas internas dadas pelos professores e a média dos Exames Nacionais era motivo para preocupação e “investigação”. Será o caso de Fafe? Como se explica este fosso de quase 5 valores?

Pedro Fernandes

11 outubro 2011

Hospital de Fafe

A alternância democrática veio colocar a nu a fragilidade das opções que o Dr. José Ribeiro assumiu em exercício de funções. Acreditou nos seus correligionários políticos e não terá Posto da GNR, Escola Secundária ou Hospital.
No que diz respeito ao Hospital de Fafe, apesar das constantes chamadas de atenção de toda a oposição, aceitou o projecto de encerramento das urgências e foi concordando com o esvaziamento das suas valências.
Quando o Governo de Sócrates propôs o encerramento da urgência do Hospital de S. José, o Dr. José Ribeiro aceitou a decisão e saiu, inclusivamente, em defesa da mesma, arguindo que o Hospital não prestava os serviços com a qualidade necessária e que estava subjugado a interesses corporativos.
Foi com muito custo (e depois de um abaixo-assinado mobilizador) que lá se conseguiu que as urgências não encerrassem, não sem antes assistir a uma mudança de opinião do nosso edil (o que demonstra, e ainda bem, que sabe reconhecer quando erra).
Com a criação do Centro Hospitalar do Alto do Ave (Guimarães e Fafe), temos assistido ao consecutivo encerramento das especialidades existentes na nossa unidade de saúde e à sua transferência para Guimarães. Tudo em nome da eficiência e melhoria da qualidade do serviço prestado.
Quando questionado sobre o assunto, o Sr. Presidente defendeu-se anunciando a construção de um novo Hospital - “Suspenda-se o PDM e adquiram-se os terrenos! Está o problema resolvido e, afinal, Fafe ficará melhor servido”.
Ora, afinal o Rei vai nu e o dinheiro que deveria permitir a construção do “nosso” Hospital irá cobrir um qualquer buraco na Madeira ou no BPN.
Pois é, agora é tarde demais. Os serviços já encerraram e não voltarão a abrir. Se queremos, vamos para Guimarães. Onde está, afinal, a observação dos princípios plasmados na constituição? Não teremos nós os mesmos direitos dos restantes Portugueses? Não pagamos os mesmos impostos?
Escrevo este texto porque durante a anterior e presente legislaturas, no cumprimento das minhas atribuições de deputado municipal, questionei, mais do que uma vez, o Sr. Presidente sobre o assunto.
Perguntei, no momento da apresentação do programa do novo Hospital, de onde viriam os fundos para a sua construção. Disseram que seria efectuada uma candidatura ao QREN e que o estado comparticiparia no montante restante…
Perguntei se não seria melhor lutar pelo Hospital que tínhamos até ter a certeza que um novo seria, de facto, construído. Responderam-me que era tudo uma questão de fé e a minha posição estava toldada pela descrença nas promessas do Governo…
Até os “Velhos do Restelo”, por vezes, têm razão!

Miguel Summavielle

06 outubro 2011

Povoado Castrejo

Escrevo este artigo na mesma altura em que Jesus Martinho chama mais uma vez a atenção para o abandono a que este povoado está votado. Sinto-me, pois, na obrigação de me solidarizar com as angústias mais que justificadas de Martinho. A cultura em Fafe, tal como já argumentei inúmeras vezes, tem tido um rumo sério. Com a revitalização de certos espaços, tem-se conseguido promover um calendário com realizações felizes. Aliás, sempre que nas redes sociais os promotores da cultura em Fafe apresentam as suas realizações, transmitem uma ideia de sucesso e de grande felicidade, conjugada com os respectivos «gosto» dos seus seguidores (eu próprio vou «clicando» no «gosto»).
Será assim? Não, não é. Evidentemente que enquanto o património estiver no estado em que está, a felicidade cultural não existe. Numa época de grandes magrezas, é necessário dinamizar vontades, criar novas ideias e incrementar a imaginação. É necessário salvaguardar o espaço e construir um núcleo temático do Castro. As escolas teriam aí um papel relevante. Mas também teria um papel relevante o Pompeu Miguel Martins de Galochas a tirar o mato, o Daniel, vindo de Paris, a reconstruir o muro e todos os técnicos superiores da autarquia, que os deve haver em número suficiente, a ajudar na tarefa.
Parabéns, Jesus Martinho, e muito obrigado pela salvaguarda no nosso património.

António Daniel