28 outubro 2011

Cine Teatro NOVEMBRO

EM DESTAQUE: UHF
Dia 26, 22H, Preço 10Eur (camarotes); 15Eur (Plateia)

O mês de Novembro de 1978 é comummente considerado como a data do primeiro concerto a sério dos UHF. Trinta e três anos depois, a banda de Almada que esteve no arranque do movimento de renovação musical denominado rock português, regressa à sala do Teatro-Cinema de Fafe, depois de há um ano a ter esgotado.
Será um desfilar sonoro de canções do percurso do UHF, numa “viagem” que inclui temas do seu novo álbum (porquê?), entremeados com músicas conhecidas da banda, como “Cavalos de Corrida”, "Rua do Carmo",“Vejam bem” ou “Matas-me com o teu olhar”, que deliciam sempre os espectadores.
Este vai ser um concerto em formato acústico e será registado ao vivo para edição discográfica. Os parabéns aos UHF na sala de visitas fafense!!

25 outubro 2011

Em Viagem...

(Excerto de uma breve conversa numa viagem de comboio)

- (…) Sou de Fafe!
- Fafe?! Que engraçado… Eu tenho familiares em Fafe mas sou de Celorico de Basto (…) Fafe desenvolveu-se muito nos últimos anos.
- Acha que sim? Não tenho muito essa ideia!
- Conheço aquelas terras todas perto de Fafe e acho que em comparação com outras de igual dimensão, Fafe conseguiu ganhar outra visibilidade e tem crescido de forma sustentável.
- (…) Mas olhe que em Fafe ainda subsistem grandes problemas. Por exemplo, há uma grande falta de dinamismo do poder local, falta de opções estratégicas para captar investimento, aposta no turismo rural ainda muito deficitária.
- O problema não é só de Fafe. Em Celorico, por exemplo, também existem esses e outros problemas bem piores que os vossos.
- Pois, acredito… também é mais pequeno… Mas nós temos que nos comparar com os bons exemplos, com cidades maiores, para daí tirarmos ideias para a nossa terra.
- Por isso é que, por vezes, comparo Celorico com Fafe.
- E os fafenses com Guimarães…
- Sabia que as pessoas de Celorico agora vão muito a Fafe às compras?! Vocês agora têm lá à saída da auto-estrada muitos supermercados.
- Os supermercados vão dando emprego a muita gente, o que é importante, apesar de trabalhos precários. Se não houvesse isso, muita gente já não estaria em Fafe a trabalhar e a viver. Mas, por outro lado, o comércio local está nas ruas da amargura…
- Está em todo o lado e mesmo em sítios onde não existem hipermercados.
- Pois… não há dinheiro… é a crise...
- Mas olhe que em Fafe há mais oferta e os preços são mais baixos do que em Celorico. Por isso é que muita gente de Celorico vai a Fafe às compras. E olhe que conheço pessoas que já se mudaram para Fafe.
- Não tinha essa percepção. Até me parece que Fafe está a perder gente, seja para cidades maiores, como para fora do país. Muita gente tem emigrado, mesmo pessoas muito qualificadas. Há muito desemprego, pobreza a aumentar...
- A nossa região sofre muito com este tempo de crise. E é nas cidades pequenas que mais se notam estes dramas. Nota-se em Fafe e nota-se muito mais em Celorico ou em Cabeceiras (…) Há uns meses atrás fui a Fafe ao novo teatro que lá têm. Aquilo é muito bonito! Fui ver uma dança. O espectáculo não foi nada de especial mas aquela sala é espantosa. No outro dia, soube que a Tereza Salgueiro esteve em Fafe. Gostava de ir ver mas só soube depois…
- Sim, é verdade. Foi a melhor obra de Fafe dos últimos anos. E a requalificação de toda a zona envolvente e a instalação da Academia de Música naquele espaço foram excelentes apostas. Ficou tudo muito bonito e criou uma grande mais-valia no centro de Fafe. O mesmo já não se pode dizer do Parque da Cidade (…) A programação também tem vindo a melhorar. Pena que nem sempre haja audiência para tudo… mas por lá já passaram grandes nomes…
- Olhe, fui ver Deolinda a Fafe também nas festas.
- E que tal? Gostou?
- Claro que sim. Muita gente. Era um concerto que sempre queria ver e acabei por ver na sua terra, e sem pagar nada.
- Nos últimos tempos, Fafe tem dado outro destaque à cultura. Antes havia um bom concerto em Fafe uma vez por ano. Hoje em dia já se pode presenciar muita coisa boa com frequência (…) Em Celorico as pessoas conhecem o Cine Teatro e a sua programação?
- Olhe que nem por isso. Há gente que, como eu, conheceu por acaso. Mas ali ainda não se dá a devida importância à educação e à cultura.
- Fafe também padece do mesmo mal. É um problema português (…)

Rui Silva

21 outubro 2011

A Pista de Cicloturismo

Utilizada sobretudo para praticar desporto - correr, andar de bicicleta -, a pista de cicloturismo é, acima de tudo, uma das melhores sugestões de passeio e desfruto da paisagem de Fafe.
Quem faz, regularmente ou não, parte deste percurso, que nos leva até ao concelho vizinho, facilmente percebe que ao longo dos quilómetros se respira ar puro, bem-estar e, sobretudo, história. É, no mínimo, engraçado e encantador imaginar como seria o comboio a percorrer esta linha (sobretudo, penso eu, para quem não conheceu estes tempos em que o comboio passava em Fafe).
Na imagem vemos o bar da estação, em Cepães. A ideia de preservar um pouco do nosso património transformando a estação de comboios de Cepães num bar foi, na minha opinião, fantástica e pena é que mais iniciativas deste tipo não preencham os nossos dias e a nossa terra. Ao pé da estação teremos em breve um museu (vagão recuperado) sobre os tempos em que por esta terra passava, sibilando, o estranho bicho. Para tal, muito contribuiu, diga-se de passagem, o Prof. José Emídio, que tanto tem feito por Cepães.
Aos que ainda não conhecem, fica o convite: estreiem-se neste percurso (ainda que não seja por inteiro) e interajam o mais que possam com esta bela Natureza (garanto que a imagem não retrata o que de mais belo podemos apreciar ao longo da pista).

Sofia Rodrigues

P.S.- No letreiro, recentemente colocado, podemos ler: “Atenção aos comboios. Pare, escute e olhe. Proibido o trânsito pela linha”.

18 outubro 2011

Discrepância

Relativamente ao ano lectivo transacto, a Escola Secundária de Fafe subiu apenas um lugar no ranking da média dos Exames do Ensino Secundário. Passou do 444º lugar para o 443º. Atrás de Fafe só estão 34 escolas de todo o Portugal. Embora sabendo a subjectividade deste ranking, o actual panorama educativo no nosso concelho não é coisa que nos possa orgulhar. Por detrás deste resultado muito fraco, está, concerteza, uma realidade social preocupante. Hoje em dia, a pobreza e as demais disfuncionalidades familiares e muitas outras razões de índole cultural, económica e social explicam, em parte, este resultado. Um resultado que só não foi pior porque entre a média das notas internas dadas pelos professores da Secundária (13,7) e a média dos exames nacionais (8,91) esteve uma grande diferença... Na televisão, ouvi um Director de uma escola pública afirmar que mais de três pontos de diferença entre a média das notas internas dadas pelos professores e a média dos Exames Nacionais era motivo para preocupação e “investigação”. Será o caso de Fafe? Como se explica este fosso de quase 5 valores?

Pedro Fernandes

11 outubro 2011

Hospital de Fafe

A alternância democrática veio colocar a nu a fragilidade das opções que o Dr. José Ribeiro assumiu em exercício de funções. Acreditou nos seus correligionários políticos e não terá Posto da GNR, Escola Secundária ou Hospital.
No que diz respeito ao Hospital de Fafe, apesar das constantes chamadas de atenção de toda a oposição, aceitou o projecto de encerramento das urgências e foi concordando com o esvaziamento das suas valências.
Quando o Governo de Sócrates propôs o encerramento da urgência do Hospital de S. José, o Dr. José Ribeiro aceitou a decisão e saiu, inclusivamente, em defesa da mesma, arguindo que o Hospital não prestava os serviços com a qualidade necessária e que estava subjugado a interesses corporativos.
Foi com muito custo (e depois de um abaixo-assinado mobilizador) que lá se conseguiu que as urgências não encerrassem, não sem antes assistir a uma mudança de opinião do nosso edil (o que demonstra, e ainda bem, que sabe reconhecer quando erra).
Com a criação do Centro Hospitalar do Alto do Ave (Guimarães e Fafe), temos assistido ao consecutivo encerramento das especialidades existentes na nossa unidade de saúde e à sua transferência para Guimarães. Tudo em nome da eficiência e melhoria da qualidade do serviço prestado.
Quando questionado sobre o assunto, o Sr. Presidente defendeu-se anunciando a construção de um novo Hospital - “Suspenda-se o PDM e adquiram-se os terrenos! Está o problema resolvido e, afinal, Fafe ficará melhor servido”.
Ora, afinal o Rei vai nu e o dinheiro que deveria permitir a construção do “nosso” Hospital irá cobrir um qualquer buraco na Madeira ou no BPN.
Pois é, agora é tarde demais. Os serviços já encerraram e não voltarão a abrir. Se queremos, vamos para Guimarães. Onde está, afinal, a observação dos princípios plasmados na constituição? Não teremos nós os mesmos direitos dos restantes Portugueses? Não pagamos os mesmos impostos?
Escrevo este texto porque durante a anterior e presente legislaturas, no cumprimento das minhas atribuições de deputado municipal, questionei, mais do que uma vez, o Sr. Presidente sobre o assunto.
Perguntei, no momento da apresentação do programa do novo Hospital, de onde viriam os fundos para a sua construção. Disseram que seria efectuada uma candidatura ao QREN e que o estado comparticiparia no montante restante…
Perguntei se não seria melhor lutar pelo Hospital que tínhamos até ter a certeza que um novo seria, de facto, construído. Responderam-me que era tudo uma questão de fé e a minha posição estava toldada pela descrença nas promessas do Governo…
Até os “Velhos do Restelo”, por vezes, têm razão!

Miguel Summavielle

06 outubro 2011

Povoado Castrejo

Escrevo este artigo na mesma altura em que Jesus Martinho chama mais uma vez a atenção para o abandono a que este povoado está votado. Sinto-me, pois, na obrigação de me solidarizar com as angústias mais que justificadas de Martinho. A cultura em Fafe, tal como já argumentei inúmeras vezes, tem tido um rumo sério. Com a revitalização de certos espaços, tem-se conseguido promover um calendário com realizações felizes. Aliás, sempre que nas redes sociais os promotores da cultura em Fafe apresentam as suas realizações, transmitem uma ideia de sucesso e de grande felicidade, conjugada com os respectivos «gosto» dos seus seguidores (eu próprio vou «clicando» no «gosto»).
Será assim? Não, não é. Evidentemente que enquanto o património estiver no estado em que está, a felicidade cultural não existe. Numa época de grandes magrezas, é necessário dinamizar vontades, criar novas ideias e incrementar a imaginação. É necessário salvaguardar o espaço e construir um núcleo temático do Castro. As escolas teriam aí um papel relevante. Mas também teria um papel relevante o Pompeu Miguel Martins de Galochas a tirar o mato, o Daniel, vindo de Paris, a reconstruir o muro e todos os técnicos superiores da autarquia, que os deve haver em número suficiente, a ajudar na tarefa.
Parabéns, Jesus Martinho, e muito obrigado pela salvaguarda no nosso património.

António Daniel

01 outubro 2011

Receio de Uma História Perdida

1.Há meses li a seguinte notícia: http://ecosfera.publico.clix.pt/noticia.aspx?id=1503255. Uma referência a uma excelente prática de recuperação da ruralidade. Sensibilizadora, barata e arrojada.
Em Julho passado, tomei a liberdade de fazer com que colegas meus visitassem aquela que é a minha terra. Acompanhei-os numa rota pedestre pelas aldeias do nosso concelho. Entretanto, fui-me apercebendo da magnitude do nosso património rural. Beleza natural não falta. Avistei, julgo, mais de dezena e meia de moinhos de água, desactivados, a cair. É triste.
Veio-me à memória a reportagem e a actividade que tinha lido no jornal Público. Seria interessante promover algo semelhante em Fafe, criando marca turística, um ponto de visita. Acima de tudo, preservar-se-ia património.
Não só nesse caminho, reparei também que há outro património que em Fafe tem sido votado ao abandono: os tanques públicos. É certo que, hoje em dia, poucos são os utilizadores dos tanques públicos. Os anos passaram e ofereceram ao abandono os tanques públicos. Talvez seja sinal de aumento da qualidade de vida. Quiçá. Porém, são símbolos do nosso património, da identidade. A sua restauração traria mais um elemento de identidade ao concelho.
Às vezes, parece-me que Fafe, à imagem de muitas outras terras, tem medo da ruralidade que o constitui. A perda destes elementos constitui um fim. E é preciso pensar, se não somos isto, também não somos mais nada. A ruralidade não nos deve assustar, nem é inimiga do desenvolvimento.
A poucos quilómetros de Fafe, em Guimarães e no Porto, existem boas faculdades de Arquitectura certamente abertas a uma colaboração que permitisse a reabilitação desses moinhos. O caminho do progresso de um concelho deve fazer-se de ideias novas, diferenciadoras e que gerem evolução sem perda de identidade e, nesse ponto, a ligação ao mundo universitário poderia ser um óptimo passo. Fica a ideia.
(Aviso prévio à leitura: não sou especialista em Arquitectura. Arriscar-me-ei, ainda assim.)
2.Não é também novo que, ao longo dos últimos trinta anos, a arquitectura “dos brasileiros” tão reconhecidamente fafense foi sendo destituída da paisagem urbana – no fundo, vandalizada -, por construções esquisitas, se é que isso existe, descaracterizando, quase, por completo o centro, que se queria histórico, da cidade. É um problema facilmente reconhecível, mas como é habitual frouxo em responsabilidades. Não me parece um problema político de destruição atentatória ao património da cidade, de um ou outro executivo, mas sim de uma medonha falta de sensibilidade paisagística. É da arquitectura que vivem as cidades. As cidades têm marca, que é inegável e primariamente os seus edifícios. O centro, que se queria histórico - é repetição, eu sei -, foi perdendo a sua identidade e como tal tornou-se menos viável, inviável até, vender a imagem da capital da arquitectura “dos brasileiros” como uma marca à semelhança do que outras cidades mais responsáveis o poderão relativamente ao seu património.
Os erros do passado não farão melhor o futuro, infelizmente.
À frente. Desde há algum tempo para cá, ouve-se que a Refer, ou CP – Comboios de Portugal, em conjunto com a autarquia fafense movem esforços no sentido de voltar a dar identidade ao apeadeiro de Cepães da antiga linha de comboio, tal como já foi apresentada uma proposta de revitalização do largo 1º de Dezembro de forma a marcarem a, já remota, passagem do comboio pela cidade. A história deve ter um lugar nas cidades, sem dúvida. De louvar.
Não me recordo, contudo, de ouvir nada acerca de intenção de reabilitação do espaço contíguo à antiga estação de caminhos-de-ferro.
Desde que a minha memória é viva, e já lá vão uns bons anos, aquele espaço esteve votado ao abandono, preenchido de sucata e estaleiro, provavelmente da própria Câmara Municipal. Sendo um espaço central, histórico e, mais que isso, identificativo de uma época, seria pertinente avaliar a criação de um espaço público vasto, devolvido à cidade, sem perda dos elementos característicos.
A criação de um “espaço de marca” que vise a diversão nocturna, a instalação de associações, a construção de espaço infantil, ou outros equipamentos sociais seria algo louvável num espaço que espero não se torne mais dos presenteados com o bodo da selvagem construção civil, essas coisas sem história e sem conceito, danosas para as cidades.
Esperemos que exista ali uma intervenção para que se possa tornar, de facto, uma imagem de marca. Salve-se o que ainda sobra…

João Coimbra

28 setembro 2011

Outro Tesourinho Deprimente...

- "Isto é que vai aqui um trinta e um..."

Luís Peixoto

26 setembro 2011

Cine Teatro OUTUBRO

EM DESTAQUE: Rita Redshoes
Dia 8, 21:30h, Preço: 10 Eur

Toda a Programação em http://teatrocinefafe.blogspot.com/

22 setembro 2011

AD Fafe 2011/12

Aqui está um bom exemplo para o País do aproveitamento de jogadores portugueses, a grande maioria naturais e formados em clubes da região. De um total de 20 jogadores, 18 são Portugueses, 8 são naturais de Fafe, 16 são do distrito de Braga e 7 fizeram a formação final na AD Fafe. O que não se compreende é o alheamento da cidade ao clube...

César Ribeiro

19 setembro 2011

O Património Não É "Descartável"

O concelho de Fafe, como todos verificamos, não é um território onde o Património construído tenha grande imponência e monumentalidade. Contudo, Fafe é fértil em vestígios que testemunham cerca de seis mil anos de História, uma ocupação humana que teve a sua génese durante a pré-história.
Em todas as trinta e seis freguesias que constituem este Município, encontramos Património Histórico que, apesar da sua aparente “pacatez” revela antigas vivencias que importa preservar e valorizar.
Mais de duas centenas de sítios arqueológicos, templos e pontes medievais, casas senhoriais armoriadas, estruturas de uma ruralidade de antanho, casas “brasileiras”, antigas unidades industriais, usos e costumes… Será que esta herança do passado não tem valor?
Para muitos serão “velharias” sem qualquer significado, pedras “encardidas”… E os historiadores cá do “burgo”, aqueles que relatam a nossa História, qual tem sido a sua acção relativamente ao Património, ao seu principal objecto de estudo? Será que para esses investigadores o Património é como cobaia de um qualquer laboratório de ciências naturais?
O conhecimento dá-nos também responsabilidades acrescidas no que concerne à salvaguarda desses bens únicos, tantas vezes abandonados, entregues à incúria humana e à igualmente impiedosa acção dos factores naturais de erosão.
Qual é o papel dos escribas da nossa História relativamente ao Património ameaçado, agredido e até destruído?
Escrever livros é importante, perpetuar aspectos da nossa memória colectiva através da escrita impressa tem muito mérito. Mas, quantas vezes esses intelectuais, dotados de profundo conhecimento científico, vêm publicamente pugnar pela preservação dos nossos Imóveis Históricos?
O leitor mais esclarecido estará, agora, a lembrar-se do Mestre Miguel Monteiro. E com toda a legitimidade! O prematuramente desaparecido historiador investigou, e também escreveu livros, a grande diferença é que Miguel Monteiro apreciava o Património, queria vê-lo conservado e valorizado, amou este rincão minhoto como poucos e por isso travou batalhas em prol da do nosso Património Histórico.
Apesar de adepto do virtual, Miguel Monteiro foi sempre um protector dos bens materiais que usou para estudo sem o abandonar.
Fafe tem ainda um valioso Património que, independentemente da sua monumentalidade, urge preservar e valorizar. Os “velhos” imóveis históricos têm ainda muita História para contar, destruí-los é apagar páginas importantes da nossa memória colectiva.

Jesus Martinho

13 setembro 2011

A Reforma Administrativa

O Memorando da Troika prevê uma redução dos custos associados com a gestão autárquica e uma diminuição do número de autarquias. O actual mapa administrativo data da primeira metade do século XIX e tem-se mantido genericamente inalterado.
Nunca constituiu um problema até sermos obrigados a “emagrecer” o estado. E esse mesmo estado terá muita dificuldade em mexer nas unidades de base que, partidariamente, contribuem para a sua eleição. Este será, seguramente, um tema quente nos próximos tempos.
Lisboa e a Covilhã, por mote próprio, tomaram a iniciativa de reduzir o número de freguesias, tendo alcançado um entendimento político para a sua realização, tornando-se exemplos excepcionais no panorama nacional.
Na minha condição de independente, liberto portanto de qualquer complexo ou obrigação partidária, tenho uma opinião sobre o assunto e posso expô-la livremente.
Portugal tem concelhos a mais. Vejam, por favor, o mapa administrativo Português e encontrem uma explicação para Castro Marim e Vila Real de Sto. António serem 2 concelhos autónomos; como é possível haver 5 concelhos com apenas 1 freguesia (como o bem próximo São João da Madeira)?; será comportável que 1/3 dos concelhos tenham menos de 10.000 habitantes?
Este fenómeno é extensível à menor divisão administrativa Portuguesa. Basta pensarmos em Barcelos e as suas 89 freguesias.
Fafe não foge à regra. Julgo que, neste momento e atendendo ao crescimento da malha urbana, o nosso Concelho tem demasiadas freguesias.
Parece-me possível agregar Fafe, Cepães, Golães, Antime, Fornelos e Medelo; S. Gens e Quinchães; Gontim e Felgueiras; Arões de Sta. Cristina e Arões de S. Romão; Silvares de S. Martinho e Silvares de S. Clemente; Serafão e Agrela. Reduziríamos quase 1/3 das freguesias sem criar, julgo eu, grandes incómodos às populações. Alguns dos aglomerados urbanos já são inclusivamente, contínuos, não sendo facilmente perceptível a divisão administrativa.
Tenho consciência da polémica do tema. Não tenho medo de assumir a minha opinião!

Miguel Summavielle

09 setembro 2011

Sugestão de Leitura - "A Ponte dos Sonhos"

Palavras cheias de estórias, deste e de outros mundos, e que, para sempre, continuarão a fazer parte dos nossos sonhos. Tal como o título indica, estas estórias têm o poder de emergir a criança num mundo imaginário, onde a palavra e a ilustração servem de ponte até ao lugar onde o sonhar é obrigatório e a infância é um direito. Nesse encontro com palavras rimadas, a criança descobre que na sua leitura existe musicalidade e cor, e que do contacto com as personagens, ora animais, ora humanas, resultam momentos de pura diversão. Este livro tem o dom de despertar não só o gosto pela leitura lúdica, mas também o gosto pela aprendizagem, uma vez que estas rimas abrangem temáticas abordadas nos currículos escolares do 1.º ciclo. Como obra lúdico-didáctica, "A Ponte dos Sonhos" é um instrumento auxiliar na preparação da criança para uma vida em comunidade, em que o conhecimento veiculado deve estar sempre aliado a valores humanistas básicos, como sejam o respeito pelas pessoas, pelos animais e pela natureza. Escrito por Benedita Stingl, escritora natural de Fafe, a obra foi publicada em 2009 e integra, actualmente, o conjunto de obras escolhidas no Plano Nacional da Leitura, sendo indicada para o 3º ano do Ensino Básico.

06 setembro 2011

"Sempre Chegamos ao Sítio Onde Nos Esperam!"

A Viagem do Elefante
Havia dois caminhos por entre uma faustosa barreira de coral. Por um lado as espirais eram altas, as vontades enormes e os sonhos progressivos, na outra vertente o aspecto não era o melhor, e de mão calejada em mão calejada o caminho a ser percorrido parecia indiciar alguns sobressaltos. Neste mar revolto pelo sal de outras marés, a profundidade era abissal, havia uma luz ténue onde só os vultos sobressaiam, afinal o importante vê-se com o coração e é invisível aos olhos.
Havia os grandes e os pequenos peixes, os grandes que abarcavam tudo e que enquanto nadavam naquele bater de barbatana tão astuto quanto monocórdico, abriam um rasto de imponência e celeridade. Os pequenos lá se juntavam em cardume atrás dos maiores, esses pajens sem vestimenta mas com um ritmo pré-definido. Também no oceano são olhos no futuro, pensamento no passado e progressividade no presente.
E nesses corais cimentados no passar dos anos, com esses seres marinhos que de tão belos e parecidos se camuflam nesse meio feito de H2O, a vida corre disciplinada nos seus carreiros de significados, também ali o relógio não pára, o tempo corre sempre, nem com maior nem menor cadência, no fim o tempo passa e mesmo que tudo mude tudo continua igual!
Assim é a nossa bela cidade de Fafe, mudando muito ou pouco, progressivamente ou aos solavancos, será sempre a nossa querida sala de visitas do Minho e sempre será guardada nos nossos corações como a metrópole que nos vivencia e nos faz transbordar de contentamento por nela fazermos as nossas vidas.

João Castro

02 setembro 2011

Impressões de Uns Dias de Agosto em Fafe

O Mau:
Festa e foguetório que o meu povo gosta. Os habituais carros dos nossos emigrantes com o símbolo da FPF no vidro traseiro e a gradual degradação do Parque da Cidade. Dão-se alvíssaras a quem encontrar vidros de garrafas partidas e embalagens de seringas. Se juntarmos a isso o aspecto «terraplanagem» da restante zona, estão reunidas todas as condições para termos um horizonte medonho. Sugiro que os filhos das entidades competentes lhes peçam para andar um pouco de skate ou patins nesse espaço. Talvez assim se possam sentir «inquietos».

O Bom:
Aboim e respectivos acessos. A terra está bonita, enquadrada numa paisagem única. O Museu, simples mas imenso, a disponibilidade do Sr. António Novais e um pequeno passeio pedestre, permitiram-me passar um bom Domingo e esquecer a mágoa do Parque da Cidade.
O Torneio de Portugal e a ocasião do reencontro com amigos que nos fazem adiar o inevitável: o adeus ao Minho.

António Daniel

17 agosto 2011

Fafe na Revista UP

Este é chão de emigrantes. Alguns voltaram ricos do Brasil, outros permaneceram lá fora, contrariados. Todos deixaram memórias, testemunhos extraordinários. Adicione-se a hospitalidade dos que ficaram, a natureza em volta e a gastronomia minhota, e aí temos. O lugar perfeito para dois dias de andanças com Tereza Salgueiro, que prepara o novo álbum enquanto ainda leva pelo mundo o espectáculo Voltarei à Minha Terra.

Nem de propósito se achava sintonia melhor. Tereza Salgueiro é, na verdade, natural de Lisboa.
Mas o que aqui importa é a “minha terra” em sentido largo. E então falamos do valor das coisas que cá temos, das qualidades humanas, das praias, dos campos e montes, da nossa cultura e das heranças variadas, transmitidas pelos séculos dos séculos.
Em contexto de aperto nacional, estas reflexões ganham outro peso. E logo pela manhã, junto à barragem de Queimadela, à sombra de carvalhos, pinheiros e choupos, a voz grave de Tereza converte a sua inquietação sobre o mundo numa espécie de serenidade, gentileza que condiz com a frescura ambiente e contagia quem a ouve. “Sabemos que não estamos no caminho certo.
Continuam a praticar-se atrocidades, há uma grande desigualdade na distribuição da riqueza.
Mas acho que vamos confrontar-nos com a necessidade de mudar. Temos de encontrar uma forma de olhar e entender o mundo que inclua estarmos em contacto uns com os outros.” E quanto a nós, portugueses: “Espero que voltemos a aprender o que somos, a conhecer o nosso talento”.
Todos os cenários se adequam ao tema. Por exemplo, este passeio pedestre pelo Trilho Verde da Marginal, um entre muitos disponíveis na região. Percorre levadas e caminhos de pedra, contorna a barragem, passa por espigueiros e atravessa a Aldeia do Pontido, o paraíso onde estamos alojados. Em fundo, o ruído constante do Vizela ali tão perto, o afluente do Ave que galga penedos de granito, abre piscinas verde-esmeralda e anima moinhos de água.
Mas o cenário pode ser também a exposição de artesanato e a conversa com Maria de Fátima Nogueira, que aos sete anos já fazia tranças de palha, das mesmas que agora costura com mestria para confeccionar cestos e chapéus. Ou o almoço de produtos da terra regado a vinhos verdes que Vera Lima, da Vinhos Norte, vai distribuindo consoante os pratos: o branco Alvarinho de Monção para harmonizar as gorduras das entradas de pataniscas e de chouriça com grelos, um Vinhão, tinto e encorpado, servido na malga tradicional que ele tinge de vermelho granada para honrar o cabrito em forno de lenha e as couves salteadas com broa e feijão, e um Espadeiro para a sobremesa, doces de gema e pêra bêbeda.

Ler mais em http://www.upmagazine-tap.com/2011/08/fafe-%E2%80%93-antes-ca-do-que-la/

12 agosto 2011

1º Passeio de Bicicletas Antigas de Fafe


Mais informação em www.restauradoresgranja.com

09 agosto 2011

Perseguindo Estátuas

Geralmente pensa-se que as estátuas são fáceis de encontrar, porque é da natureza das estátuas estarem quietas. Mas algumas são tão pequenas que parecem esconder-se. Certamente que muita gente comigo partilha a desilusão do turista que, em Bruxelas, demora a encontrar o minúsculo Manneken Pis, num cantinho fazendo xixi para a fonte quando, na verdade, para corresponder à qualidade da estátua, melhor seria se fizesse outra coisa.
Desta feita, em Fafe, subi a cidade para ver uma estátua não tão famosa: a Justiça de Fafe, apologia da equidade popular, um homem de vestes simples que segura o casaco de um senhor e o ameaça com um pau, aludindo a episódio lendário dos fafenses, que ainda hoje avisam «com Fafe ninguém fanfe!». Remete para o visconde Moreira de Rei que ao sentir-se tramado por um marquês se virou ao homem com um pau. Há em Fafe, contudo, quem diga também que a escultura enaltece um pai honrado que um dia foi a Lisboa buscar a filha e bater-lhe no marido alfacinha que, conta-se, a tratava mal. De qualquer forma, é justo, acho eu. E os fafenses. Por isso colocaram a estátua mesmo nas traseiras do tribunal, lembrando que se falhar a primeira justiça, há outra. Demorei um bocadinho a encontrá-la, mas valeu a pena. Não é estátua que se esconda. Há estátuas que, contrariando a natureza, não se limitam a ficar resignadas e quietas.

In Jornal "A Bola", 05/08/2011
Por Miguel Cardoso Pereira