28 setembro 2011

Outro Tesourinho Deprimente...

- "Isto é que vai aqui um trinta e um..."

Luís Peixoto

26 setembro 2011

Cine Teatro OUTUBRO

EM DESTAQUE: Rita Redshoes
Dia 8, 21:30h, Preço: 10 Eur

Toda a Programação em http://teatrocinefafe.blogspot.com/

22 setembro 2011

AD Fafe 2011/12

Aqui está um bom exemplo para o País do aproveitamento de jogadores portugueses, a grande maioria naturais e formados em clubes da região. De um total de 20 jogadores, 18 são Portugueses, 8 são naturais de Fafe, 16 são do distrito de Braga e 7 fizeram a formação final na AD Fafe. O que não se compreende é o alheamento da cidade ao clube...

César Ribeiro

19 setembro 2011

O Património Não É "Descartável"

O concelho de Fafe, como todos verificamos, não é um território onde o Património construído tenha grande imponência e monumentalidade. Contudo, Fafe é fértil em vestígios que testemunham cerca de seis mil anos de História, uma ocupação humana que teve a sua génese durante a pré-história.
Em todas as trinta e seis freguesias que constituem este Município, encontramos Património Histórico que, apesar da sua aparente “pacatez” revela antigas vivencias que importa preservar e valorizar.
Mais de duas centenas de sítios arqueológicos, templos e pontes medievais, casas senhoriais armoriadas, estruturas de uma ruralidade de antanho, casas “brasileiras”, antigas unidades industriais, usos e costumes… Será que esta herança do passado não tem valor?
Para muitos serão “velharias” sem qualquer significado, pedras “encardidas”… E os historiadores cá do “burgo”, aqueles que relatam a nossa História, qual tem sido a sua acção relativamente ao Património, ao seu principal objecto de estudo? Será que para esses investigadores o Património é como cobaia de um qualquer laboratório de ciências naturais?
O conhecimento dá-nos também responsabilidades acrescidas no que concerne à salvaguarda desses bens únicos, tantas vezes abandonados, entregues à incúria humana e à igualmente impiedosa acção dos factores naturais de erosão.
Qual é o papel dos escribas da nossa História relativamente ao Património ameaçado, agredido e até destruído?
Escrever livros é importante, perpetuar aspectos da nossa memória colectiva através da escrita impressa tem muito mérito. Mas, quantas vezes esses intelectuais, dotados de profundo conhecimento científico, vêm publicamente pugnar pela preservação dos nossos Imóveis Históricos?
O leitor mais esclarecido estará, agora, a lembrar-se do Mestre Miguel Monteiro. E com toda a legitimidade! O prematuramente desaparecido historiador investigou, e também escreveu livros, a grande diferença é que Miguel Monteiro apreciava o Património, queria vê-lo conservado e valorizado, amou este rincão minhoto como poucos e por isso travou batalhas em prol da do nosso Património Histórico.
Apesar de adepto do virtual, Miguel Monteiro foi sempre um protector dos bens materiais que usou para estudo sem o abandonar.
Fafe tem ainda um valioso Património que, independentemente da sua monumentalidade, urge preservar e valorizar. Os “velhos” imóveis históricos têm ainda muita História para contar, destruí-los é apagar páginas importantes da nossa memória colectiva.

Jesus Martinho

13 setembro 2011

A Reforma Administrativa

O Memorando da Troika prevê uma redução dos custos associados com a gestão autárquica e uma diminuição do número de autarquias. O actual mapa administrativo data da primeira metade do século XIX e tem-se mantido genericamente inalterado.
Nunca constituiu um problema até sermos obrigados a “emagrecer” o estado. E esse mesmo estado terá muita dificuldade em mexer nas unidades de base que, partidariamente, contribuem para a sua eleição. Este será, seguramente, um tema quente nos próximos tempos.
Lisboa e a Covilhã, por mote próprio, tomaram a iniciativa de reduzir o número de freguesias, tendo alcançado um entendimento político para a sua realização, tornando-se exemplos excepcionais no panorama nacional.
Na minha condição de independente, liberto portanto de qualquer complexo ou obrigação partidária, tenho uma opinião sobre o assunto e posso expô-la livremente.
Portugal tem concelhos a mais. Vejam, por favor, o mapa administrativo Português e encontrem uma explicação para Castro Marim e Vila Real de Sto. António serem 2 concelhos autónomos; como é possível haver 5 concelhos com apenas 1 freguesia (como o bem próximo São João da Madeira)?; será comportável que 1/3 dos concelhos tenham menos de 10.000 habitantes?
Este fenómeno é extensível à menor divisão administrativa Portuguesa. Basta pensarmos em Barcelos e as suas 89 freguesias.
Fafe não foge à regra. Julgo que, neste momento e atendendo ao crescimento da malha urbana, o nosso Concelho tem demasiadas freguesias.
Parece-me possível agregar Fafe, Cepães, Golães, Antime, Fornelos e Medelo; S. Gens e Quinchães; Gontim e Felgueiras; Arões de Sta. Cristina e Arões de S. Romão; Silvares de S. Martinho e Silvares de S. Clemente; Serafão e Agrela. Reduziríamos quase 1/3 das freguesias sem criar, julgo eu, grandes incómodos às populações. Alguns dos aglomerados urbanos já são inclusivamente, contínuos, não sendo facilmente perceptível a divisão administrativa.
Tenho consciência da polémica do tema. Não tenho medo de assumir a minha opinião!

Miguel Summavielle

09 setembro 2011

Sugestão de Leitura - "A Ponte dos Sonhos"

Palavras cheias de estórias, deste e de outros mundos, e que, para sempre, continuarão a fazer parte dos nossos sonhos. Tal como o título indica, estas estórias têm o poder de emergir a criança num mundo imaginário, onde a palavra e a ilustração servem de ponte até ao lugar onde o sonhar é obrigatório e a infância é um direito. Nesse encontro com palavras rimadas, a criança descobre que na sua leitura existe musicalidade e cor, e que do contacto com as personagens, ora animais, ora humanas, resultam momentos de pura diversão. Este livro tem o dom de despertar não só o gosto pela leitura lúdica, mas também o gosto pela aprendizagem, uma vez que estas rimas abrangem temáticas abordadas nos currículos escolares do 1.º ciclo. Como obra lúdico-didáctica, "A Ponte dos Sonhos" é um instrumento auxiliar na preparação da criança para uma vida em comunidade, em que o conhecimento veiculado deve estar sempre aliado a valores humanistas básicos, como sejam o respeito pelas pessoas, pelos animais e pela natureza. Escrito por Benedita Stingl, escritora natural de Fafe, a obra foi publicada em 2009 e integra, actualmente, o conjunto de obras escolhidas no Plano Nacional da Leitura, sendo indicada para o 3º ano do Ensino Básico.

06 setembro 2011

"Sempre Chegamos ao Sítio Onde Nos Esperam!"

A Viagem do Elefante
Havia dois caminhos por entre uma faustosa barreira de coral. Por um lado as espirais eram altas, as vontades enormes e os sonhos progressivos, na outra vertente o aspecto não era o melhor, e de mão calejada em mão calejada o caminho a ser percorrido parecia indiciar alguns sobressaltos. Neste mar revolto pelo sal de outras marés, a profundidade era abissal, havia uma luz ténue onde só os vultos sobressaiam, afinal o importante vê-se com o coração e é invisível aos olhos.
Havia os grandes e os pequenos peixes, os grandes que abarcavam tudo e que enquanto nadavam naquele bater de barbatana tão astuto quanto monocórdico, abriam um rasto de imponência e celeridade. Os pequenos lá se juntavam em cardume atrás dos maiores, esses pajens sem vestimenta mas com um ritmo pré-definido. Também no oceano são olhos no futuro, pensamento no passado e progressividade no presente.
E nesses corais cimentados no passar dos anos, com esses seres marinhos que de tão belos e parecidos se camuflam nesse meio feito de H2O, a vida corre disciplinada nos seus carreiros de significados, também ali o relógio não pára, o tempo corre sempre, nem com maior nem menor cadência, no fim o tempo passa e mesmo que tudo mude tudo continua igual!
Assim é a nossa bela cidade de Fafe, mudando muito ou pouco, progressivamente ou aos solavancos, será sempre a nossa querida sala de visitas do Minho e sempre será guardada nos nossos corações como a metrópole que nos vivencia e nos faz transbordar de contentamento por nela fazermos as nossas vidas.

João Castro

02 setembro 2011

Impressões de Uns Dias de Agosto em Fafe

O Mau:
Festa e foguetório que o meu povo gosta. Os habituais carros dos nossos emigrantes com o símbolo da FPF no vidro traseiro e a gradual degradação do Parque da Cidade. Dão-se alvíssaras a quem encontrar vidros de garrafas partidas e embalagens de seringas. Se juntarmos a isso o aspecto «terraplanagem» da restante zona, estão reunidas todas as condições para termos um horizonte medonho. Sugiro que os filhos das entidades competentes lhes peçam para andar um pouco de skate ou patins nesse espaço. Talvez assim se possam sentir «inquietos».

O Bom:
Aboim e respectivos acessos. A terra está bonita, enquadrada numa paisagem única. O Museu, simples mas imenso, a disponibilidade do Sr. António Novais e um pequeno passeio pedestre, permitiram-me passar um bom Domingo e esquecer a mágoa do Parque da Cidade.
O Torneio de Portugal e a ocasião do reencontro com amigos que nos fazem adiar o inevitável: o adeus ao Minho.

António Daniel

17 agosto 2011

Fafe na Revista UP

Este é chão de emigrantes. Alguns voltaram ricos do Brasil, outros permaneceram lá fora, contrariados. Todos deixaram memórias, testemunhos extraordinários. Adicione-se a hospitalidade dos que ficaram, a natureza em volta e a gastronomia minhota, e aí temos. O lugar perfeito para dois dias de andanças com Tereza Salgueiro, que prepara o novo álbum enquanto ainda leva pelo mundo o espectáculo Voltarei à Minha Terra.

Nem de propósito se achava sintonia melhor. Tereza Salgueiro é, na verdade, natural de Lisboa.
Mas o que aqui importa é a “minha terra” em sentido largo. E então falamos do valor das coisas que cá temos, das qualidades humanas, das praias, dos campos e montes, da nossa cultura e das heranças variadas, transmitidas pelos séculos dos séculos.
Em contexto de aperto nacional, estas reflexões ganham outro peso. E logo pela manhã, junto à barragem de Queimadela, à sombra de carvalhos, pinheiros e choupos, a voz grave de Tereza converte a sua inquietação sobre o mundo numa espécie de serenidade, gentileza que condiz com a frescura ambiente e contagia quem a ouve. “Sabemos que não estamos no caminho certo.
Continuam a praticar-se atrocidades, há uma grande desigualdade na distribuição da riqueza.
Mas acho que vamos confrontar-nos com a necessidade de mudar. Temos de encontrar uma forma de olhar e entender o mundo que inclua estarmos em contacto uns com os outros.” E quanto a nós, portugueses: “Espero que voltemos a aprender o que somos, a conhecer o nosso talento”.
Todos os cenários se adequam ao tema. Por exemplo, este passeio pedestre pelo Trilho Verde da Marginal, um entre muitos disponíveis na região. Percorre levadas e caminhos de pedra, contorna a barragem, passa por espigueiros e atravessa a Aldeia do Pontido, o paraíso onde estamos alojados. Em fundo, o ruído constante do Vizela ali tão perto, o afluente do Ave que galga penedos de granito, abre piscinas verde-esmeralda e anima moinhos de água.
Mas o cenário pode ser também a exposição de artesanato e a conversa com Maria de Fátima Nogueira, que aos sete anos já fazia tranças de palha, das mesmas que agora costura com mestria para confeccionar cestos e chapéus. Ou o almoço de produtos da terra regado a vinhos verdes que Vera Lima, da Vinhos Norte, vai distribuindo consoante os pratos: o branco Alvarinho de Monção para harmonizar as gorduras das entradas de pataniscas e de chouriça com grelos, um Vinhão, tinto e encorpado, servido na malga tradicional que ele tinge de vermelho granada para honrar o cabrito em forno de lenha e as couves salteadas com broa e feijão, e um Espadeiro para a sobremesa, doces de gema e pêra bêbeda.

Ler mais em http://www.upmagazine-tap.com/2011/08/fafe-%E2%80%93-antes-ca-do-que-la/

12 agosto 2011

1º Passeio de Bicicletas Antigas de Fafe


Mais informação em www.restauradoresgranja.com

09 agosto 2011

Perseguindo Estátuas

Geralmente pensa-se que as estátuas são fáceis de encontrar, porque é da natureza das estátuas estarem quietas. Mas algumas são tão pequenas que parecem esconder-se. Certamente que muita gente comigo partilha a desilusão do turista que, em Bruxelas, demora a encontrar o minúsculo Manneken Pis, num cantinho fazendo xixi para a fonte quando, na verdade, para corresponder à qualidade da estátua, melhor seria se fizesse outra coisa.
Desta feita, em Fafe, subi a cidade para ver uma estátua não tão famosa: a Justiça de Fafe, apologia da equidade popular, um homem de vestes simples que segura o casaco de um senhor e o ameaça com um pau, aludindo a episódio lendário dos fafenses, que ainda hoje avisam «com Fafe ninguém fanfe!». Remete para o visconde Moreira de Rei que ao sentir-se tramado por um marquês se virou ao homem com um pau. Há em Fafe, contudo, quem diga também que a escultura enaltece um pai honrado que um dia foi a Lisboa buscar a filha e bater-lhe no marido alfacinha que, conta-se, a tratava mal. De qualquer forma, é justo, acho eu. E os fafenses. Por isso colocaram a estátua mesmo nas traseiras do tribunal, lembrando que se falhar a primeira justiça, há outra. Demorei um bocadinho a encontrá-la, mas valeu a pena. Não é estátua que se esconda. Há estátuas que, contrariando a natureza, não se limitam a ficar resignadas e quietas.

In Jornal "A Bola", 05/08/2011
Por Miguel Cardoso Pereira

02 agosto 2011

Fafe Dá o Tiro de Partida

A notícia tinha sido dada em primeira mão pelo presidente da Câmara Municipal, José Ribeiro, em plena Volta a Portugal 2010, com Fafe a ser a cidade eleita para ver largar a caravana da maior competição velocipédica do calendário nacional no próximo dia 4 de Agosto de 2011.
No ano passado, a cidade de Fafe cumpriu 10 anos consecutivos de Volta a Portugal. O líder da autarquia destaca o papel preponderante da passagem do evento pela sua cidade, uma aposta para continuar, pelo menos até final do seu mandato. 'Pela minha parte, como estou no último mandato, só respondo pelos próximos três anos. Outros responderão a seguir. Lembro, porém, que foi a minha Presidência que trouxe a Volta de novo a Fafe, onde não passava há muitos anos. O início da Volta em Fafe marca um percurso de grande investimento ao longo de todo este tempo', lembra José Ribeiro, destacando que 'a chegada dos ciclistas é sempre um momento de festa e de grande entusiasmo para a população, mas também de enorme carinho para com os atletas e suas equipas. Começar em Fafe a Volta a Portugal, penso que é um sinal de reconhecimento pelo que fizemos ao longo dos anos, é colocar a nossa terra definitivamente no coração da Volta.'
De todas as mais-valias oferecidas pelo evento, o presidente da câmara realça naturalmente o 'lado desportivo', sem esquecer que 'a Volta é um grande evento e atrai muitos aficionados e desportistas, dando igualmente enorme satisfação aos residentes que gostam do ciclismo e onde temos tradições. Do lado promocional, é obvio que a cobertura e divulgação da RTP é uma mais-valia que, só por si, justifica o investimento que Fafe faz'.
A passagem da Volta a Portugal pela cidade de Fafe acaba então por ser o ponto alto de uma forte aposta da autarquia em matérias de âmbito desportivo, complementando da melhor forma um leque variado de outras iniciativas.'Fafe é uma terra com tradição no ciclismo. Já tivemos fafenses em lugares de destaque nesta modalidade. Hoje continuamos a ter muitos aficionados e praticantes, alguns amadores, outros na área do cicloturismo, mas também em competição, sobretudo no BTT – downhill. A nossa terra tem um dos melhores percursos do país para Downhill.'
Dia 3 de Agosto são feitas as apresentações das equipas. A competição vai começar, como habitualmente, com um contrarrelógio individual. O Prólogo será realizado no centro de Fafe na tarde de 4 de agosto e a distância, muito curta desta vez, é de apenas 2,2 Km, mas servirá, após a cronometragem rigorosa dos milésimos de segundo, para atribuir a primeira liderança.

In www.volta-portugal.com

27 julho 2011

Ser Solidário

O programa “Ser Solidário”, visa ocupar os jovens do concelho com actividades de carácter ocupacional e didáctico, possibilitando ainda um primeiro contacto com a realidade profissional, uma valorização da responsabilidade pessoal e compromisso com a sociedade, fomentando ainda o espírito de equipa e organização, recebendo os jovens pelo desempenho das suas funções durante os oito meses de vigência do programa, ou seja um ano lectivo, uma bolsa mensal de 200€.
Trata-se de um programa dinamizado pelo Município de Fafe específico para jovens que não concluíram o 12.º ano, deixando no máximo três disciplinas em atraso e matriculado para a sua conclusão, e para jovens que não tenham conseguido ingressar no Ensino Superior.
Todos os interessados em aderir ao programa “Ser Solidário” em 2011/2012, podem fazer a sua inscrição no Serviço Social do Município, de 1 a 15 de setembro, munidos de toda a sua documentação identificativa e o IRS do agregado familiar que integram.
O prazo de candidatura para as Instituições é o mesmo, devendo a mesma ser efetuada através de ofício dirigido ao Presidente do Município.

23 julho 2011

O Intelectual e o Político

Daniel Bastos, de quem sou «amigo» numa rede social, publicou no seu mural a referência a uma entrevista concedida ao Povo de Fafe. Não conheço pessoalmente Daniel Bastos, como começo a desconhecer muitas das personalidades que vão promovendo Fafe, mas reconheço-lhe dinamismo suficiente para o considerar o futuro vereador da Cultura, caso, obviamente, o PS continue a ser hegemónico em Fafe. Esta entrevista demarca muito bem o modus operandi intelectual do político. Se no plano intelectual Daniel Bastos acrescenta o rigor da análise das fontes à objectividade histórica, no plano político já não será bem assim.
Nesta entrevista esconde-se o político. Com um discurso «redondo», parece lá tudo caber. Quando afirma que é do PS por defender «uma ética republicana, inspiradora de valores solidários fraternais» aplica uma fórmula muito comum nos políticos: dizer tudo para nada dizer. Um elemento PSD pode muito bem defender tal máxima, assim como o mais ortodoxo do Comité Central. Aliás, sabemos que na primeira República pouca ou nenhuma foi a execução destes ideários. É certo que os podemos encontrar desde a Geração de 70, mas também é evidente que tudo isso não passou disso mesmo. A certa altura Daniel Bastos afirma que a Juventude Socialista é uma escola de cidadania. Ora, há que esclarecer muito bem este conceito. Pelos seus estudos pós-graduados em filosofia é importante que antes de aplicar um conceito o saiba caracterizar muito bem. Creio mesmo que a forma produtiva de pastorícia predominante nos partidos políticos é um exemplo de má cidadania. Na Pólis a Ágora é um espaço que exige um desprendimento e distanciamento face ao poder, onde os ideais racionais, e não propriamente dito republicanos, devem imperar. Não é o que faz Bastos. Numa pergunta feita pelo autor da entrevista (que parece ser Dr. tal como Daniel Bastos o é) sobre o defunto governo, responde de uma forma redonda, não demonstrando qualquer distanciamento crítico e mostrando como é que os jotas devem responder a uma pergunta: procurando uma forma de nos sentirmos surpreendidos com aquilo que já estávamos à espera. Efectivamente, a resposta dada poderia ser fornecida por qualquer pessoa do aparelho, pelo menos por aqueles que frequentam as tais escolas de cidadania.
Termina a entrevista, depois de inúmeros Drs, dizendo que apoia Seguro. Curiosamente Seguro sempre foi um crítico de Sócrates, pelo menos por detrás das cortinas de Ferro. Temos aqui um potencial vereador.

António Daniel

18 julho 2011

Uma Arquitectura a Preservar!

Qualquer cidadão, sem formação técnica ou alguma qualificação no domínio da arquitectura, consegue identificar, com facilidade, os erros urbanísticos cometidos na nossa cidade. Ao passearmos no centro, qualquer leigo repara na singularidade de um “Royal Center” ou nos novos edifícios “modernistas” ao lado da Câmara Municipal. Estranha que uma torre que dizem ser um centro comercial ladeie com exemplares térreos de casas brasileiras. Edifícios de elevado valor municipal foram, lamentavelmente, destruídos com a conivência de políticos pouco visionários. Os novos ventos da modernidade trazidos após 25 de Abril originaram uma lamentável devastação de edifícios de valor histórico inquestionável. Embora este fenómeno tenha atingido grande parte das urbes deste país, no caso de Fafe esta situação assume particular gravidade.
Recordar a inépcia com que se abateram exemplares únicos de arquitectura brasileira é olhar para um passado sem retorno, é olhar para um património e para uma marca identitária que valorizaria Fafe, valorizaria as sucessivas gerações de fafenses e promoveria mais turismo e outra economia urbana. (Custa mesmo a perceber que responsáveis do turismo tivemos ao longo dos tempos que nunca levantaram, nem levantam, qualquer celeuma perante o lapidar do nosso património cultural e arquitectónico...)
Sem termos a história ou a monumentalidade de uma cidade como Guimarães, poderíamos hoje ter a identidade da “Cidade dos Brasileiros” em vez de nos andarmos a equivocar com o “Amor de Cidade” ou uma suposta “Sala de Visitas” que tão bem recebe mas tão mal trata o seu património.
Uma das formas de prevenir erros futuros no planeamento urbanístico de Fafe é olhar para as asneiras do passado para que as mesmas não se repitam. Por isso, é errado pensar que o modo como construímos e planeamos uma cidade esteja reservado, apenas, a supostos técnicos na área e às autoridades políticas e autárquicas. Pensar a cidade de Fafe, pensar o espaço urbano, requer a intervenção de todos os fafenses que se preocupam com a qualificação e a organização de Fafe. Actualmente, temos uma sociedade mais esclarecida, outra educação patrimonial e consciências mais despertas. Apontamos o dedo mais facilmente à incompetência técnica, à demagogia política e conhecemos melhor o mercado da especulação imobiliária e sua ligação com a corrupção, o tráfico de influências ou o financiamento partidário.
Por isso, a salvaguarda deste património compete-nos a nós! Que saibamos, todos, honrar a memória, o trabalho e o exemplo de Miguel Monteiro na preservação desta nossa arquitectura ímpar.

Pedro Fernandes

08 julho 2011

Para Onde os Fafenses vão Levar a AD Fafe?

Participei no jantar de comemoração do 53º aniversário da AD Fafe. Fi-lo na qualidade de sócio e vogal da direcção que estava a 3 dias de terminar o mandato.
Saí daquele jantar completamente desiludido e a pensar no estado a que as pessoas de Fafe estão a deixar chegar o nosso clube. Creio que a sala não tinha 30 pessoas. A maior parte eram directores e convidados de honra.
Mas vamos por partes:
Este ano há 47 sócios que completam 25 anos de filiação clubista e, por esse facto, o clube agraciou-os com o emblema de prata e o diploma correspondente de Sócio de Mérito. Tiveram os serviços do clube a diligência de entregar em mãos os convites a essas 47 pessoas. Foi triste olhar para aquela sala e ver que dessa quase meia centena de associados, apenas 8 compareceram. Sim, apenas 8 tiveram a dignidade de dizer presente para receber uma oferta que muito custa ao clube mas que a entrega com todo o prazer. É certo que alguns destes sócios tinham razões plausíveis para falhar ao jantar mas acredito que a maioria não foi por “falta de vontade”. Como disse o presidente da Câmara Municipal de Fafe durante o seu discurso, esses sócios demonstraram uma grande falta de respeito pelo clube e não tiveram a dignidade de receber o emblema de prata e o diploma.
A certa altura, o sócio nº6, que tem 53 anos de filiação ao clube, confessava-me: “O Fafe não merece o que os sócios lhe estão a fazer. Este clube representa muitas gerações de fafenses que com ele tiveram grandes alegrias”. Eu acrescento: “São os fafenses que vão deixar morrer o nosso clube”.
Outros sinais me levaram a questionar o que estará por trás de tanto afastamento. Como é possível que o jornal com mais tiragem no concelho, simplesmente tenha ignorado a festa? Ninguém do Correio de Fafe lá apareceu. Ao que nós chegamos! Valha-nos que apareceu o sempre voluntarioso João Carlos Lopes que, a título gracioso, é hoje o grande informador desportivo do concelho. Também esteve presente o Povo de Fafe já que o seu director é também presidente da AG da AD Fafe.
Ultimamente, graças ao advento das redes sociais, têm aparecido muitos fafenses com “juras de amor eterno” ao clube, carregados de novas ideias e, aparentemente, cheios de vontade de trabalhar em prol de um único objectivo. Sou da opinião que quantos mais melhor. Mas imaginem que os mais de mil “amigos” da AD Fafe no facebook oficial do clube e outros que são “amigos” do Grupo AD Fafe se faziam sócios da colectividade. Isso sim, seria uma prova de amor ao clube. Só assim conseguiremos ultrapassar as dificuldades..
Ser sócio da AD Fafe, pelo preço mínimo, significa, hoje, menos do que um maço de tabaco por mês. Por 4 euros mensais (sócio superior) ou 6 euros (sócio bancada) podem contribuir para o engrandecimento da colectividade.
Sinceramente, não gostaria de ver mais um aniversário da AD Fafe com tão pouca gente como esteve neste 53º.
A época desportiva do futebol está prestes a começar, o clube passa por dificuldades e precisa de gente que o apoie. O Fafe não precisa de adeptos que se lembram que o clube existe quando vão à 2ª feira ao jornal para ver se ganhou ou perdeu. Precisa de adeptos que sejam sócios e participem de forma activa na vida do clube.
A AD Fafe está a definhar e acho que está na hora de ajudarmos a inverter esta tendência. A culpa do fracasso do clube não será de A ou de B, será de todos os fafenses que dizem gostar do clube e nada fazem por ele. A mim, modéstia à parte, não me pesa nada na consciência.

Carlos Rui Ribeiro Abreu
Sócio nº 1240

04 julho 2011

Censos

A edição do Expresso de 2 de Julho mostra um mapa de oscilação demográfica a partir do Censos de Março último. Fafe encontra-se agrupado nos concelhos que perderam entre 2 a 10 % da população. São dados que merecem uma reflexão.
1. Fafe é o único Concelho do litoral minhoto que perde população. Há, inclusive, concelhos mais interiores que obtiveram melhores resultados (Celorico de Basto ); assim como há outros concelhos com as mesmas características de Fafe que alcançaram níveis superiores.
2. 2 a 10% corresponde objectivamente a uma população que oscila entre os mil e cinco mil pessoas.
3. Braga é o «eucalipto» do Minho, seca tudo à sua volta.
Será natural apresentar como principal justificação uma diminuição da natalidade. É um facto que os índices de fecundidade têm decrescido em todo o país, nomeadamente no interior, assim como tem aumentado a população idosa. Mas este dado não explica tudo. Numa fase concorrencial entre cidades, Fafe saiu a perder. Não consegue promover investimentos que captem jovens quadros para o seu interior, possui um conjunto de infraestruturas de lazer, de educação e saúde, factores que mais determinam a escolha de uma cidade para viver, com óbvio atraso na sua consecução. Nos próximos anos não vislumbro grandes melhorias. Convenhamos que não será também interessante captar pessoas «para dormirem cá».
Quanto a Braga, é outra conversa.
Pompeu Martins, por que não uma tertúlia menos soft e mais hard?

António Daniel