10 maio 2011

Avé Maria

Era habitual… Maio, Mês Mariano, rádio sintonizado em AM na RR. Palavras ditas e cantadas em unísssono, velas acesas que derretiam a cera (a cera a escorrer pelo fálico corpo). Na Igreja, palavras mansas próprias de quem está em estado de levitação, de quem maneja o rebanho. O Cónego. E nós todos: Avé… pelas intermináveis calendas do terço, descontávamos os rosários como um prisioneiro desconta a vida, vida essa que morava lá fora sobre a terra de Maio com o seu tempo indefinido. Contudo, até ao fim do mês de Maio repetia-se, sob uma voz sonâmbula, as passagens mais terríveis do Livro. Pecado, soava a dor no peito, diabo encarnava uma figura sem rosto mas medonha, para no fim tudo repousar no seu lugar natural, na Luz. A minha luz era, porém, a testosterona. Pela primeira vez pensei: é ela. A Carina correspondia a um desejo imberbe, a uma tentação que, curiosamente, se tornou divina. Perante a divindade, o complexo hormonal amolece, perde vigor, promovendo uma paixão que nos aprisiona porque transforma o objectum numa espécie de divindade oculta. No fundo simbolizava a Eva, a tentação agridoce.
Tudo era terrível, o luto, o peso evangélico, o pecado. Até que pensei: quando for grande quero ser padre. Claro que isto aconteceu muito antes de querer ser Bombeiro. O Bombeiro correspondia a uma adolescência do sonho, promovia o vigor, a luta. Em contrapartida, o padre simbolizava o poder. A gesticulação harmoniosa de dar a bênção com aqueles dedos médio e indicador sobrepondo-se aos outros dedos (O domínio, a segurança do dogma, a protecção fatalista, se Deus quiser…). É o período infantil do sonho.
Há ingenuidades que marcam.

António Daniel

05 maio 2011

O "Mário da Junta"


Não costumo deslocar-me a serviços públicos em Fafe. Dado que já lá não resido há algum tempo, é noutros locais que trato das minhas "papeladas". (Assim como já não voto em Fafe... )No passado mês de Abril acompanhei uma amiga à Junta de Freguesia. Até aqui tudo normal. Enquanto ela aguardava pela sua vez para ser atendida, fiquei à entrada a fumar um cigarro. (Que mau vício este, eu sei...)
A meu lado, estava o Presidente da Junta e mais alguma plebe que o ouvia entusiasticamente. Nesse tempo em que acendi o cigarro, fumei e apaguei-o, ouvi (eu e toda a gente que se encontrava na junta) um manancial de histórias e historietas sobre o panorama político e social fafense ao melhor estilo queirosiano. Aliás, num certo sentido, o nosso presidente da junta fez-me lembrar a personagem Rufino de "Os Maias"...
Os restantes "clientes" da junta, num certo momento, até pareciam alhear-se das suas questões a serem resolvidas dado o entusiasmo e a vitalidade da voz do nosso presidente.
Não me importa a veracidade ou não dos factos narrados pela personagem principal desta história. Importa-me sim, constatar que quando fui em Abril à Junta de Freguesia de Fafe a coisa assemelhou-se a um lavar de roupa suja. O que deveria ser um espaço público em que as pessoas se deslocavam para resolver os seus assuntos e ponto final comparo-o, neste momento, a um espaço em que o Zé Povinho vai ouvir o presidente para depois contar as novidades ao vizinho, contando um conto e acrescentando um ponto...
Este presidente da Junta não sabe o que é ética política. Não sabe comportar-se como um presidente da junta que, ainda por cima, é pago por muitos daqueles de que crítica copiosamente nas suas tertulias populares. Acho vergonhoso ter-me sentido assim num espaço público ouvindo histórias de gente da nossa praça contadas à boca de um responsável político e responsável público. Bem, foram só dez minutos... no dia seguinte, já tinha então regressado à normalidade do trabalho e de uma vida fora de Fafe.
No final ainda perguntei à minha amiga: "Ouviste aquilo?" Ao que ela me respondeu: "Acreditas que quase não ouvia o funcionário que me atendeu..." Sintomático... e no dia seguinte, a plebe junta-se para mais tertúlias no Mercado do Peixe... Viva Fafe!!!

Rui Silva

03 maio 2011

Cine Teatro MAIO

EM DESTAQUE: Portugal Acústico
Dia 28, 21:30h, Preço: 5 Eur

Os ingressos para os espectáculos no Teatro-Cinema de Fafe, durante o Mês de Maio, já se encontram à venda no Posto de Turismo de Fafe.

29 abril 2011

Rallye Serras de Fafe 2011

A Catedral dos Ralis em Portugal irá receber neste fim-de-semana a caravana dos Campeonatos de Portugal de Ralis, Regional Ralis Nordeste e ainda a Taça Nacional de Ralis. O Rali Serras de Fafe arranca Sábado à tarde com a realização de uma dupla passagem pelos troços de Ruivães e Luílhas. À noite o centro da cidade é palco de uma Super Especial. Por fim no Domingo os concorrentes efectuam uma dupla passagem por Montim e Lameirinha, totalizando aproximadamente 250 quilómetros.

26 abril 2011

Tesourinho Deprimente

É verdade que o desporto em Fafe enriquece com a instalação de relvados sintéticos ao invés dos pelados mas havia necessidade de exaltar o ego gastando uns milhares em alguns placards que de úteis para a sociedade têm pouco? Um regozijo desnecessário. Fica aqui a minha observação.

Luís Peixoto

19 abril 2011

"Portugal-Brasil: Paisagens e Fafenses"

Fafe oferece, através do seu Museu das Migrações e das Comunidades, no dia 21 de Abril, uma exposição que evoca o Brasil e a chegada dos portugueses às terras de Vera Cruz.
Integrada na programação anual do Museu das Migrações e das Comunidades, a mostra assinala o Dia da Comunidade Luso Brasileira (22 de Abril), data do encontro da expedição dos portugueses com a terra e as gentes além-mar, que se vai manter ao longo dos séculos.
Esta celebração foi criada em 1967 pelos dois governos - Portugal e Brasil -, foi instituída pelo senador brasileiro Vasconcelos Torres e devia ser comemorado nos dois países, já que é nesse dia que se celebra o “achamento do Brasil”.
A exposição “Portugal-Brasil: Paisagens brasilianas e Fafenses Brasileiros de Torna-Viagem”, integra um conjunto de retratos da autoria do artista plástico Luís Gonzaga, que — destaca a nota do museu — “nos situa a ligação de Fafe ao Brasil, em particular pela memória dos faf enses que emigraram para o Brasil durante o século XIX e inícios do século XX, e que no seu regresso edificaram a então Villa de Fafe - os fafenses “Brasileiros de Torna-Viagem”.
Estarão patentes ao público, pela primeira vez à luz desta ligação ao Brasil, a colecção das telas do acervo do Município que representam os “ilustres emigrantes brasileiros”, que, desde o início do século XIX edificaram palácios, casas apa-laçadas e palacetes, abriram ruas e praças redesenhando a “cidade”. Os princípios e ideais de liberdade e de auxílio mútuo evaram-nos à construção de edificações de cariz social - o Hospital de S. José (1858), o Asilo para a Infância Desvalida (1877) e o Asilo dos Inválidos (1906), a Escola de Conde Ferreira (1866) a Escola Deolinda Leite (1892), a Igreja Nova de S. José (1895) a Confraria de S. José ou da Misericórdia administradora do Hospital (1860). Construíram ainda o exótico jardim romântico do Calvário (1892), imitando as metrópoles de além-mar.

13 abril 2011

Miguel, Rui, Jaime e Carlos

São quatro nomes que pouco dizem, comuns a muitos nomes próprios. Mas se lhe juntarmos os apelidos, dizem muito para Fafe. Todos eles tiveram em comum serem professores e todos eles fizeram muito por Fafe. O Miguel Monteiro deixa saudades. A mim particularmente. Um grande homem que, contra ventos e marés, rumou a um lugar de destaque na vida fafense. Promoveu uma ideia de Fafe, construiu memórias eternas e deixou-nos um legado que nos devemos orgulhar. A Jaime Bonifácio Silva, o único com trajectória política, devemos a transformação das ideias desportivas. Foi dos que - juntamente com outros, é certo – formou a modalidade de Andebol em Fafe, que muitas alegrias nos deu. Rui Adérito foi interventivo. Educou várias gerações e foi, acima de tudo, respeitado porque se deu ao respeito. Também muitas vezes incompreendido, promoveu novas formas de políticas ambientais, gerou movimentos nessa linha e galvanizou novas mentalidades. Foi pena ter-nos deixado cedo. Finalmente, Carlos Afonso. Através das redes sociais, nomeadamente nas várias postagens de Pompeu no Facebook, tive conhecimento do grande empreendedor cultural que tornou possível as «Jornadas Literárias».
Além de professores, têm mais um pormenor em comum: não são originários de Fafe. Só há um nome que sempre vi como um referencial cultural e que nunca foi devidamente aproveitado: Isabel Pinto Bastos. Talvez por ser de Fafe.

António Daniel

04 abril 2011

Indicador de Desenvolvimento Económico e Social

Nas minhas leituras de fim-de-semana, num artigo sobre o concelho de Alvaiázere (ali designado por Cavacolândia), deparei-me com uma referência a um estudo sobre o desenvolvimento económico e social dos concelhos deste país, referido pelo autor da peça para justificar a sua apreciação negativa sobre esse pedaço de Portugal. Tentava o jornalista justificar a votação maciça em Cavaco Silva, utilizando, entre outros argumentos, o deficitário desenvolvimento do concelho, pouco atractivo e com uma população envelhecida e pouco letrada. Naturalmente curioso, fiz uma pesquisa na net e lá encontrei o estudo efectuado por José R. Pires - Prof. Catedrático da Universidade da Beira Interior e Responsável do Observatório para o Desenvolvimento Económico e Social e Nuno Miguel Simões - Técnico Superior Economista, publicado em 2009. Este estudo analisa 50 factores e indicadores de condições económicas, sócias e materiais, constantes do Anuário Estatístico do INE (dados de 2006) e cria um ranking, por comparação, para os concelhos de Portugal Continental (278). Fafe está num calamitoso 222º lugar, tendo descido 58 posições desde a última publicação, ou seja, 2007 (dados de 2004). O valor numérico deste Indicador Concelhio de Qualidade de Vida – 54,4948 (Guimarães ocupa o lugar 112, com 66,1351) deve-nos obrigar a reflectir sobre a importância que damos à qualidade de vida no nosso concelho. Deve-nos levar a questionar os investimentos que o Município tem feito e, fundamentalmente, os que se prepara para fazer. Será que é mais importante endividar o concelho com Parcerias Público Privadas para executar um conjunto de obras de importância relativa ou, em alternativa, apostar nas infra-estruturas básicas (água e saneamento) e ambiente/recreio? Deixo-vos a questão. Reflictam!

Miguel Summavielle

01 abril 2011

Dinheiros

Todos sabemos que as Câmaras Municipais são instituições que, apesar do muito trabalho feito, são gastadoras. A Câmara de Fafe prepara-se para isto. É muito dinheiro e muito tempo. A duração é de vinte e cinco anos. Não haveria possibilidades de gastar menos reconvertendo equipamentos já existentes? Por exemplo, não seria possível fazer um alargamento da piscina actual ou simplesmente construir uma exterior aproveitando os campos de ténis? Não seria possível construir campos de ténis no Parque da Cidade juntamente com outras estruturas pouco dispendiosas? Há necessidade de grandes obras de requalificação das praças mencionadas, sabendo que, por exemplo, o hospital irá ser transferido? Ou não vai ser? O que irá acontecer aos projectos já aprovados do Hospital e da Escola. Face ao esperado desinvestimento central e à alternância do poder, qual o desenlace? Os próximos anos para Fafe, assim como para o resto do país, não serão brilhantes. Não diria que será uma oportunidade única para a oposição fazer valer as suas propostas, mas não andarei longe.

António Daniel

30 março 2011

Cine Teatro ABRIL


EM DESTAQUE: Sérgio Godinho
Dia 16, 21:30h, Preço: 10 Eur

Os ingressos para os espectáculos no Teatro-Cinema de Fafe, durante o Mês de Abril, já se encontram à venda no Posto de Turismo de Fafe.

28 março 2011

Vamos Ajudar a CERCIFAF

A Cercifaf está autorizada a receber 0,5% do seu IRS da parte que cabe ao Estado. Ao preencher o anexo H da sua declaração de IRS, escreva no quadro 9, na opção "Instituições Particulares de Solidariedade Social ou Pessoas Colectivas de Utilidade Pública" o Nº de Contribuinte 500 860 602 da Cercifaf. Desta forma e sem qualquer encargo para si, está a ajudar a Cercifaf. Colabore com esta causa de valor social e humano.

25 março 2011

Centro Local da Unesco em Fafe

O Centro UNESCO, criado em Fafe, vai fazer nos próximos meses o levantamento do património imaterial do concelho, procurando preservar tradições, expressões linguísticas, lendas, rituais e aptidões.
Nas próximas semanas, técnicos da Comissão Nacional da UNESCO (Organização das Nações Unidas para a Educação, Ciência e Cultura) vão começar a ministrar formação aos recursos humanos afetos a este centro local, para depois se elaborar um plano de ação e iniciar o trabalho de campo, revelou à Lusa o vereador da Cultura de Fafe.
Pompeu Martins sublinhou que todo o trabalho vai ser realizado com o envolvimento de parceiros locais, incluindo escolas dos vários graus de ensino, associações culturais e recreativas e juntas de freguesia.
O presidente da Comissão Nacional da UNESCO, o embaixador Fernando Martins, esteve em Fafe, na sessão de assinatura do protocolo, elogiando a parceria estabelecida com a Câmara local. “A identidade defende-se muito através da memória do património imaterial”, considerou o embaixador, destacando “as vantagens de trabalhar em rede”.
O “Centro UNESCO - Memória e Identidade”, sediado na Casa da Cultura de Fafe, vai criar equipas multidisciplinares para fazerem o enquadramento metodológico e científico e consequente trabalho de campo.
Estas equipas vão compilar todo o material recolhido, que será disponibilizado à população através de exposições e dos meios audiovisuais, incluindo a Internet.
“No final do ano, contamos já ter algum material em resultado do trabalho realizado para o podermos disponibilizar às pessoas”, avançou.
O vereador disse esperar que o centro UNESCO em Fafe “permita um trabalho participado, envolvendo as comunidades locais, com o objetivo de preservar a identidade, reforçar os laços de pertença e preparar um futuro com referências”.
A língua, as crenças, as danças, os jogos e os artefactos serão outros elementos que merecerão atenção deste centro, destacou.
Pompeu Martins reafirmou que o concelho vai continuar a apostar na cultura, mas frisou que esse investimento, nomeadamente na rede de equipamentos de qualidade que existe no concelho, “pode ser muito mais eficiente se for acrescentado o trabalho que se espera agora do centro UNESCO”.
No âmbito desta parceria entre a Comissão Nacional da UNESCO e a autarquia vai ser preparada uma exposição sobre os ideais daquela organização das Nações Unidas dirigido aos estudantes do concelho.

In www.correiodominho.pt, 24/03/2011

23 março 2011

A Grande Comunicação Não Liga ao Interior


1. É uma crítica recorrente e, deixem-me confessar, perfeitamente justa: a comunicação social de expressão nacional, a começar pelas televisões e a acabar nos jornais, salvo raríssimas e episódicas excepções, não liga a mínima peva ao que de positivo, agregador e entusiasmante se está a fazer pelo país, e sobretudo no interior. Quando uma desgraça acontece, um assassínio, um acidente, uma manifestação contra o encerramento do centro de saúde ou quando episódios de violência de qualquer espécie são conhecidos, as televisões saltam, como por encanto, para a rua, os jornais enviam pressurosas equipas de reportagem, as rádios dão directos emocionados para os principais serviços noticiosos.
O sangue, a violência, o sexo, o dramatismo, o exacerbado “vendem” páginas de jornais ou aberturas de telejornal, porque o “voyeurismo” dos portugueses é explorado até à alma. Tudo o que é negativo ganha lugar de destaque nos media, porque responde aos estereótipo do que alegadamente os espectadores e leitores estão à espera.
Pelo contrário, as notícias positivas, quaisquer que sejam, mas sobretudo da área da cultura, aparecem na comunicação social de expressão nacional, quando acontecem nos palcos da capital ou, quando muito, do Porto. Ou quando o Presidente da República visita uma exposição, ou José Sócrates inaugura um museu. O resto do país e do tempo mediático, continuam, revoltantemente, a ser paisagem, não interessando minimamente às agendas dos editores dos grandes meios de comunicação, que não conhecem o território e que vão exercendo os seus pequenos poderes nos espaços em que se revêem, por razões nem sempre de índole informativa.


2. As afirmações anteriores traduzem algum pesar pela (quase) indiferença com que a grande comunicação tem tratado uma das maiores manifestações culturais que por estes dias teve como palco o município de Fafe.
Desde a passada segunda-feira e até hoje, 21 de Março, Fafe protagonizou um evento de grande dimensão cultural e educativa, concretizado nas Segundas Jornadas Literárias de Fafe, sob o lema “Palavras com Liberdade”.
Ao contrário de outros eventos congéneres, em que se convidam escritores e se “compra” um formato de certame para o qual apenas é necessário ter orçamento recheado, em Fafe todas praticamente as iniciativas foram organizadas e levadas e efeito pela comunidade local, dos jovens aos adultos.
Desde logo, o que haverá a evidenciar é a adesão à iniciativa de todos os agrupamentos e escolas do concelho. Além do município, que financia e coordena as Jornadas, estão envolvidos na organização a Escola Secundária, os Agrupamentos de Escolas Prof. Carlos Teixeira, Montelongo, Arões, Silvares e Padre Joaquim Flores, a Escola Profissional e o Colégio da ACR Fornelos, bem como o Núcleo de Artes e Letras de Fafe, o Cineclube de Fafe, a editora Labirinto e a Academia de Músic a José Atalaya. Mas outras entidades locais participam nos diferentes números do evento, que se salda pela maior participação popular em termos de espectáculos e de iniciativas culturais ao longo de todo o ano. Muitos dizem que é um acontecimento “histórico”.
Basta ver que na segunda-feira passada, o espectáculo de abertura, no Pavilhão Multiusos, juntou várias centenas de jovens de inúmeros estabelecimentos de ensino e bem mais de mil espectadores, durante mais de duas horas onde imperou a música, a dança e a poesia.
Entretanto, além do lançamento de diversas revistas e obras literárias e de encontros com escritores (Moita Flores, por exemplo), de espectáculos de teatro para a população escolar, de filmes, exposições e outras actividades realizadas em cada agrupamento e escola, em homenagem a escritores como Camões, Fernando Pessoa, José Saramago ou Alice Vieira, o realce vai para um grande espectáculo realizado este sábado, intitulado “Memórias de um Povo”, que avivou tradições, usos e costumes e levou ao Pavilhão Multiusos mais de um milhar de pessoas, metade dos quais figurantes, que recriaram procissões, actividades agrícolas, cantares de reis, marchas sanjoaninas, desfiles carnavalescos e outros números de grande impacto local. Para a noite de hoje, dia mundial da poesia, da árvore e começo da primavera, está previsto um grande espectáculo de encerramento, sob o tema plagiado a Florbela Espanca, “Ser Poeta é Ser Mais Alto”, no Teatro-Cinema, durante o qual serão entregues prémios literários, será declamada poesia e se assistirá à recriação de uma fabulosa obra de Fernando Pessoa (Mensagem), pela Academia de Música José Atalaya.
A cultura em Fafe está em alta, quer em quantidade, quer em qualidade. Indubitavelmente. Pergunte-se aos milhares de pessoas que estão a participar activamente nestes eventos. Infelizmente, a comunicação social que leva a informação aos lares dos portugueses ignora o que se está a passar neste município, desconhece o esforço e o sacrifício de dezenas de pessoas que andaram pelas escolas e pelas aldeias a ensaiar e a cativar jovens e menos jovens em torno de uma causa cultural, educativa e de lazer. É o geral silêncio sepulcral e ensurdecedor, quando coisas bonitas se estão a fazer na cidade e no concelho.

3. E se durante um espectáculo destas Jornadas altamente positivas e frutuosas, em termos educativos, culturais e sociais, mobilizando afirmativamente todo um concelho, um palco ruísse e dois actores ficassem feridos (lagarto, lagarto…) com alguma gravidade?
Ninguém mais falava no êxito indesmentível de uma semana gloriosa, o que não é interessante para a história. As televisões saltariam, como por encanto, para a rua, em direcção a Fafe, os jornais enviariam pressurosas equipas de reportagem, as rádios dariam directos emocionados para os principais serviços noticiosos…

In http://www.correiodominho.com/, 21/03/2011
por Artur Coimbra

18 março 2011

II Jornadas Literárias de Fafe

É o evento cultural com maior participação durante todo o ano!! Com o objectivo de promover a cultura e incentivar o gosto pela leitura entre a população em geral, mas sobretudo junto dos mais jovens, o Município de Fafe, durante esta semana, tem promovido as Segundas Jornadas Literárias de Fafe.
Pretende-se concretizar uma festa da cultura e da literatura, materializada no encontro com escritores, no lançamento de obras literárias, na realização de recitais de poesia, na passagem de filmes sobre escritores, em diversos espectáculos de teatro para a população escolar, em espectáculos destinados ao público em geral, entre muitas outras actividades a levar a cabo em cada agrupamento e escola. As tradições e o património imaterial estarão bem presentes nesta segunda edição das Jornadas Literárias. Além do município, que financia e coordena as Jornadas, estão envolvidos na organização a Escola Secundária, os Agrupamentos de Escolas Prof. Carlos Teixeira, Montelongo, Arões, Silvares e Padre Joaquim Flores, a Escola Profissional e o Colégio da ACR Fornelos, bem como o Núcleo de Artes e Letras de Fafe, o Cineclube de Fafe, a editora Labirinto e a Academia de Música José Atalaya. A todos eles, os nossos sinceros Parabéns por todo o brilhantismo, dinâmica e participação que têm estado bem patentes neste importante evento cultural!

15 março 2011

Mais um Tesourinho Deprimente...

Duas pessoas inscrevem-se para participar no Recenseamento Geral da População deste ano no concelho de Fafe. Uma delas é licenciada com emprego estável e aufere mensalmente cerca de 1000 Euros com contrato de trabalho. A outra pessoa tem habilitações ao nível do 12º Ano, está desempregada e a receber subsídio de desemprego no valor de 400 Euros mensais.
Uma delas é escolhida e vai fazer um part-time após o trabalho. A outra vai continuar desempregada...
Acontece em Fafe, como deve acontecer em muitos sítios deste querido Portugal...

13 março 2011

CAB Madeira Vence Final da Taça

Numa final inédita, o CAB Madeira inscreveu o seu nome pela primeira vez na lista de vencedores da Taça de Portugal, ao derrotar o CB Penafiel, por 64-62, num jogo disputado no Pavilhão Multiusos de Fafe perante uma plateia de 1600 espectadores. No confronto entre duas equipas que com todo o mérito chegaram a esta fase da prova, os madeirenses foram mais felizes no final do encontro. Foi uma partida emocionante até aos últimos segundos da partida, digna de uma final.
O Clube Amigos do Basket tornou-se, assim, o 17º vencedor da Taça de Portugal. A lista de conquistas é liderada pelo Benfica, com 18, seguido do FC Porto, com 12.
Fafe está de parabéns pela co-organização de mais um importante evento desportivo.

11 março 2011

09 março 2011

Sugestão de Leitura - "A Terra do Chiculate"

Isabel Maria Fidalgo Mateus nasceu nas Quintas do Corisco, Felgueiras, Torre de Moncorvo, em 1969. Publicou artigos em jornais e revistas e apresentou comunicações em conferências internacionais sobre Miguel Torga e Literatura de Viagens.
Actualmente dedica-se sobretudo à escrita e à investigação académica no âmbito da Literatura de Viagens.
O livro que recentemente editou relata diversos aspectos da emigração portuguesa.
A obra divide-se em três partes e dá voz, através dos seus relatos, na primeira pessoa, aos seus “reais protagonistas”.
Na primeira parte, intitulada “Naufrágio”, a narração da criança, entregue aos cuidados da avó materna, com apenas 12 meses, centra-se nas suas memórias indeléveis da infância e da juventude, exprimindo, sobretudo, o modo como a ausência dos seus pais se reflecte, de forma nefasta, na sua vida. Aliás, a sua experiência individual remete a temática para um panorama mais vasto, pois a sua situação vai ao encontro da mesma realidade familiar e social de tantas outras crianças e jovens do Portugal rural, principalmente do Norte e Interior do país, durante a época da Ditadura.
A segunda parte, “Viagem(ns)”, trata dos percursos de vida daqueles que deram “o salto”, isto é, dos seus sucessos e infortúnios provenientes desta epopeia da era moderna. Entre outras, aqui perpassam as histórias do passador, da criança e dos jovens arrancados à terra de origem, bem como as referentes aos homens e às mulheres e aos seus muitos trabalhos que passaram para se adaptarem ao novo país, à língua e à cultura. No presente, “os protagonistas” mais idosos desta efeméride deparam-se com outro tipo de problemas: surge o dilema do regresso para Portugal ou da sua permanência em França ou, então, a opção pelo contínuo vaivém entre os dois países, até que as suas forças físicas e psicológicas o permitam.
Quanto às várias gerações de luso-descendentes, debatem-se pela procura e pela afirmação da sua identidade portuguesa, resolvendo deste modo o conflito, por vezes existente, entre o desequilíbrio da influência das culturas francesa e lusa.
A última parte da obra resulta das impressões de viagem do narrador adulto em peregrinação pelos espaços da diáspora dos primeiros emigrantes portugueses, onde se incluem os seus próprios pais, os seus familiares e os seus amigos. A partir daqui, pretende-se que as suas reflexões e considerações elucidem o leitor acerca deste período da emigração ainda mal conhecida por muitos e, até então, com aspectos por desmistificar.
Ao mostrar o difícil passado recente da emigração portuguesa, A Terra do Chiculate alerta, igualmente, para a vigência e a actualidade do tema da emigração clandestina neste início de século.
Para mais informação podem consultar o site da autora em www.isabelmateus.com