13 abril 2011

Miguel, Rui, Jaime e Carlos

São quatro nomes que pouco dizem, comuns a muitos nomes próprios. Mas se lhe juntarmos os apelidos, dizem muito para Fafe. Todos eles tiveram em comum serem professores e todos eles fizeram muito por Fafe. O Miguel Monteiro deixa saudades. A mim particularmente. Um grande homem que, contra ventos e marés, rumou a um lugar de destaque na vida fafense. Promoveu uma ideia de Fafe, construiu memórias eternas e deixou-nos um legado que nos devemos orgulhar. A Jaime Bonifácio Silva, o único com trajectória política, devemos a transformação das ideias desportivas. Foi dos que - juntamente com outros, é certo – formou a modalidade de Andebol em Fafe, que muitas alegrias nos deu. Rui Adérito foi interventivo. Educou várias gerações e foi, acima de tudo, respeitado porque se deu ao respeito. Também muitas vezes incompreendido, promoveu novas formas de políticas ambientais, gerou movimentos nessa linha e galvanizou novas mentalidades. Foi pena ter-nos deixado cedo. Finalmente, Carlos Afonso. Através das redes sociais, nomeadamente nas várias postagens de Pompeu no Facebook, tive conhecimento do grande empreendedor cultural que tornou possível as «Jornadas Literárias».
Além de professores, têm mais um pormenor em comum: não são originários de Fafe. Só há um nome que sempre vi como um referencial cultural e que nunca foi devidamente aproveitado: Isabel Pinto Bastos. Talvez por ser de Fafe.

António Daniel

04 abril 2011

Indicador de Desenvolvimento Económico e Social

Nas minhas leituras de fim-de-semana, num artigo sobre o concelho de Alvaiázere (ali designado por Cavacolândia), deparei-me com uma referência a um estudo sobre o desenvolvimento económico e social dos concelhos deste país, referido pelo autor da peça para justificar a sua apreciação negativa sobre esse pedaço de Portugal. Tentava o jornalista justificar a votação maciça em Cavaco Silva, utilizando, entre outros argumentos, o deficitário desenvolvimento do concelho, pouco atractivo e com uma população envelhecida e pouco letrada. Naturalmente curioso, fiz uma pesquisa na net e lá encontrei o estudo efectuado por José R. Pires - Prof. Catedrático da Universidade da Beira Interior e Responsável do Observatório para o Desenvolvimento Económico e Social e Nuno Miguel Simões - Técnico Superior Economista, publicado em 2009. Este estudo analisa 50 factores e indicadores de condições económicas, sócias e materiais, constantes do Anuário Estatístico do INE (dados de 2006) e cria um ranking, por comparação, para os concelhos de Portugal Continental (278). Fafe está num calamitoso 222º lugar, tendo descido 58 posições desde a última publicação, ou seja, 2007 (dados de 2004). O valor numérico deste Indicador Concelhio de Qualidade de Vida – 54,4948 (Guimarães ocupa o lugar 112, com 66,1351) deve-nos obrigar a reflectir sobre a importância que damos à qualidade de vida no nosso concelho. Deve-nos levar a questionar os investimentos que o Município tem feito e, fundamentalmente, os que se prepara para fazer. Será que é mais importante endividar o concelho com Parcerias Público Privadas para executar um conjunto de obras de importância relativa ou, em alternativa, apostar nas infra-estruturas básicas (água e saneamento) e ambiente/recreio? Deixo-vos a questão. Reflictam!

Miguel Summavielle

01 abril 2011

Dinheiros

Todos sabemos que as Câmaras Municipais são instituições que, apesar do muito trabalho feito, são gastadoras. A Câmara de Fafe prepara-se para isto. É muito dinheiro e muito tempo. A duração é de vinte e cinco anos. Não haveria possibilidades de gastar menos reconvertendo equipamentos já existentes? Por exemplo, não seria possível fazer um alargamento da piscina actual ou simplesmente construir uma exterior aproveitando os campos de ténis? Não seria possível construir campos de ténis no Parque da Cidade juntamente com outras estruturas pouco dispendiosas? Há necessidade de grandes obras de requalificação das praças mencionadas, sabendo que, por exemplo, o hospital irá ser transferido? Ou não vai ser? O que irá acontecer aos projectos já aprovados do Hospital e da Escola. Face ao esperado desinvestimento central e à alternância do poder, qual o desenlace? Os próximos anos para Fafe, assim como para o resto do país, não serão brilhantes. Não diria que será uma oportunidade única para a oposição fazer valer as suas propostas, mas não andarei longe.

António Daniel

30 março 2011

Cine Teatro ABRIL


EM DESTAQUE: Sérgio Godinho
Dia 16, 21:30h, Preço: 10 Eur

Os ingressos para os espectáculos no Teatro-Cinema de Fafe, durante o Mês de Abril, já se encontram à venda no Posto de Turismo de Fafe.

28 março 2011

Vamos Ajudar a CERCIFAF

A Cercifaf está autorizada a receber 0,5% do seu IRS da parte que cabe ao Estado. Ao preencher o anexo H da sua declaração de IRS, escreva no quadro 9, na opção "Instituições Particulares de Solidariedade Social ou Pessoas Colectivas de Utilidade Pública" o Nº de Contribuinte 500 860 602 da Cercifaf. Desta forma e sem qualquer encargo para si, está a ajudar a Cercifaf. Colabore com esta causa de valor social e humano.

25 março 2011

Centro Local da Unesco em Fafe

O Centro UNESCO, criado em Fafe, vai fazer nos próximos meses o levantamento do património imaterial do concelho, procurando preservar tradições, expressões linguísticas, lendas, rituais e aptidões.
Nas próximas semanas, técnicos da Comissão Nacional da UNESCO (Organização das Nações Unidas para a Educação, Ciência e Cultura) vão começar a ministrar formação aos recursos humanos afetos a este centro local, para depois se elaborar um plano de ação e iniciar o trabalho de campo, revelou à Lusa o vereador da Cultura de Fafe.
Pompeu Martins sublinhou que todo o trabalho vai ser realizado com o envolvimento de parceiros locais, incluindo escolas dos vários graus de ensino, associações culturais e recreativas e juntas de freguesia.
O presidente da Comissão Nacional da UNESCO, o embaixador Fernando Martins, esteve em Fafe, na sessão de assinatura do protocolo, elogiando a parceria estabelecida com a Câmara local. “A identidade defende-se muito através da memória do património imaterial”, considerou o embaixador, destacando “as vantagens de trabalhar em rede”.
O “Centro UNESCO - Memória e Identidade”, sediado na Casa da Cultura de Fafe, vai criar equipas multidisciplinares para fazerem o enquadramento metodológico e científico e consequente trabalho de campo.
Estas equipas vão compilar todo o material recolhido, que será disponibilizado à população através de exposições e dos meios audiovisuais, incluindo a Internet.
“No final do ano, contamos já ter algum material em resultado do trabalho realizado para o podermos disponibilizar às pessoas”, avançou.
O vereador disse esperar que o centro UNESCO em Fafe “permita um trabalho participado, envolvendo as comunidades locais, com o objetivo de preservar a identidade, reforçar os laços de pertença e preparar um futuro com referências”.
A língua, as crenças, as danças, os jogos e os artefactos serão outros elementos que merecerão atenção deste centro, destacou.
Pompeu Martins reafirmou que o concelho vai continuar a apostar na cultura, mas frisou que esse investimento, nomeadamente na rede de equipamentos de qualidade que existe no concelho, “pode ser muito mais eficiente se for acrescentado o trabalho que se espera agora do centro UNESCO”.
No âmbito desta parceria entre a Comissão Nacional da UNESCO e a autarquia vai ser preparada uma exposição sobre os ideais daquela organização das Nações Unidas dirigido aos estudantes do concelho.

In www.correiodominho.pt, 24/03/2011

23 março 2011

A Grande Comunicação Não Liga ao Interior


1. É uma crítica recorrente e, deixem-me confessar, perfeitamente justa: a comunicação social de expressão nacional, a começar pelas televisões e a acabar nos jornais, salvo raríssimas e episódicas excepções, não liga a mínima peva ao que de positivo, agregador e entusiasmante se está a fazer pelo país, e sobretudo no interior. Quando uma desgraça acontece, um assassínio, um acidente, uma manifestação contra o encerramento do centro de saúde ou quando episódios de violência de qualquer espécie são conhecidos, as televisões saltam, como por encanto, para a rua, os jornais enviam pressurosas equipas de reportagem, as rádios dão directos emocionados para os principais serviços noticiosos.
O sangue, a violência, o sexo, o dramatismo, o exacerbado “vendem” páginas de jornais ou aberturas de telejornal, porque o “voyeurismo” dos portugueses é explorado até à alma. Tudo o que é negativo ganha lugar de destaque nos media, porque responde aos estereótipo do que alegadamente os espectadores e leitores estão à espera.
Pelo contrário, as notícias positivas, quaisquer que sejam, mas sobretudo da área da cultura, aparecem na comunicação social de expressão nacional, quando acontecem nos palcos da capital ou, quando muito, do Porto. Ou quando o Presidente da República visita uma exposição, ou José Sócrates inaugura um museu. O resto do país e do tempo mediático, continuam, revoltantemente, a ser paisagem, não interessando minimamente às agendas dos editores dos grandes meios de comunicação, que não conhecem o território e que vão exercendo os seus pequenos poderes nos espaços em que se revêem, por razões nem sempre de índole informativa.


2. As afirmações anteriores traduzem algum pesar pela (quase) indiferença com que a grande comunicação tem tratado uma das maiores manifestações culturais que por estes dias teve como palco o município de Fafe.
Desde a passada segunda-feira e até hoje, 21 de Março, Fafe protagonizou um evento de grande dimensão cultural e educativa, concretizado nas Segundas Jornadas Literárias de Fafe, sob o lema “Palavras com Liberdade”.
Ao contrário de outros eventos congéneres, em que se convidam escritores e se “compra” um formato de certame para o qual apenas é necessário ter orçamento recheado, em Fafe todas praticamente as iniciativas foram organizadas e levadas e efeito pela comunidade local, dos jovens aos adultos.
Desde logo, o que haverá a evidenciar é a adesão à iniciativa de todos os agrupamentos e escolas do concelho. Além do município, que financia e coordena as Jornadas, estão envolvidos na organização a Escola Secundária, os Agrupamentos de Escolas Prof. Carlos Teixeira, Montelongo, Arões, Silvares e Padre Joaquim Flores, a Escola Profissional e o Colégio da ACR Fornelos, bem como o Núcleo de Artes e Letras de Fafe, o Cineclube de Fafe, a editora Labirinto e a Academia de Músic a José Atalaya. Mas outras entidades locais participam nos diferentes números do evento, que se salda pela maior participação popular em termos de espectáculos e de iniciativas culturais ao longo de todo o ano. Muitos dizem que é um acontecimento “histórico”.
Basta ver que na segunda-feira passada, o espectáculo de abertura, no Pavilhão Multiusos, juntou várias centenas de jovens de inúmeros estabelecimentos de ensino e bem mais de mil espectadores, durante mais de duas horas onde imperou a música, a dança e a poesia.
Entretanto, além do lançamento de diversas revistas e obras literárias e de encontros com escritores (Moita Flores, por exemplo), de espectáculos de teatro para a população escolar, de filmes, exposições e outras actividades realizadas em cada agrupamento e escola, em homenagem a escritores como Camões, Fernando Pessoa, José Saramago ou Alice Vieira, o realce vai para um grande espectáculo realizado este sábado, intitulado “Memórias de um Povo”, que avivou tradições, usos e costumes e levou ao Pavilhão Multiusos mais de um milhar de pessoas, metade dos quais figurantes, que recriaram procissões, actividades agrícolas, cantares de reis, marchas sanjoaninas, desfiles carnavalescos e outros números de grande impacto local. Para a noite de hoje, dia mundial da poesia, da árvore e começo da primavera, está previsto um grande espectáculo de encerramento, sob o tema plagiado a Florbela Espanca, “Ser Poeta é Ser Mais Alto”, no Teatro-Cinema, durante o qual serão entregues prémios literários, será declamada poesia e se assistirá à recriação de uma fabulosa obra de Fernando Pessoa (Mensagem), pela Academia de Música José Atalaya.
A cultura em Fafe está em alta, quer em quantidade, quer em qualidade. Indubitavelmente. Pergunte-se aos milhares de pessoas que estão a participar activamente nestes eventos. Infelizmente, a comunicação social que leva a informação aos lares dos portugueses ignora o que se está a passar neste município, desconhece o esforço e o sacrifício de dezenas de pessoas que andaram pelas escolas e pelas aldeias a ensaiar e a cativar jovens e menos jovens em torno de uma causa cultural, educativa e de lazer. É o geral silêncio sepulcral e ensurdecedor, quando coisas bonitas se estão a fazer na cidade e no concelho.

3. E se durante um espectáculo destas Jornadas altamente positivas e frutuosas, em termos educativos, culturais e sociais, mobilizando afirmativamente todo um concelho, um palco ruísse e dois actores ficassem feridos (lagarto, lagarto…) com alguma gravidade?
Ninguém mais falava no êxito indesmentível de uma semana gloriosa, o que não é interessante para a história. As televisões saltariam, como por encanto, para a rua, em direcção a Fafe, os jornais enviariam pressurosas equipas de reportagem, as rádios dariam directos emocionados para os principais serviços noticiosos…

In http://www.correiodominho.com/, 21/03/2011
por Artur Coimbra

18 março 2011

II Jornadas Literárias de Fafe

É o evento cultural com maior participação durante todo o ano!! Com o objectivo de promover a cultura e incentivar o gosto pela leitura entre a população em geral, mas sobretudo junto dos mais jovens, o Município de Fafe, durante esta semana, tem promovido as Segundas Jornadas Literárias de Fafe.
Pretende-se concretizar uma festa da cultura e da literatura, materializada no encontro com escritores, no lançamento de obras literárias, na realização de recitais de poesia, na passagem de filmes sobre escritores, em diversos espectáculos de teatro para a população escolar, em espectáculos destinados ao público em geral, entre muitas outras actividades a levar a cabo em cada agrupamento e escola. As tradições e o património imaterial estarão bem presentes nesta segunda edição das Jornadas Literárias. Além do município, que financia e coordena as Jornadas, estão envolvidos na organização a Escola Secundária, os Agrupamentos de Escolas Prof. Carlos Teixeira, Montelongo, Arões, Silvares e Padre Joaquim Flores, a Escola Profissional e o Colégio da ACR Fornelos, bem como o Núcleo de Artes e Letras de Fafe, o Cineclube de Fafe, a editora Labirinto e a Academia de Música José Atalaya. A todos eles, os nossos sinceros Parabéns por todo o brilhantismo, dinâmica e participação que têm estado bem patentes neste importante evento cultural!

15 março 2011

Mais um Tesourinho Deprimente...

Duas pessoas inscrevem-se para participar no Recenseamento Geral da População deste ano no concelho de Fafe. Uma delas é licenciada com emprego estável e aufere mensalmente cerca de 1000 Euros com contrato de trabalho. A outra pessoa tem habilitações ao nível do 12º Ano, está desempregada e a receber subsídio de desemprego no valor de 400 Euros mensais.
Uma delas é escolhida e vai fazer um part-time após o trabalho. A outra vai continuar desempregada...
Acontece em Fafe, como deve acontecer em muitos sítios deste querido Portugal...

13 março 2011

CAB Madeira Vence Final da Taça

Numa final inédita, o CAB Madeira inscreveu o seu nome pela primeira vez na lista de vencedores da Taça de Portugal, ao derrotar o CB Penafiel, por 64-62, num jogo disputado no Pavilhão Multiusos de Fafe perante uma plateia de 1600 espectadores. No confronto entre duas equipas que com todo o mérito chegaram a esta fase da prova, os madeirenses foram mais felizes no final do encontro. Foi uma partida emocionante até aos últimos segundos da partida, digna de uma final.
O Clube Amigos do Basket tornou-se, assim, o 17º vencedor da Taça de Portugal. A lista de conquistas é liderada pelo Benfica, com 18, seguido do FC Porto, com 12.
Fafe está de parabéns pela co-organização de mais um importante evento desportivo.

11 março 2011

09 março 2011

Sugestão de Leitura - "A Terra do Chiculate"

Isabel Maria Fidalgo Mateus nasceu nas Quintas do Corisco, Felgueiras, Torre de Moncorvo, em 1969. Publicou artigos em jornais e revistas e apresentou comunicações em conferências internacionais sobre Miguel Torga e Literatura de Viagens.
Actualmente dedica-se sobretudo à escrita e à investigação académica no âmbito da Literatura de Viagens.
O livro que recentemente editou relata diversos aspectos da emigração portuguesa.
A obra divide-se em três partes e dá voz, através dos seus relatos, na primeira pessoa, aos seus “reais protagonistas”.
Na primeira parte, intitulada “Naufrágio”, a narração da criança, entregue aos cuidados da avó materna, com apenas 12 meses, centra-se nas suas memórias indeléveis da infância e da juventude, exprimindo, sobretudo, o modo como a ausência dos seus pais se reflecte, de forma nefasta, na sua vida. Aliás, a sua experiência individual remete a temática para um panorama mais vasto, pois a sua situação vai ao encontro da mesma realidade familiar e social de tantas outras crianças e jovens do Portugal rural, principalmente do Norte e Interior do país, durante a época da Ditadura.
A segunda parte, “Viagem(ns)”, trata dos percursos de vida daqueles que deram “o salto”, isto é, dos seus sucessos e infortúnios provenientes desta epopeia da era moderna. Entre outras, aqui perpassam as histórias do passador, da criança e dos jovens arrancados à terra de origem, bem como as referentes aos homens e às mulheres e aos seus muitos trabalhos que passaram para se adaptarem ao novo país, à língua e à cultura. No presente, “os protagonistas” mais idosos desta efeméride deparam-se com outro tipo de problemas: surge o dilema do regresso para Portugal ou da sua permanência em França ou, então, a opção pelo contínuo vaivém entre os dois países, até que as suas forças físicas e psicológicas o permitam.
Quanto às várias gerações de luso-descendentes, debatem-se pela procura e pela afirmação da sua identidade portuguesa, resolvendo deste modo o conflito, por vezes existente, entre o desequilíbrio da influência das culturas francesa e lusa.
A última parte da obra resulta das impressões de viagem do narrador adulto em peregrinação pelos espaços da diáspora dos primeiros emigrantes portugueses, onde se incluem os seus próprios pais, os seus familiares e os seus amigos. A partir daqui, pretende-se que as suas reflexões e considerações elucidem o leitor acerca deste período da emigração ainda mal conhecida por muitos e, até então, com aspectos por desmistificar.
Ao mostrar o difícil passado recente da emigração portuguesa, A Terra do Chiculate alerta, igualmente, para a vigência e a actualidade do tema da emigração clandestina neste início de século.
Para mais informação podem consultar o site da autora em www.isabelmateus.com

04 março 2011

Politiquices

O Grupo de Cidadãos Eleitores “Independentes por Fafe”apresentou para inclusão na ordem de trabalhos da Assembleia Municipal do passado dia 28 de Fevereiro, duas propostas.
Uma, surgida na sequência de uma proposta do Dr. Ribeiro Cardoso, deputado eleito pelo CDS-PP, procurava ver criada uma comissão de membros da Assembleia Municipal para discussão e aprovação de um regulamento municipal de toponímia e numeração de polícia.
A outra proposta, versando o Plano Director Municipal, estava dividida em duas questões:
- por um lado, solicitava a presença, na Assembleia Municipal, do Director do Departamento de Planeamento e Gestão Urbanística para que este esclarecesse os motivos que justificam o atraso de quase uma década nos trabalhos de revisão do PDM;
- por outro lado, procurava fazer aprovar o agendamento de uma sessão de esclarecimento promovida, organizada e coordenada pelo Município, onde fossem explanados os objectivos, propósitos, critérios e linhas de orientação geral que têm estado na base de todo o trabalho de revisão do PDM já efectuado.
Ambas as propostas foram, obviamente, chumbadas! Até aqui, nada de novo… O PS, que detém a maioria na Assembleia, vota, consecutivamente (e desde que não esteja distraído…), contra as propostas dos Independentes, inviabilizando a sua aprovação.
O que constitui surpresa é o voto contra do PSD!
Dir-se-á que tinha as suas justificações. É um facto, já que as apresentou. O que se questiona é a sua validade. Ora vejamos:
- Votou contra a criação da comissão para a toponímia porque juridicamente a atribuição de nomes aos arruamentos é uma competência do Executivo Municipal, não cabendo à Assembleia pronunciar-se. Estranha-se, já que o artigo 1º do dito regulamento, frisava que a competência era do Município, ainda que tendo de obter parecer de uma comissão consultiva, composta por membros da Assembleia. De qualquer forma, estávamos apenas a propor a criação de uma comissão, à imagem de inúmeras outras entretanto constituídas para outros tantos assuntos da competência do executivo. Não percebo…
- Votou contra a proposta sobre o PDM porque considera que havendo um membro eleito pela Assembleia Municipal com assento na própria Comissão de Revisão (é um elemento do PSD – Engº Baptista), não considerava haver necessidade de discutir o que quer que fosse. Estranha-se, já que apenas se pretendia alargar uma discussão que, consensualmente, é de importância vital para todos os Fafenses. Não se percebe…
Ou melhor, percebe-se, e bem! São politiquices…
Há quem, de forma desinteressada, trabalhe e procure contribuir para o desenvolvimento do concelho. Outros há, que sujeitos a uma agenda política e procurando capitalizar vitórias de Pirro, se esforçam por encontrar motivos para justificar o injustificável.
Quem diria que um dia se formaria em Fafe um bloco central…

Miguel Summavielle

P.S. (Os textos das propostas estarão brevemente disponíveis em www.ipfafe.com)

01 março 2011

Outras Pessoas, Outras Ideias

“Dicionário dos Fafenses”, de Artur Coimbra, é um excelente livro que nos permite conhecer as personalidades que, de algum modo, contribuíram para o enriquecimento da nossa terra. Nos mais diversos domínios, no passado e no presente, esta obra reúne mais de duzentas pessoas que se evidenciaram em Fafe, em Portugal e por esse mundo fora.
Pessoas que grande parte da população fafense desconhece mas que carregam um trajecto profissional e pessoal bastante rico e vasto. Muitas pessoas que, na minha opinião, poderão ajudar a uma reflexão mais aprofundada sobre o nosso concelho.
Estou a ver, por exemplo, o contributo de académicos conceituados como Alberto Amaral (ex reitor da Univ. do Porto) ou Domingos Silva (presidente do ISMAI), docentes universitários nas mais diversas áreas em Universidades Portuguesas como Vasco Freitas (prof. FEUP), Laurinda Leite (prof. Univ. Minho) Armindo Magalhães (prof. na Univ. Fernando Pessoa), Fernando Mendes (prof do Instituto de Ciências Médicas Abel Salazar), Paula Nogueira (prof. na Univ Minho), João Nogueira (prof. do Instituto de Estudos Superiores Militares), Jorge Pamplona (prof. na Univ. Minho), João Silva (prof da Faculdade de Filosofia de Braga), ou até mesmo em Universidades Estrangeiras como Maria Teixeira (prof no Brasil) e Albano Fraga (prof. na Alemanha), até ao contributo de pessoas como Helena Alves (presidente do IPJ e da Movijovem), Francisco Castro (conselheiro financeiro de Portugal junto da UE), e até mesmo, José Ribeiro (coronel do exército e o militar mais condecorado nas Forças armadas portuguesas). Poderia enumerar um sem número de indivíduos que poderiam ajudar a uma reflexão mais abrangente sobre a nossa terra.
É opinião quase geral que Fafe precisa de mais ideias, de mais dinamismo. Fafe precisa de alargar o debate à sociedade civil. Precisamos, enquanto cidadãos, de ouvir pessoas sem interesses políticos. Com o devido respeito, Fafe precisa de ouvir mais gente do que apenas os responsáveis políticos da autarquia, da oposição ou da assembleia.
Fafe tem pessoas, fora dos circuitos políticos, com inequívocas provas de valor, capacidade, inovação e empreendedorismo. São a prova cabal que há mais vida na sociedade civil para além dos políticos e dos partidos.
Não seria interessante, de algum modo, poder reunir essas pessoas, realizar umas jornadas de diálogo e reflexão, alargar o debate às associações, às empresas, ao cidadão comum e, com isso, fomentar o conhecimento, a partilha de experiências e a análise deste concelho e, quem sabe, concertar uma estratégia futura para um melhor desenvolvimento de Fafe?!

Pedro Fernandes

28 fevereiro 2011

Cine Teatro Março

EM DESTAQUE: Sean Riley & the Slowriders
Dia 26, 21:30h, Preço: 5 Eur

Os ingressos para os espectáculos no Teatro-Cinema de Fafe, durante o Mês de Março, estão à venda no Posto de Turismo de Fafe, a partir do próximo dia 28 de Fevereiro (Segunda-feira).

25 fevereiro 2011

Fafe na Bolsa de Turismo de Lisboa

Fafe está presente na Bolsa de Turismo de Lisboa 2011 que abriu portas no dia 23 de Fevereiro e se prolonga até ao dia 27. Fafe está integrado, com um espaço próprio, na Região de Turismo Porto e Norte de Portugal que este ano é o Destino Nacional Convidado na Bolsa de Turismo de Lisboa.
Hoje o concelho de Fafe teve a sua apresentação oficial, com a presença do Vereador do sector, Eng. Vítor Moreira e outros agentes turísticos do concelho, tais como o complexo Turístico de Rilhadas, Aldeia do Pontido, Vinhos Norte e outros.
Os grandes espaços com potencial turístico do concelho (espaços rurais, unidades hoteleiras, Percursos Pedestres, Arquitetura dos brasileiros, etc.) serão apresentados em filme realizado para o efeito e explicados ao pormenor.
Pela primeira vez, a BTL abrirá também ao público em geral na Quarta-feira o espaço de turismo gastronómico onde estarão representadas as regiões do Alentejo, Algarve, Lisboa e Vale do Tejo, Oeste, Porto e Norte e Serra da Estrela.
A “vitela assada à moda de Fafe” será igualmente a rainha do espaço gastronómico, sendo confecionada no local e servida aos convidados, para além de uma prova de Vinhos Verdes para o público em geral. De salientar que os produtos para a sua confecção (vitela, batatas, cebolas, alhos e outros condimentos) foram adquiridos no mercado fafense e levados para Lisboa.

22 fevereiro 2011

Albino Guimarães

(Sócio Nº1 da AD Fafe)

21 fevereiro 2011

Cine Teatro - Reacções de Eugénio Marinho

Eugénio Marinho escreveu no seu mural do Facebook: «Na pouca vergonha desta Câmara Municipal que faz concertos para os amigos à nossa custa. São da raça do Sócrates. É só fumaça e pagode com o dinheiro do povo, a quem tudo querem extorquir.» (Sic)
Particularmente não aprecio o Facebook como difusor de opiniões. É um canal interessante de divulgação a partir de links mas como objecto de argumentação, não produz nada se significativo. Tal é de fácil análise pelas reacções a esta frase de Eugénio Marinho. Se algumas colocam a razoabilidade acima de qualquer outra coisa, outras, na senda do emocionalmente incorrecto, promovem um conjunto de ideias que acabam por não o ser. É fácil medir a razoabilidade. Rawls diz: «as pessoas razoáveis são aquelas que estão prontas a propor certos princípios como justos termos de cooperação e a agir diligentemente de acordo com eles, dada a garantia de que as outras por certo o farão igualmente». Por outras palavras, faz aos outros o que gostarias que fizessem a ti.
Apesar de tudo, exige-se a quem de direito que reaja e esta acusação, caso contrário poder-se-ia ser pouco razoável. A razoabilidade exige a reciprocidade.
Percebo a intenção subjacente à programação do Cine-teatro, assim como a formação de um conceito para o edifício, como percebo que haja aqui e ali um conjunto de convidados a quem sejam reservados lugares. Mas não façamos disso regra para não cairmos no absurdo da aristocracia cultural e dos favorecimentos que repudiam, como vem acontecendo no nosso país.

António Daniel